Separação forçada entre humanos e animais de estimação traz consequências negativas para ambos, diz estudo
- Portal Saúde Agora

- 31 de jan. de 2024
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Separar pessoas de seus animais de estimação à força, mesmo em situações de crise, como violência doméstica, falta de moradia ou desastres naturais, causa impactos negativos em ambos. A conclusão é de um estudo publicado recentemente na revista científica Anthrozoös.
“Nossos resultados revelam que o forte apego emocional entre pessoas e animais pode resultar em vulnerabilidade para ambos em circunstâncias em que esse vínculo está ameaçado”, explica Jasmine Montgomery, principal autora do estudo, em comunicado.
“Quando as pessoas são forçadas a separar-se no contexto de uma situação de crise, como desastre natural, falta de abrigo ou violência doméstica, isso pode resultar em sofrimento psicológico e risco para a sua saúde, e o bem-estar e a segurança são realmente afetados. Infelizmente, a revisão também confirmou que um resultado comum para animais de estimação em casos de violência doméstica eram maus-tratos e/ou morte”, completou a pesquisadora.
Pesquisadores da Universidade James Cook, na Austrália, chegaram a essa conclusão após revisarem 27 anos de investigação internacional sobre o assunto. A equipe examinou 42 estudos sobre o vínculo humano-animal e situações de separação em cenários que envolvem violência doméstica, falta de moradia e desastres naturais.
Os resultados mostram, por exemplo, que a preocupação com a segurança e o bem-estar dos animais de estimação e a falta de apoio são fatores-chave para as pessoas relutarem em fugir de casa quando sofrem violência doméstica.
“Em muitos casos de violência doméstica, há evidências que sugerem que as pessoas vão adiar o abandono da relação para proteger o seu animal de estimação. Isso acontece muitas vezes porque há falta de abrigos ou locais de alojamento que possam acomodar animais de estimação, ou falta de confiança depositada em sistemas formais de apoio de que eles não serão separados de seus animais de estimação. Nos casos em que são feitas ameaças a animais de estimação, as vítimas podem ser atraídas de volta pelo agressor, o que também representa um risco significativo para a sua segurança”, explica Montgomery.
Os desastres naturais eram igualmente desafiantes, com a possibilidade de uma pessoa regressar para buscar o seu animal de estimação durante um período de perigo ou ficar para trás para protegê-lo, colocando a si própria e a outras pessoas em risco.
Diante da descoberta, os pesquisadores alertam para a necessidade de uma mudança de mentalidade que considere as necessidades dos animais de estimação e as complexidades que elas acarretam, quando se trata de planejar situações de crise e fornecer serviços que apoiem as vítimas nesses momentos.
“Muitas vezes, espera-se que as pessoas escolham os interesses humanos em detrimento dos animais a todo custo, sem considerar o vínculo humano-animal partilhado. O que precisamos começar a fazer é levar nossos animais de estimação e o valor deles muito a sério. E, como um coletivo na comunidade, compartilhar essa responsabilidade e colocar as necessidades dos animais de estimação nas áreas de desenvolvimento de políticas, legislação, serviços provisão e habitação para ajudar a prevenir resultados inaceitáveis, como maus-tratos ou morte de animais.", avalia.
Para mitigar os riscos associados à separação forçada, os pesquisadores recomendam:
Incorporar perguntas sobre animais de estimação em serviços que ajudam mulheres vítimas de violência doméstica a procurar refúgio e fornecer alojamento conjunto para mulheres, crianças e animais de estimação;
Aumentar a colaboração com serviços que podem ajudar com os animais;
Melhorar os planos de evacuação de desastres naturais para incluir recursos como transporte e abrigos que acomodem tanto as pessoas como os seus animais de estimação;
Garantir a disponibilidade de alojamento que aceite animais de estimação para pessoas sem-abrigo.
Fonte: O Globo






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