Quantos puns uma pessoa normal pode soltar por dia? Estudo americano tem a resposta
- Portal Saúde Agora

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Cientistas da Universidade de Maryland desenvolveram uma "roupa íntima inteligente" que registra exatamente com que frequência uma pessoa solta gases. Os pesquisadores revelaram que as pessoas soltam flatulências duas vezes mais do que eles pensavam anteriormente.
Uma pessoa comum solta cerca de 32 gases por dia, em comparação com as 14 vezes que os médicos consideravam normal antigamente. No entanto, os pesquisadores também encontraram variações significativas entre as diferentes extremidades do espectro de flatulência.
De um lado estão os chamados “hiperprodutores de hidrogênio”, cujos intestinos únicos produzem de 40 a 50 gases por dia. Do outro, estão os “digestores zen” que possuem a capacidade de consumir uma dieta rica em fibras — de 25 a 38 gramas por dia — e produzem apenas quatro gases intestinais por dia.
Para a pesquisa, os cientistas acoplaram um dispositivo inteligente do tamanho de uma moeda, em roupas íntimas (e que pode ser colocado em calças normais). Utilizando um pequeno sensor eletroquímico, o dispositivo mantém um registro constante do hidrogênio e de outros gases emitidos pelo intestino.
Como o hidrogênio é produzido exclusivamente por micróbios, o monitoramento desse gás fornece uma leitura direta de quando e com que intensidade o microbioma intestinal está ativo.
Apesar de parecer inofensivo e até bobo, os resultados dessa pesquisa ajudaram os médicos a entenderem o valor de referência dos gases. Por exemplo, quando os médicos avaliam a condição de um paciente, eles comparam certos marcadores, como: frequência cardíaca, colesterol e glicose no sangue, mas até então não havia um referencial para os gases intestinais.
As tentativas anteriores de encontrar a média geralmente dependiam de relatos das pessoas sobre sua própria flatulência ao longo do dia. No entanto, nem todos contam quantos gases soltam, as memórias podem não ser confiáveis e uma grande parte não consegue se lembrar do que está acontecendo enquanto dormem.
Em contrapartida, o dispositivo inteligente para roupa íntima é pequeno, fácil de usar e praticamente imperceptível ao longo do dia. 80% dos participantes do estudo disseram que o dispositivo era confortável e que o usariam sem problemas se fosse recomendado por um médico.
Isso permitiu que os pesquisadores obtivessem as primeiras medições precisas e em tempo real de quanta flatulência as pessoas realmente produzem.
"A medição objetiva nos dá a oportunidade de aumentar o rigor científico em uma área que tem sido difícil de estudar”, revelou Brantley Hall, especialista em microbiota intestinal da Universidade de Maryland e autor principal do estudo.
Estudo
Os pesquisadores recrutaram 19 adultos para usar o dispositivo durante uma semana, enquanto estivessem acordados e pediram que eles comessem doces contendo uma pequena quantidade de inulina, um tipo de fibra prebiótica.
O dispositivo inteligente para roupas íntimas detectou com sucesso o aumento da produção de hidrogênio desencadeado pela digestão resultante, com 94,7% de precisão. "Pense nisso como um monitor contínuo de glicose, mas para gases intestinais", diz Hall.
O estudo agora será expandido para um programa de pesquisa em âmbito nacional, denominado 'Atlas de Flatulência Humana'.
Qualquer pessoa com mais de 18 anos e residente nos EUA pode se inscrever no estudo. Hall enviará o dispositivo inteligente para roupas íntimas para que comece a registrar seus próprios dados sobre gases intestinais.
Os pesquisadores estão particularmente interessados nos Digestores Zen e nos Hiperprodutores de Hidrogênio, que apresentam respostas intestinais muito acima da média.
A equipe também coletará amostras de fezes dos participantes desses grupos para análise do microbioma, a fim de descobrir por que essas pessoas soltam tantos ou tão poucos gases.
“Há muita informação sobre quais micróbios vivem no intestino, mas pouco sobre o que eles estão realmente fazendo em um dado momento. O Atlas de Flatulência Humana estabelecerá parâmetros objetivos para a fermentação microbiana intestinal, o que é essencial para avaliar como intervenções dietéticas, probióticas ou prebióticas alteram a atividade do microbioma”, disse o pesquisador.
Fonte: O Globo






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