Conheça os benefícios que o café pode trazer para a saúde



Para o mineiro, o café é muito especial. É em volta de uma xícara da bebida que muitas histórias são contadas e boas risadas são dadas. O café tem um valor cultural. Ele também move a economia do Sul de Minas e gera emprego e renda na região. Mas além de tudo isso, pesquisas demonstram que a bebida também traz benefícios para a saúde que vão além da cafeína.


O doutor em Nutrição Humana Aplicada, Sinézio Inácio da Silva Júnior, que também é professor da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG), explica que o café é uma bebida rica em compostos bioativos que podem trazer benefícios ao nosso corpo quando aliado a uma dieta variada e saudável. Ele deu alguns exemplos desses benefícios que os estudos apontam. Sinézio explicou que o café está associado à diminuição de risco de alguns cânceres, como o de mama, intestino (cólon e reto), endométrio, próstata e vesícula biliar.

Para outras doenças o consumo de café também é promissor. “O café oferece um menor risco de doenças crônicas como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, cálculos biliares, mal de Parkinson e demência. Também há associações com diminuição de doenças do fígado, como fibrose, cirrose e câncer”, enumerou. O café e a atividade física Pelo efeito da cafeína, o café promove o aumento no metabolismo e pode colaborar para a queima de gordura e melhor desempenho em atividade física e de concentração intelectual.

“A cafeína é um estimulante do sistema nervoso central que, por si só, pode retardar o cansaço e prolongar o estado de alerta e atividade”, contou Sinézio.

Ele confirmou que existem evidências que a cafeína ingerida de 15 a 60 minutos antes da atividade física pode melhorar o desempenho. “Isso ocorre por alguns efeitos conjugados. A cafeína ajuda na queima de gordura, disponibilizando ácidos graxos para produção de energia e poupando as reservas de glicogênio do músculo”, detalhou. A substância ainda promove uma maior capacidade de aproveitamento do oxigênio respirado e um consequente efeito colaborativo com a dopamina e adrenalina. De uma forma mais prática, o professor explicou que um exercício pode ser sustentado por mais tempo através de uma melhora da capacidade aeróbica e a resistência física. “O poder de contração muscular aumenta e pode ser sustentado por mais tempo e de modo mais eficiente, retardando o cansaço”, disse. Mas para obter tantos benefícios é preciso se atentar para a dose correta.

“A quantidade de cafeína no produto depende do tipo do grão, torra e modo de preparo. Mas os efeitos são obtidos a partir de 3 mg de cafeína por quilo de peso corporal. Traduzindo em xícaras (das pequenas brasileiras), seriam de 2 a 3 xícaras de 15 a 60 minutos antes da atividade”, exemplificou.

Mas o uso também exige algumas ponderações como ter uma vida e dieta saudáveis e sem exageros. Cuidados Sinézio alerta que há restrições sobre o consumo para grávidas e lactantes. Como a cafeína pode vencer a barreira placentária e passar para o feto, ela pode prejudicar o desenvolvimento fetal e aumentar risco de aborto.

“Bebês indevidamente expostos à cafeína, muitas vezes desde o útero, podem ter quadros de irritabilidade, prejuízo de sono e mesmo síndrome de abstinência”, alertou.

E, apesar do café não causar doenças gastrointestinais, como gastrite, úlcera e colite, seu consumo exagerado pode agravar sintomas.

Sinézio falou que o horário para tomar café também merece atenção.

“É melhor evitar o consumo da bebida no intervalo de 4 horas antes do momento de dormir porque ele pode prejudicar a qualidade do sono. Lembrando que, em idosos, o efeito do café é mais prolongado porque eles tendem a metabolizar mais lentamente a cafeína”, avisou. É melhor evitar o consumo da bebida no intervalo de 4 horas antes do momento de dormir — Foto: Jonatam Marinho

O café pode ajudar a melhorar a memória de curto prazo, deixando quem consome a bebida mais alerta e concentrado. Mas explorar esse efeito exige cuidado.

“Assim, o mais importante é pensar que o café é bom dentro de uma vida saudável e para estreitar nossos laços afetivos e de amizade, ajudar na socialização e de um modo mais democrático do que o uso da bebida alcoólica, por exemplo”, falou Sinézio. A xícara de café Para o professor, quando falar em “xícara de café” é um hábito brasileiro.

“A nossa xícara de café deve ser concebida como aquela de aproximadamente 50 ml e não aquela xícara americana que é mais parecida com a de chá, com o café bebido de forma mais diluída”, falou. Conforme a Autoridade Europeia de Segurança de Alimentos foi definida uma ingestão máxima segura de até 400 mg de cafeína ao longo do dia.

“De novo é bom lembrar o princípio da moderação: De 3 a 5 xícaras diárias. O café pode sim, provocar dependência leve a moderada”, alertou.

Por fim, Sinézio afirma que, se usado com cuidado, o café é um aliado da saúde para uma vida saudável e prazerosa.

“A chave desse benefício é a moderação e um estilo de vida e dieta saudáveis também. Viva o café, com saúde, sabor e boa companhia”, disse.


Fonte: G1

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