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Por que os órgãos do porco, e não de outro animal, são usados em transplantes em humanos?



Os Estados Unidos realizaram o primeiro transplante bem-sucedido do mundo de um rim de porco geneticamente modificado para um homem de 62 anos que vive com doença renal crônica terminal. O procedimento representa um marco importante na busca por novas fontes de doação de órgãos. Mas porque os órgãos de um porco são usados em humanos e não de outro animal?


A cirurgia foi realizada no último sábado (16) e teve quatro horas de duração. O paciente "se recupera bem" e deve receber alta em breve, de acordo com comunicado do hospital Geral do Massachussetts, ligado à Universidade Harvard.


Essa não é a primeira vez que um rim suíno geneticamente modificado é transplantado para um humano. Mas os casos anteriores foram realizados em pacientes com morte cerebral. Esse é o primeiro a ser realizado em um paciente vivo.


Os cientistas estão testando órgãos de porco porque a anatomia desses animais é muito semelhante a dos humanos – fígado, rins e coração são os principais órgãos parecidos com os nossos.


Outro ponto é que os suínos alcançam a idade e peso de um adulto bem rápido, além de não serem uma espécie com risco de extinção, que é o caso de alguns primatas – macacos também já foram usados em testes, mas justamente pela grande semelhança com humanos, um risco biológico maior de transmissão de doenças foi notado, o que fez com que a comunidade científica deixasse de usá-los em testes da medicina.


Chamado de xenotransplante, técnica de realização de transplante de órgãos entre espécies diferentes, vem sendo foco de pesquisa há mais de 5 décadas e tentativas clínicas heroicas, realizadas por vários centros de saúde médica no mundo.


Segundo o cirurgião especialista em fígado e aparelho digestivo e diretor do Instituto do Fígado Americas, Ben-Hur Ferraz Neto, em recente coluna para o GLOBO, durante as décadas de 60 a 90, houve mais de “duas dezenas de tentativas de transplantes de órgãos de primatas não humanos em humanos, incluindo rins, coração e fígado. Apenas 1 transplante de rim teve sobrevida de 9 meses e 1 transplante de fígado de 70 dias”, mas todos vieram a falecer horas, dias ou poucas semanas depois.


— Dentro de um raciocínio lógico, porém equivocado, se imaginava que os primatas não humanos, como chimpanzés e babuínos, deveriam ser os mais compatíveis. De alguns anos para cá, associado a evolução surpreendente da genética, com a descoberta do genoma humano e de técnicas que permitem a mudança do DNA (código genético), como “crispr”, passou-se a considerar os porcos como os potenciais “doadores de órgãos” mais adequados aos xenotransplantes. Eles são mais fáceis de serem criados, se reproduzem e crescem mais rapidamente, tem tamanhos diversos e compatíveis com seres humanos de todas as idades, tem um custo de manutenção mais baixo que os primatas não humanos, além da sua similaridade anatômica e funcional mais próxima a do ser humano — explicou.


Este procedimento bem-sucedido é um marco histórico no campo emergente do xenotransplante como uma solução potencial para a escassez mundial de órgãos. O rim é o órgão mais comum necessário para transplante, e estima-se que as taxas de doença renal em estágio terminal aumentem nos próximos anos.


Fonte: O Globo

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