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Carnaval: vai beber e usa canetas emagrecedoras? Médicos alertam para os riscos dessa combinação explosiva

O carnaval chegou! Milhões de foliões planejam festas, blocos e encontros com amigos — e na maioria das vezes regados a bebidas alcoólicas. Para uma parcela cada vez maior da população que usa as chamadas canetas emagrecedoras, os análogos de GLP-1 (como Mounjaro, Ozempic, Wegovy e Saxenda), o risco é bem mais alto. Mas existe uma dose segura de álcool? E quais os perigos dessa associação?


De acordo com especialistas ouvidos pelo GLOBO e com a Organização Mundial da Saúde (OMS), beber álcool, em qualquer quantidade, não é seguro para a saúde de ninguém. Muito menos, em excesso.


Mas quando falamos de maratonas etílicas enquanto se usa esse tipo de medicamento, esses riscos ainda podem ser intensificados.


— Quem usa esses remédios não deve consumir álcool, e por vários motivos. O usuário que utiliza esses medicamentos por ter diabetes, por exemplo, pode sofrer um descontrole da doença — diz o endocrinologista Alexandre Hohl, diretor da Abeso - Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e atual diretor do Departamento de Endocrinologia Feminina. — E para quem está querendo perder peso porque tem sobrepeso e obesidade, o álcool é calórico. Um grama de álcool gera 7 quilocalorias, então beber uma quantidade acima do aceitável é jogar contra o tratamento.


O problema não para por aí. Existem alguns riscos associados ao tratamento em si.

— Não existe uma dose segura de álcool para quem usa esse tipo de medicamento — afirma o médico endocrinologista Bruno Geloneze, livre-docente e pesquisador principal do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades da UNICAMP. — Para quem tem consumo moderado ocasional, o maior risco é desconforto gastrointestinal agudo e uma alteração da percepção da embriaguez e até mesmo do prazer de beber. No consumo excessivo, entram os riscos da toxicidade hepática e pancreática.


Um dos efeitos desses medicamentos é retardar o esvaziamento gástrico, o que garante uma sensação de saciedade por mais tempo. No entanto, isso também pode retardar a absorção do álcool no organismo, o que leva a sensação de embriaguez tardia, além de aumentar o risco de gastrite e intensificar efeitos colaterais.


— O álcool pode piorar alguns efeitos colaterais desses remédios, como náusea e vômito, e levar à desidratação. Então, pode ter uma potencialização dos efeitos gastrointestinais — pontua Hohl.


Uma das preocupações mais sérias associadas a esses medicamentos é a pancreatite aguda, uma inflamação potencialmente grave do pâncreas. Esse risco, que é considerado raro apenas pelo uso do medicamento, pode aumentar com o consumo de álcool.


— A pancreatite é rara com esses medicamentos. Porém, o risco de pancreatite pelo álcool é muito grande e isso pode se somar, principalmente se o consumo for muito exagerado durante o carnaval — explica Geloneze.


Para quem consome grande quantidade de álcool, há ainda o risco de hipoglicemia. A hipoglicemia ocorre quando o açúcar no sangue cai demais e pode gerar sintomas como tontura, fraqueza, suor frio, tremores, fome repentina, confusão ou dificuldade de raciocínio, em casos mais graves, desmaio ou convulsão.


— O fígado normalmente vai metabolizar principalmente o álcool e isso consome glicose. Então ele começa a bloquear a liberação de glicose na circulação. Se a pessoa estiver usando a medicação e não comeu, a soma disso aumenta o risco de hipoglicemia — diz o pesquisador da Unicamp.


Daí a importância de não beber de estômago vazio. Outro risco inerente ao consumo de álcool que é amplificado com o uso desses medicamentos é o de desidratação. O álcool em si estimula a diurese, o que já aumenta o risco de desidratação.


Além disso, o carnaval também pode contribuir para a desidratação por conta das horas no sol, geralmente tomando pouca água. Por fim, os medicamentos às vezes não apenas diminuem a vontade de comer como de ingerir líquidos. Neste caso, a recomendação padrão de se hidratar e intercalar o álcool com água precisa ser redobrada.


A boa notícia é que alguns usuários desses medicamentos provavelmente não conseguirão exagerar na bebida alcoólica visto que um dos efeitos relatados é justamente uma aversão à substância. Inclusive, estão em andamento estudos para avaliar se esses fármacos podem ser usados no tratamento de transtorno por uso de álcool.


— Esses medicamentos também agem numa região cerebral de recompensa, que tem relação com o vício em álcool. As evidências em animais e em ensaios clínicos preliminares com humanos mostram que essas medicações podem reduzir o consumo compulsivo de álcool ao diminuir a liberação de dopamina associada à bebida. Ou seja, a recompensa de estar bebendo e sentir um certo prazer cerebral fica reduzida — explica Geloneze.


Mas uma consequência indesejada pode ser a pessoa tentar aumentar a ingestão para alcançar o prazer que tinha antes. Isso aumenta o risco dos outros problemas já relatados, em uma espécie de ressaca prolongada, com náusea, vômito, sensação de estômago pesado e diarreia.


— De uma maneira geral, quem usa esses remédios tem que se hidratar, comer e tentar ficar o mais saudável possível. E se vier algum sinal de alerta, como dor abdominal, vômito persistente ou tontura importante que possa sugerir um descontrole do diabetes ou algo que remeta a pancreatite, a pessoa deve procurar avaliação médica — alerta Hohl.


Lembrando que o consumo moderado de álcool é definido como até dois drinques por dia para homens e um para mulheres. Uma dose equivale a 14 gramas de álcool puro ou uma lata de 350 ml de cerveja, uma taça de 150 ml de vinho ou uma dose de 45 ml bebida destilada.


Consumir a substância além dessas quantidades aumenta significativamente o risco à saúde, em especial se o padrão for de “binge drinking” — definido como a ingestão de cinco doses de álcool para os homens e quatro para as mulheres em um espaço de duas horas.


Fonte: O Globo

 
 
 

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