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Psico-oncologia: cuidar da cabeça é essencial após diagnóstico de câncer

há 6 minutos
3 min de leitura

O diagnóstico de um câncer pode impactar profundamente a vida de qualquer indivíduo. Além dos sintomas físicos, o turbilhão emocional desencadeado por medos, incertezas e mudanças drásticas na rotina impõe desafios significativos.


Nesse cenário, o suporte psicológico surge como uma ferramenta fundamental para atravessar o tratamento com mais qualidade de vida e adesão às condutas médicas.


A inclusão da psico-oncologia na jornada do paciente não deve ser vista apenas como um recurso para situações extremas ou momentos de crise. Tanto a oncologia quanto a psicologia moderna defendem que o acompanhamento emocional idealmente deve estar presente desde a confirmação do diagnóstico e ser reavaliado continuamente.


A psicóloga Anastacia Cristina, reforça que a saúde mental pode comprometer também a capacidade do paciente de seguir o cronograma terapêutico.


O tratamento do câncer exige disciplina: rotinas de medicação contínua em casa, exames periódicos e datas rigorosas para sessões de quimioterapia ou radioterapia. Momentos de angústia intensa, exaustão emocional ou medo desproporcional podem levar o paciente ao esquecimento de horários, faltas e até ao isolamento.


“Uma pessoa muito angustiada pode ter dificuldade de concentração, esquecer horários, perder a motivação, evitar determinadas situações por medo ou até começar a associar o tratamento a uma experiência insuportável”, pontua Anastacia.

Sofrimento emocional não tratado prejudica o funcionamento do organismo


O sofrimento emocional não tratado, como ansiedade e estresse prolongado, prejudica a saúde física ao afetar o sono, a disposição e a rotina do paciente. Diante de sinais como desânimo e isolamento, o suporte especializado torna-se indispensável.


Nesse contexto, a integração da oncologia a áreas como psicologia e cuidados paliativos garante um tratamento humanizado, fortalecendo a mente do paciente para lidar com os desafios do câncer com mais dignidade.


A médica oncologista Roberta Galvão, especialista em oncogenética, diz que quando ocorrem falhas na adesão às orientações médicas, o papel da equipe multiprofissional é afastar o julgamento e buscar compreender as barreiras existentes.


Ela enfatiza que, por trás da omissão ou da vontade de interromper os cuidados, frequentemente há medo do desconhecido, incerteza sobre os efeitos colaterais ou exaustão acumulada.


“Diante disso, a escuta ativa torna-se imprescindível. Um ambiente em que o paciente possa fazer perguntas, expressar seus medos e compreender o plano terapêutico ajuda a transformar o desconhecido em algo mais concreto e manejável”, reforça Roberta.

Diálogo transparente e decisão compartilhada


Uma comunicação clara e transparente entre médico, paciente e família reduz o pavor do diagnóstico, evitando que o medo preencha a falta de informação com os piores cenários.


As diretrizes da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) reforçam a importância de um modelo de cuidado centrado no paciente, priorizando o acolhimento psicossocial e a tomada de decisão compartilhada. Uma comunicação empática não omite realidades duras, mas assegura que as informações sejam entregues de forma gradual, acessível e humana.


“O paciente precisa sentir que pode dizer: ‘Eu não entendi’, ‘Estou com medo’ ou ‘Preciso que você me explique novamente'”, afirma Anastacia. Ao esclarecer o panorama de maneira realista, diminui-se a sensação de perda de controle sobre a própria vida.

Estado emocional ajuda, mas não determina o sucesso do tratamento


Especialistas reforçam que o estado emocional do paciente não determina diretamente o sucesso da oncologia, desfazendo o mito de que o pensamento positivo garanta a cura ou a tristeza impeça a melhora.


Embora o estresse crônico cause alterações neuroendócrinas e imunológicas, tanto Roberta quanto Anastacia ressaltam que o maior impacto da saúde mental no tratamento costuma ocorrer de forma indireta.


Fonte: Metrópoles

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