Médico que anestesiou influencer para tatuagem é denunciado por homicídio
- Portal Saúde Agora

- 9 de jul. de 2025
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O médico que aplicou anestesia geral no influenciador Ricardo Godoi, morto durante o procedimento para fazer uma tatuagem em Itapema (SC), foi denunciado hoje por homicídio culposo.
O que aconteceu
MP-SC viu negligência do médico durante o procedimento. Conforme a promotoria, o homem de 34 anos não realizou consulta prévia com Ricardo e conheceu o paciente apenas no dia da tatuagem — o que viola normas técnicas do Conselho Regional de Medicina do estado.
A denúncia foi enviada à Justiça após o profissional se recusar a aceitar os termos da proposta de Acordo de Não Persecução Penal, oferecida na sexta-feira. ''Diante disso, não restou outra alternativa'', explicou o Ministério Público de Santa Catarina, no processo enviado ao Tribunal de Justiça, que vai decidir se ele se torna réu ou não.
Denúncia fala que ele também não exigiu exames clínicos obrigatórios para a anestesia. Órgão detalha que eletrocardiograma e radiografia de tórax eram alguns dos que deveriam ter sido pedidos. ''São condutas recomendadas para pacientes com histórico de hipertensão e idade superior a 40 anos'', acrescentou. A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o caso em maio e decidiu indiciar o médico anestesista.
O UOL entrou em contato com o denunciado, mas não teve retorno até o momento. O espaço segue aberto para manifestação.
Relembre o caso
Ricardo, de 46 anos, iria fazer uma tatuagem nas costas e tomaria anestesia geral para o procedimento. No dia 20 de janeiro, o empresário publicou nas redes sociais que passaria por um procedimento cirúrgico que terminaria às 16h, mas ele morreu por volta das 12h, no Hospital Dia Revitalite. Uma equipe de três tatuadores faria o desenho.
O homem, no entanto, teria tido um problema cardiorrespiratório logo após a sedação. Segundo relatou o tatuador, que preferiu não ser identificado, um cardiologista foi chamado durante as complicações e tentou reanimar o paciente, mas ele não sobreviveu.
Familiares teriam ficado sem explicação sobre a causa da morte do empresário. ''A história está muito mal contada e estão tentando esconder o que realmente aconteceu nesse procedimento. O anestesista não deu nenhuma satisfação'', relatou Ricardo Portes, amigo da vítima, na época.
O que disse a defesa do tatuador à época
Ao UOL, defesa do tatuador afirmou que exames de sangue foram feitos e aprovados previamente. ''Contratamos um hospital particular com toda equipe, equipamentos e drogas anestésicas necessárias para a segurança do procedimento. Contratamos também um médico com especialização em anestesiologia e experiência em intubação, que teve sua documentação aprovada pelo hospital'', afirmou.
Segundo ele, Ricardo assinou o termo de consentimento de risco. Ele ainda explicou que o procedimento, que é regulamentado pelo CRM (Conselho Regional de Medicina), é feito quando o cliente prefere não sentir dor e quer fazer a tatuagem em uma única sessão.
Quem era o empresário?
Ricardo era vendedor e comprador de veículos de luxo. Além disso, ele era casado e deixa quatro filhos.
Nas redes sociais, a vítima tinha mais de 200 mil seguidores. Ele costumava publicar fotos de carros exóticos que importava para o Brasil para vender. ''Meu objetivo é trazer os carros mais exclusivos do mundo inteiro. Quero emocionar os apaixonados por automóveis, apresentar modelos que nunca foram vistos em solo nacional'', dizia.
Amava o que fazia, um exemplo de um profissional acima da média, alguém que veio de lá de baixo e alcançou um nível alto não só na vida profissional mas também como marido, pai, filho, e amigo.
Fonte: UOL






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