Rabo de cavalo apertado, como o de Haaland, pode causar queda de cabelo? Entenda
- Portal Saúde Agora

- há 8 horas
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Um rabo de cavalo bem puxado para trás, com as laterais raspadas. Esse penteado virou marca registrada de Erling Haaland, o centroavante da Noruega, que enfrenta a França nesta sexta-feira (26) pela Copa do Mundo.
Nas redes sociais, o estilo do craque tem rendido comentários, inclusive de gente apostando que ele vai acabar ficando calvo de tanto prender os fios desse jeito.
❓Mas será que prender o cabelo com força e repetidamente pode mesmo cobrar esse preço? Em parte, sim, embora a história tenha nuances.
Segundo Mariana Paixão, dermatologista e especialista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, cabelos muito esticados e presos com frequência podem desencadear um problema com nome próprio.
"Os cabelos muito tensionados e usados repetidamente, com coque, rabo de cavalo e tranças extremamente firmes, podem causar o que a gente chama de alopecia por tração", explica ao g1.
A tensão contínua provoca um dano mecânico no folículo piloso, a estrutura da pele de onde nasce o fio.
A boa notícia é que, percebido cedo, o quadro tem volta. "No início, é reversível: se você parar, vai melhorar. Mas, se feito por anos e anos, provavelmente vai gerar uma cicatriz no folículo, e aí você tem a perda definitiva dos fios", diz a especialista.
➡️ Os primeiros sinais costumam ser os seguintes:
dor e sensibilidade no couro cabeludo depois de prender,
vermelhidão,
quebra dos fios
e um afinamento progressivo na linha da testa e nas têmporas — justamente as regiões que sofrem mais tração nos penteados.
Tração x calvície genética
Apesar de ambas provocarem perda de cabelo, a alopecia de tração e a calvície genética têm origens diferentes.
"São duas coisas completamente diferentes, com fisiopatologias diferentes", afirma a dermatologista.
A calvície clássica — a alopecia androgenética — está ligada principalmente à genética e aos hormônios.
O personagem central é o DHT, substância derivada da testosterona.
As pessoas que são geneticamente predispostas têm esse hormônio se ligando aos receptores dos folículos, e isso causa uma miniaturização dos fios. O fio vai nascendo cada vez mais fino e mais curto.
— Mariana Paixão, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
A simples presença da DHT, porém, não significa que uma pessoa ficará calva.
O fator determinante é a sensibilidade dos folículos à ação dessa substância, característica ligada à herança genética.
Em pessoas predispostas, a DHT se conecta a receptores presentes nos folículos e desencadeia um processo chamado miniaturização.
A cada novo ciclo, o cabelo nasce mais fino, mais curto e menos visível.
E isso é algo que ocorre aos poucos. Um fio inicialmente grosso e comprido pode perder espessura ao longo dos anos, até que o folículo produza apenas um cabelo muito pequeno ou deixe de gerar fios perceptíveis.
Isso também ajuda a explicar por que a calvície não depende necessariamente de uma alteração hormonal detectada em exames de sangue.
Uma pessoa pode ter níveis considerados normais de hormônios, mas apresentar folículos geneticamente mais sensíveis à DHT.
A genética também não vem exclusivamente do lado materno ou paterno.
Diferentes genes herdados de vários integrantes da família podem participar do risco, e o padrão observado nos parentes não determina com certeza o que ocorrerá com cada pessoa.
Veja outros 10 mitos comuns sobre a queda de cabelo:
1. Raspar a cabeça faz o cabelo cair mais rápido. ❌ Mito. A raspagem só retira a parte visível dos fios; os folículos seguem intactos sob a pele e mantêm o ciclo normal de crescimento.
2. Lavar o cabelo todos os dias provoca queda. ❌ Mito. A frequência ideal depende do tipo de couro cabeludo — oleoso pede lavagem diária; seco, nem tanto. Perder cerca de 100 fios por dia é normal.
3. Usar secador sempre causa calvície. ❌ Mito. O calor excessivo e muito próximo pode enfraquecer e afinar os fios, mas não leva à calvície genética. O ideal é manter distância e temperaturas mais baixas.
4. Usar boné faz o cabelo cair de vez. ❌ Mito. Não há evidência de que o boné cause calvície. O uso frequente pode, no máximo, esquentar o couro cabeludo e agravar uma dermatite, contribuindo para uma queda temporária.
5. Homem calvo tem mais testosterona. ❌ Mito. O que muda não é a quantidade do hormônio, e sim a sensibilidade dos folículos à DHT. O nível de testosterona no sangue não faz diferença.
6. Mulher nunca fica calva. ❌ Mito. A conversão de testosterona em DHT acontece nos dois sexos. É menos frequente nelas, mas existe — em geral como afinamento difuso no topo da cabeça.
7. A calvície vem da família da mãe. ❌ Mito. A herança é poligênica e pode chegar tanto pela mãe quanto pelo pai, às vezes saltando para avós e bisavós.
8. Quem fica grisalho não fica calvo. ❌ Mito. Não há relação científica entre os dois. Ambos sofrem influência genética, mas seguem caminhos diferentes.
9. Alguns alimentos previnem a calvície. ❌ Mito. Nenhum alimento barra a perda genética dos fios. Uma dieta equilibrada ajuda na saúde capilar, mas não impede a calvície.
10. Shampoo antiqueda evita a calvície. ❌ Mito. O produto fica pouco tempo em contato com a pele e não age nas causas da queda, que ocorrem no interior do couro cabeludo.
Fonte: G1




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