Cientistas investigam como câncer foi transmitido entre gêmeas antes do nascimento
Irmãs gêmeas ainda durante a gestação desenvolveram o mesmo tipo de câncer, um sarcoma de tecidos moles, e morreram logo após o nascimento. O caso de Amelia e Amaya foi descrito em um estudo publicado na revista científica Nature Communications.
A equipe de cientistas, que inclui pesquisadores da Universidade de Cambridge, descobriu que o câncer começou em uma das irmãs e foi transmitido para a outra ainda no útero, muito provavelmente por meio de uma única transferência no final do segundo trimestre de vida.
Um sarcoma de tecidos moles se trata de um tumor raro que se origina em “tecidos moles” como músculos, ossos, tendões, vasos sanguíneos e células de gordura.
De acordo com o estudo, a gêmea A com o tumor inicial apresentava depósitos tumorais em vários órgãos. Já a outra gêmea, chamada B, inicialmente apresentava lesões na pele, contudo, foi detectada uma doença nas membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal.
Para a pesquisa, a equipe sequenciou 10 amostras de tumor, 12 amostras de tecido normal dos gêmeos e 11 amostras de placenta assim como examinaram 12 amostras de placenta enriquecidas com células envolvidas na formação da placenta.
Assim, observaram que o câncer se iniciou na gêmea A, e que as células cancerígenas passaram para a gêmea B ainda na barriga da mãe. Os cientistas explicam que a confirmação foram células presentes no bebê B que carregavam marcadores genéticos pertencentes à sua irmã.
Dessa forma, é possível que a placenta compartilhada foi o motivo da disseminação do câncer entre as irmãs. Uma estimativa feita pela equipe também mostra que a origem do tumor se deu perto do final do primeiro trimestre na gêmea A.
O estudo foi possível graças à liberação da família para realização de autópsias para fins de pesquisa. Por isso, os autores dedicam o estudo às irmãs, cuja mãe desejou que seus nomes fossem mencionados.
Fonte: O Globo




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