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Golpe do falso médico se espalha pelo Brasil; entenda como criminosos agem

A demissão de um técnico de enfermagem em Santos (SP), após ter sido vítima do chamado golpe do falso médico, se soma a uma série de episódios semelhantes já registrados e investigados em diferentes estados do país.


A fraude envolve criminosos que se passam por médicos ou gestores da saúde para obter dados sensíveis ou exigir pagamentos urgentes, sobretudo quando familiares enfrentam a internação de alguém em estado grave. Diante da recorrência dos casos, entidades médicas e hospitais têm reforçado alertas sobre esse tipo de abordagem.


No episódio ocorrido no litoral paulista, o golpista entrou em contato por um ramal interno do hospital, se apresentou com o nome real de um médico da unidade e solicitou informações administrativas e imagens de prontuários.


Com esses dados, tentou aplicar o golpe em familiares de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O funcionário acabou desligado da instituição por descumprimento de normas internas e da Lei Geral de Proteção de Dados.


Casos parecidos vêm sendo apurados em estados como Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás e Rio de Janeiro. Em dezembro, uma operação policial prendeu suspeitos envolvidos em um esquema que fazia contatos com famílias de pacientes internados em UTIs, cobrando valores elevados para exames e medicamentos que supostamente não seriam cobertos por planos de saúde.


Como funciona o golpe do falso médico


Embora haja variações, o golpe costuma seguir um padrão:


  • o criminoso liga ou envia mensagens se identificando como médico, diretor clínico ou integrante da equipe hospitalar;

  • usa nomes verdadeiros de profissionais, fotos retiradas da internet e, em alguns casos, informações reais sobre o paciente, como setor de internação;

  • afirma que houve um agravamento súbito do quadro clínico, citando doenças graves ou termos técnicos para dar verossimilhança;

  • diz que é necessário um pagamento urgente, geralmente via Pix, para exames, medicamentos ou procedimentos “fora da cobertura”;

  • promete reembolso posterior e cria um clima de urgência extrema, com pressão emocional.


Em investigações recentes, familiares relataram pedidos que chegavam a R$ 10 mil, feitos sob a justificativa de que a demora poderia comprometer o tratamento.


Por que o golpe encontra terreno fértil em hospitais


O ambiente hospitalar reúne fatores que facilitam esse tipo de crime:


  • vulnerabilidade emocional de familiares, especialmente em UTIs;

  • autoridade simbólica da figura médica, que reduz questionamentos;

  • circulação de dados sensíveis, que pode ser explorada quando há falhas de segurança;

  • rotinas intensas e sobrecarga das equipes, que diminuem o tempo para checagem.


Mesmo sem acesso a prontuários completos, pequenas informações já são suficientes para tornar a abordagem convincente.


Entidades médicas emitem alertas


O Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira têm reforçado alertas sobre diferentes golpes que usam indevidamente a imagem e a autoridade da profissão médica —seja para extorquir famílias de pacientes, seja para enganar os próprios profissionais de saúde.


Em comunicado recente, o CFM informou ter recebido denúncias de falsários que entram em contato com médicos por aplicativos de mensagens, usando logomarca oficial e linguagem persuasiva para oferecer suposta facilidade no pagamento da anuidade profissional. Após a interação, os golpistas enviam boletos falsos.


O conselho reforça que nem o CFM nem os Conselhos Regionais de Medicina enviam cobranças por WhatsApp ou outros aplicativos e orienta que qualquer pendência financeira seja verificada apenas pelos canais oficiais.


Já a Associação Médica Brasileira, em nota enviada ao g1, afirma que a atuação criminosa de pessoas que se passam por médicos —ou que usam indevidamente a identidade da profissão— representa grave risco à saúde da população.


Segundo a entidade, indivíduos sem formação adequada, registro profissional ou habilitação legal não têm competência técnica nem respaldo ético para diagnosticar, prescrever ou orientar tratamentos, o que pode resultar em erros graves, agravamento de doenças, sequelas irreversíveis e até mortes evitáveis.


Além do dano direto aos pacientes, a AMB avalia que essas práticas fragilizam o sistema de saúde, corroem a confiança da população nos profissionais devidamente habilitados e sobrecarregam serviços públicos e privados com complicações decorrentes de atendimentos irregulares.


A entidade orienta a população a sempre verificar se o médico tem CRM ativo e a denunciar imediatamente abordagens suspeitas aos conselhos de medicina, ao Ministério Público e às autoridades policiais.


Impactos vão além do prejuízo financeiro


Além da perda de dinheiro, diz a entidade, o golpe pode provocar:


  • abalo psicológico em familiares já fragilizados;

  • quebra de confiança na comunicação entre hospital e família;

  • exposição indevida de dados de saúde, protegidos por lei;

  • risco à segurança do paciente, quando informações clínicas circulam fora dos canais formais.


Entre profissionais de saúde, há ainda consequências éticas e trabalhistas, mesmo quando a abordagem ocorre em contexto de boa-fé, o que tem levado entidades a defender protocolos mais claros e treinamentos específicos contra golpes baseados em engenharia social.


Como se proteger do golpe do falso médico



  • Desconfie de pedidos urgentes de pagamento, especialmente via Pix.

  • Hospitais não cobram exames ou medicamentos por telefone ou WhatsApp.

  • Conselhos profissionais não enviam boletos por aplicativos de mensagens.

  • Não compartilhe fotos de prontuários, telas de computador ou dados internos.

  • Em caso de dúvida, ligue diretamente para o hospital ou para o conselho pelos canais oficiais.


Ao identificar uma tentativa de golpe, a orientação é encerrar o contato, comunicar a instituição envolvida e registrar ocorrência.


Fonte: G1

 
 
 

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