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Stranger Things aumentou a conscientização sobre distúrbio raro

14 de mar. de 2020
3 min de leitura

Célebres programas de televisão podem contribuir para o aumento da conscientização sobre doenças raras, bem como do interesse do público, assim como a série da Netflix, Stranger Things, fez com uma doença do desenvolvimento ósseo pouco conhecida, segundo um estudo.

Os pesquisadores descobriram que, com o lançamento de cada uma das três primeiras temporadas do programa, houve um aumento de pesquisas na internet por informações sobre displasia cleidocraniana (CCD), uma doença congênita que causa crescimento anômalo ou ausência de crescimento dos dentes e clavículas.

O ator Gaten Matarazzo III, que interpreta Dustin Henderson na série, nasceu com esta doença, e os criadores da série fizeram com que o personagem também tivesse a patologia. O primeiro episódio e os subsequentes contém cenas em que Dustin ensina seus amigos sobre a doença, escreveram os pesquisadores no periódico JAMA Otolaryngology-Head & Neck Surgery.

“Lembro de ver algo sobre a doença de Dustin na série, então eu dei um Google: ‘O que é displasia cleidocraniana?’”, disse à Reuters Health um dos autores do estudo, Austin L. Johnson, estudante de medicina na Oklahoma State University, nos Estados Unidos.

Isso fez Austin se perguntar quantos outros teriam feito a mesma coisa.

Para descobrir, ele e seus colegas analisaram dados do Google Trends e dos sites de instituições que atendem pessoas com displasia cleidocraniana.

A primeira vez que o personagem de Gaten fala sobre a doença é no primeiro episódio da primeira temporada, em 2016, quando ele enfrenta os valentões da escola. É um tema recorrente, com menções ao longo da série, disse Austin.

A análise dos dados do Google Trends mostrou que o interesse pela doença aumentou 11,2% na semana seguinte à estreia da primeira temporada, e 12,9% na semana seguinte ao lançamento da segunda temporada, em outubro de 2017.

Com o lançamento da terceira (e mais recente) temporada, em julho de 2019, as pesquisas sobre a doença aumentaram 94,4%.

Os dados dos sites das instituições que atendem pessoas com displasia cleidocraniana mostraram um interesse público crescente após o lançamento da série, descobriram os pesquisadores, mas apenas uma instituição, a About Kids Health, dispunha de dados quantitativos.

Antes da estreia de Stranger Things, a About Kids Health relatou que o seu site tinha uma média de 5 a 80 visualizações por semana, com pequenos aumentos no tráfego após a primeira e a segunda temporadas do programa. Mas, na semana após o lançamento da terceira temporada, os sites relacionados com displasia cleidocraniana alcançaram 10.000 visualizações.

“As pessoas realmente aprendem com o que veem nos programas de entretenimento”, disse Kate Langrall Folb, diretora do Hollywood, Health & Society no USC Annenberg Norman Lear Center, nos EUA, um serviço gratuito sobre saúde, segurança e proteção para indústria do entretenimento.

O estudo demonstrou que, mesmo um programa que não tinha o objetivo de educar o público sobre pessoas com deficiência, foi capaz de aumentar a conscientização sobre uma doença rara, disse Kate em uma entrevista por telefone.

As doenças raras afetam cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo, e os pacientes têm dificuldade de defender os próprios direitos devido aos recursos financeiros limitados, à dificuldade de contatar outros pacientes e falta de recursos humanos, destacou a equipe de Austin.

Aumentar a conscientização sobre doenças raras pode ajudar a aumentar o financiamento de pesquisas, as opções de tratamento e reduzir o sentimento de isolamento ou discriminação, escreveram os autores.

“Os meios de comunicação têm a oportunidade única de servir como um catalisadores para corrigir percepções equivocadas do público, e mostrar corretamente o que são essas doenças raras”, autores eles.

Depois do destaque dado à displasia cleidocraniana no programa, o ator Gaten ajudou a criar uma fundação chamada CCD Smiles para dar apoio às pessoas com a doença.

“A descoberta mais significativa deste estudo é que as celebridades têm um impacto, não apenas naqueles que assistem seus programas, mas também entre aqueles que podem ter a mesma patologia”, disse Austin.

Fonte: Medscape

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