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Cientistas desenvolvem uma vacina para a ‘droga zumbi’ xilazina; entenda



A xilazina é um sedativo e analgésico utilizado em animais, mas que, quando utilizado em humanos, apresenta efeitos adversos graves. Com objetivo de aumentar os lucros, traficantes têm misturado o fármaco a outras drogas letais como o fentanil, a heroína e a cocaína. Desta forma, pesquisadores do instituto Scripps Research desenvolveram uma vacina para bloquear os efeitos da toxicidade da xilazina.


"Atualmente não existe nenhum remédio para o envenenamento por xilazina além dos cuidados de suporte; portanto, acreditamos que os nossos esforços de investigação e os dados que fornecemos abrirão o caminho para um tratamento eficaz em humanos", escreveu o químico e professor na Scripps Research, Kim D. Janda.


A intoxicação por xilazina se dá maneira semelhante à overdose de opioides, pois causa a depressão dos sistemas respiratório e nervoso central. No entanto, a naloxona, muito utilizada para reverter os efeitos de diversas drogas, não consegue combater todo o impacto das misturas que utilizam o fármaco.


O opióide é 50 vezes mais forte que a heroína. Os pesquisadores suspeitam que a xilazina atua reduzindo o fluxo sanguíneo para o cérebro, entre outras áreas do corpo. Ela também causa lesões e feridas na pele que não cicatrizam, muitas vezes localizadas nos antebraços e na parte inferior das pernas, que podem exigir amputação em alguns casos, por isso ganhou o apelido de "droga zumbi".


O rápido aumento de overdoses letais de drogas atribuídas ao sedativo combinado com fentanil levou o Gabinete de Política Nacional de Controle de Drogas da Casa Branca a declarar esta combinação uma ameaça emergente para os Estados Unidos.


As vacinas estimulam o sistema imunológico a criar anticorpos contra vírus, bactérias e toxinas, como o caso da apresentada pelos cientistas. No entanto, por vezes as moléculas são pequenas demais para iniciar uma resposta imunitária, como é o caso do medicamento para uso veterinário. Assim, os investigadores criaram uma vacina utilizando um princípio de design pioneiro, que se baseia no emparelhamento da molécula do medicamento (chamada hapteno) com uma molécula transportadora maior (uma proteína) e um adjuvante.


Uma patente provisória foi registrada sobre a pesquisa. A equipe pretende desenvolver o trabalho para criar um anticorpo bifuncional que consiga reverter simultaneamente a toxicidade do fentanil e da xilazina (algo que a naloxona não pode fazer).


“Um tratamento com anticorpos monoclonais poderia ser administrado em conjunto com a vacina para fornecer proteção imediata e de longo prazo contra transtornos por uso de substâncias opióides, bem como overdoses de opióides-xilazina. Esta estratégia poderia ter um impacto significativo na epidemia de opiáceos”, escreve Janda.


Fonte: O Globo

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