Sete em cada 10 paulistanos não têm plano de saúde, aponta pesquisa da Rede Nossa SP

Cerca de 70% da população paulistana não possui plano de saúde, de acordo com levantamento feito pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o IPEC – Inteligência em Pesquisa e Consultoria, empresa originada do IBOPE Inteligência e divulgada nesta terça-feira (25).
O levantamento mostra a percepção da população paulistana acerca dos impactos da pandemia na saúde e na educação.
A pesquisa teve amostra de 800 moradores da cidade de São Paulo com 16 anos ou mais, que foram entrevistados entre os dias 12 e 29 de abril. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
Desde 2017 a cidade registra aumento no número de paulistanos que não têm plano de saúde.
Passou de 66% em 2017 e 2018 para 69% em 2021. Ao mesmo tempo, diminuiu o número de habitantes da cidade que possuem plano de saúde: eram 33% em 2017, 31% em 2018 e atualmente são 29% em 2021. Os entrevistados que não sabem ou não responderam se mantiveram em 2%.
A pesquisa mostrou também que os principais desafios enfrentados por quem utiliza os serviços públicos são:
Demora para conseguir consulta com especialistas, apontado por 65%;
Demora para atendimento em postos, centro de saúde ou hospitais, mencionado por 48%;
A superlotação dos serviços, citado por 43%.
Já em relação às principais qualidades dos serviços de saúde públicos:
53% afirmam ser a oferta de serviço de saúde gratuito;
47% mencionam o atendimento para todas as pessoas, independentemente da nacionalidade ou condição social;
45% a distribuição gratuita de medicamentos;
41% a oferta gratuita de vacinas;
36% a oferta de atendimento integral, desde a prevenção até o tratamento de doenças graves.
No entanto, em relação às principais vantagens de ter um plano de saúde privado, 57% afirmam ser a maior rapidez em realizar uma consulta ou um exame; e 38% a certeza de ser atendido na hora que precisar. Educação Para 52% dos estudantes com mais de 16 anos entrevistados pela Rede Nossa SP o aumento da desigualdade foi o principal impacto da chegada coronavírus. Para 48% foi a piora no aprendizado o principal impacto e para 39% foi a evasão escolar.
O abandono dos estudos é o extremo de uma sequência de dificuldades: 21% dos pais entrevistados disseram que têm em casa uma criança ou adolescente que desistiu de estudar por causa da pandemia.
As três principais dificuldades apontadas por mães, pais e responsáveis, em relação ao ensino remoto são:
A falta de internet adequada ou a velocidade da internet insuficiente, mencionada por 45% das pessoas;
A dificuldade em manter as(os) filhas(os) concentradas(os) e interessadas(os) durante as aulas, sendo mencionada por 39%;
A falta de equipamentos adequados, citada por 32%.
No contexto da pandemia, 22% concordam que o acompanhamento das aulas remotas por parte de estudantes e professoras(es) foi adequado, 46% acham que foi parcialmente adequado e 24% consideram que não foi adequado.
O impacto das aulas remotas na educação, entre mães, pais e responsáveis é nítido:
81% concordam totalmente ou em parte que estudantes tiveram dificuldade emocionais/ psicológicas durante o período de isolamento social;
79% concordam totalmente ou em parte que estudantes tiveram dificuldades com infraestrutura/ espaço;
76% concordam totalmente ou em parte que estudantes tiveram dificuldade para acessar as aulas transmitidas pela internet;
69% concordam totalmente ou em parte que estudantes tiveram dificuldades com o uso de equipamentos;
68% concordam totalmente ou em parte que estudantes tiveram dificuldades para acessar as aulas transmitidas pela TV ou rádio;
62% concordam totalmente ou em parte que os materiais didáticos e a metodologia do ensino remoto foram adequadas.
Para profissionais da educação os principais impactos apontados são:
Maior desinteresse de estudantes durante a aula (45%);
Demissões (35%);
Adoecimento/ problemas de saúde (34%);
Redução de salários (34%);
Aumento de cobranças/ pressões (33%);
Desvalorização do trabalho (31%);
Aumento de jornada de trabalho (23%).
Em relação às medidas adotadas para combater o impacto da pandemia na educação:
64% consideram que o fechamento das escolas foi uma medida adequada;
26% consideram que não foi adequada;
56% consideram que as aulas remotas foi uma medida adequada;
34% consideram que não foi adequada.
Ainda, a maioria (59%) considera inadequada a retomada das aulas presenciais nas creches e escolas e 33% consideram adequada.
Sobre a retomada das aulas presenciais:
86% concordam total ou parcialmente que o risco de contágio ainda é muito alto;
84% concordam total ou parcialmente que as dificuldades de conexão com a internet impossibilitam o acompanhamento adequado das aulas;
81% concordam total ou parcialmente que as escolas não têm estrutura para garantir que as crianças e profissionais da educação não sejam contaminadas(os) durante as aulas presenciais;
77% concordam total ou parcialmente que aulas remotas têm qualidade muito inferior;
66% concordam total ou parcialmente que estudantes em casa dificultam o trabalho de mães e pais.
Para a população paulistana, os grupos de alunas e alunos que deveriam ser priorizados na retomada das aulas presenciais são estudantes que tiveram maiores dificuldade de acessar as aulas remotas (42%); estudantes que mães e pais trabalham fora (36%); e estudantes com maiores vulnerabilidades socioeconômicas (32%).
Saúde durante a pandemia
A pesquisa mostrou que 67% da população paulistana desenvolveu pelo menos um dos sintomas listados durante a pandemia. Os mais apontados são:
alterações no sono: 50%;
mudanças repentinas de humor e/ou irritabilidade (44%);
angústia e/ou medo (43%);
alteração alimentar (37%);
sinais ou sintomas de ansiedade (33%);
tristeza ou choro fácil (31%).
A pandemia impactou maior proporção de mulheres (76%) na comparação com homens (57%). Entre as mulheres, 58% tiveram alterações no sono (homens: 41%); 54% tiveram mudanças repentinas de humor e/ou irritabilidade (homens: 32%); 50% angústia e/ou medo (homens: 34%); 43% alteração alimentar (homens: 30%); 41% tristeza ou choro fácil (homens: 19%); 39% sinais ou sintomas de ansiedade (homens: 25%).
Enquanto 34% declaram que pelo menos uma pessoa do domicílio utilizou serviços públicos de saúde para atendimentos relacionados à Covid-19 nos últimos 12 meses, 26% declaram que pelo menos uma pessoa do domicílio utilizou serviços privados de saúde para atendimentos relacionados à Covid-19 nos últimos 12 meses.
Ademais, 23% declaram que ao menos uma pessoa do domicílio foi diagnosticada com a Covid- 19 nos últimos 12 meses.
Para a população paulistana, as principais ações que deveriam ser realizadas pelo poder público para melhorar o processo de vacinação na cidade de São Paulo são:
Adotar um modelo de agendamento para evitar filas e aglomerações (42%);
Disponibilizar agentes comunitários de saúde para irem até a população, evitando filas e aglomerações (40%);
Aumentar as campanhas de conscientização sobre a importância da vacina (38%);
Melhorar o acesso aos postos de vacinação (36%);
Combater as fake news (33%);
Melhorar a divulgação do calendário de vacinação (31%).
As pessoas entrevistadas apontam que deveriam ser priorizadas na campanha de vacinação contra a Covid-10, além das pessoas idosas, são:
Pessoas que precisam trabalhar fora e casa e se deslocam de transporte público: 59%;
Pessoas com doenças crônicas: 44%;
Pessoas que trabalham em serviços como comércio, supermercado, restaurante etc 39%;
Professores de escolas públicas 36%;
Pessoas que moram em bairros com maior número de mortes pela Covid-19 28%;
Pessoas de baixa renda e trabalho informal: 24%.
Fonte: G1






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