Brasileiras mudaram a rotina alimentar e passaram a consumir mais comida por delivery



Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), avaliou como as mulheres brasileiras - de diferentes classes sociais e estados - foram afetadas por aspectos psicológicos em relação aos seus hábitos e escolhas alimentares durante a pandemia.


Os pesquisadores entrevistaram 1.183 mulheres por meio de um questionário online entre junho e setembro de 2020.

Pelas respostas, foi possível observar que o número de mulheres que participava das compras de supermercado diminuiu em 34%. Já o hábito de cozinhar em casa aumentou em 28% e o uso de serviço de entrega cresceu 146%.

Todas responderam questionário online que solicitava informações pessoais, demográficas, socioeconômicas, sintomas psicológicos, estilo de vida e hábitos alimentares.

Aspectos como o medo de contaminação e a própria rotina do home office podem ter afetado o cotidiano alimentar. Perfil das entrevistadas Carolina Fino, uma das coordenadoras da pesquisa, reforça que não é possível ter um panorama geral das mulheres no Brasil sobre essa mudança de hábito. "Apesar dos nossos esforços em atingir toda a representatividade, não conseguimos acessar a classe econômica mais vulnerável. A maior parte da nossa amostra tinha ensino superior completo".

A pesquisadora reforça que mulheres com menor escolaridade e em uma situação mais vulnerável podem ter tido mudanças mais bruscas na alimentação. O levantamento englobou todas as regiões brasileiras, porém, a maioria (74,5%) das participantes eram da região Sudeste.

"O questionário foi divulgado em mídias sociais, veículos de comunicação e meios de divulgação científica. O acesso à internet, disponibilidade de tempo, escrita e leitura eram necessários para a participação. Tais fatores podem ter colaborado pela baixa adesão do grupo de mulheres com menor escolaridade". Comer emocional O levantamento questionou quais foram os fatores emocionais e as razões que levariam as participantes a consumirem determinado alimento e sobre o sentimento em relação ao próprio corpo.

As participantes relataram realizar menos dietas restritivas e reduziram o consumo de bebidas alcoólicas. Tanto que, segundo elas, a maioria dos pedidos realizados por delivery foram de comidas caseiras ou doces.

Um outro detalhe que chamou atenção, foi o aumento - em 23% entre as entrevistadas - do hábito de consumir alimentos em pequenas quantidades ao longo do dia. "Aspectos psicológicos parecem exercer um papel importante nas escolhas alimentares. O que chamamos de comer emocional é visto em resposta a emoções e sentimentos negativos como estresse, tristeza, angústia, ansiedade e solidão", afirma Fino. Os determinantes das escolhas alimentares mais comumente relatadas pelas participantes em relação às mudanças no hábito alimentar foram comer por “gostar”, “necessidade” e “fome”. Para a nutricionista, as mulheres detêm da maior parte das responsabilidades envolvendo a alimentação, dessa forma, qualquer mudança gera impactos em todas as pessoas que moram no mesmo local.


Fonte: G1

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