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Mulher com a 'pior dor do mundo' se forma em medicina veterinária

há 3 horas
3 min de leitura

Carolina Arruda, a jovem que ficou nacionalmente conhecida por ter a "pior dor do mundo", publicou em suas redes sociais que se tornou médica veterinária — isso no mesmo dia que completou 30 anos.


"30 anos. E, no mesmo dia, o presente que eu sonhei a vida inteira: sou formada em Medicina Veterinária. Fiz meu juramento e posso dizer: eu sou médica veterinária. E o que está passando na minha cabeça agora é o quanto eu estou orgulhosa de mim mesma", escreveu.


A moradora de Bambuí, Minas Gerais, ganhou repercussão após falar sobre o diagnóstico de neuralgia do trigêmeo, doença rara que provoca a “pior dor do mundo”, e a vontade de realizar um procedimento de eutanásia na Suíça devido às queixas.


Carolina contou que precisou interromper os estudos em alguns momentos para cuidar da saúde e que, durante os anos de faculdade, passou por 11 cirurgias, centenas de internações e crises de dor.


"Eu entrei na faculdade andando com as minhas duas pernas e hoje saio dela em uma cadeira de rodas. Minha vida mudou completamente nesse meio tempo, mas uma coisa nunca mudou: a minha vontade de chegar até aqui. Muita gente me disse para desistir. Que eu não conseguiria terminar. Que, mesmo terminando, talvez eu nunca conseguisse atuar na profissão. Mas eu nunca quis desistir", disse.


Carolina descobriu o diagnóstico de neuralgia do trigêmeo aos 16 anos após uma gravidez e desde então realizou uma série de procedimentos, até mesmo neurocirurgias, mas que não aliviaram a dor. Os médicos explicam que o tratamento do quadro realmente tem taxas variadas de sucesso.


A neuralgia do trigêmeo é rara, afeta cerca de 4,3 pessoas a cada 100 mil e é conhecida pelas dores crônicas e excruciantes, explicou ao GLOBO o médico especialista em dor Carlos Marcelo de Barros, presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED):


— A neuralgia do trigêmeo é uma doença no nervo trigêmeo, nós temos um de cada lado na face. Em 90% dos casos é causada por conflito vascular, uma artéria que, por má formação, encosta no nervo e o desmieliniza, levando-o a funcionar de maneira disfuncional. Geralmente ela acomete somente um dos ramos do nervo e apenas um dos dois nervos da face. Mas o caso da Carolina é ainda mais raro porque ela é jovem, tem um quadro bilateral, ou seja, acomete os dois nervos, e porque é nos três ramos de cada nervo. É muito difícil, muito sofrido.


Após compartilhar que estava considerando realizar a eutanásia devido à doença, Carolina foi contatada pelo presidente da SBED e, juntos, decidiram tentar novas terapêuticas. A jovem passou por diversas intervenções como implante de neuroestimuladores e de uma bomba de infusão de analgésicos, mas com pouca melhora.


Carolina chegou a falar que, caso os novos tratamentos auxiliem em pelo menos 60% da dor sofrida, ela pode cogitar desistir de buscar a eutanásia na Suíça. Nesse caso, doaria todo o dinheiro arrecadado por meio de uma vaquinha online para arcar com os custos do acesso ao procedimento.


Tanto a eutanásia, como a morte assistido, são práticas que envolvem o ato voluntário de morrer sem dor e com assistência médica. Essencialmente, o que distingue a eutanásia do suicídio assistido é a pessoa que administra a droga letal.


No caso da eutanásia, o médico prescreve, mas é também quem aplica a substância que induz o paciente à morte. Já na do suicídio assistido, o médico faz a prescrição, porém apenas o próprio paciente pode autoadministrar a droga.


"Independentemente do que o futuro vai me permitir fazer com esse diploma, eu realizei algo que nasceu na minha infância e que me acompanhou por mais de 20 anos. Olhando para a minha própria história de fora, eu consigo perceber uma coisa que talvez eu não tivesse conseguido enxergar antes: foi muito mais difícil do que eu deixei transparecer. Muito mais difícil do que muita gente imagina. E, talvez, até mais difícil do que eu mesma tenha percebido enquanto estava vivendo tudo isso", diz.


Desde criança, Carolina sonhava em fazer uma faculdade e conquistar um diploma antes dos 30 anos. A doença, no entanto, fez com que esse caminho fosse mais longo do que ela imaginava.


"E eu queria dizer para aquela Carol de mais de 20 anos atrás: nós conseguimos. Você não fazia ideia de tudo que ainda viria, mas continuou acreditando. E eu tenho muito orgulho de nós”, finalizou ela.


Fonte: O Globo

 
 
 

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