Vendedora que teve necrose após cirurgia plástica recebe alta de hospital: 'Quero ver meus filhos'


 
 

A vendedora Kelly Cristina Gomes da Costa, de 29 anos, recebeu alta do Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) neste domingo (20), após ficar 45 dias internada se recuperando de necroses que teve nas cicatrizes de uma cirurgia plástica, em Goiânia. Se sentindo bem melhor após os tratamentos, ela já sabe o que fará a seguir:

“Primeira coisa que vou fazer será ver meus filhos. Estou morrendo de saudade deles”.

Kelly precisou ser intenternada enquanto sentia dores muito fortes após uma cirurgia plástica. Quando chegou ao Hugol, no último dia 5 de fevereiro, ela contou que os médicos identificaram necrose nas cicatrizes da operação dela. A médica que a operou, Lorena Duarte Rosique, foi proibida de atuar na área temporariamente pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego). Segundo o site do órgão, o registro dela segue "sob interdição cautelar total".

A defesa de Lorena já havia esclarecido, em nota, que a paciente estava ciente do risco de necrose da pele em decorrência da cirurgia plástica e quis fazer o procedimento ainda assim. Também de acordo com o comunicado, a médica orientou 20 sessões de câmara hiperbárica e outros tratamentos, que a paciente não fez como recomendado. Por fim, o texto diz que ela "se defenderá veementemente de pré-julgamentos, denúncias infundadas e de tentativas de macular sua honra" - leia íntegra ao fim da reportagem.

A paciente também fez uma denúncia na Polícia Civil. No entanto, o g1 não conseguiu localizar o delegado, por telefone em ligações entre 11h50 e 12h10 deste domingo, para saber como está a investigação do caso. Tratamento Kelly disse que passou por seis cirurgias durante os 45 dias que ficou internada. Foram enxertos e outros procedimentos para recuperar a pele dos locais que necrosaram e infeccionaram.

Segundo ela, os médicos orientaram que, após alguns meses, ela deve voltar para novos procedimentos. Ela disse que sente algumas dores esporádicas, mas nada como nos dias logo após a cirurgia plástica. “Eu não fico olhando as cicatrizes para não ficar triste, mas acho que ainda vou continuar com a terapia. Está remendada, costurada, mas é devagar até digerir essas mudanças”, completou. Operação e consequências Kelly fez a plástica na barriga e nos seios no último dia 19 de janeiro. O procedimento era um sonho dela, mas que acabou virando um pesadelo com vários dias de muita dor.

A vendedora contou que nunca perdeu o contato com a médica, que ela sempre a atendeu e que chegou a acompanhá-la em um pronto socorro às pressas, quando sentiu falta de ar.

No último dia 5 de fevereiro, após sentir muita dor, ela foi ao Hugol, onde já ficou internada e passou por um procedimento cirúrgico de urgência. Segundo ela, os médicos ficaram assustados com a gravidade dos ferimentos. Defesa da médica Lorena Rosique Com relação à reportagem sobre Kelly Cristina Gomes Costa, a defesa da médica Lorena Duarte Rosique esclarece o que se segue: Já foram enviados documentos para a redação do respeitável veículo de imprensa entre os quais o Termo de Consentimento assinado por Kelly em que foi informado “que a lipoaspiração pode, mesmo com todos os cuidados, levar a sofrimento de pele (necrose) com formação de feridas, sejam focais (menores) ou mais extensas (...) de solução demorada e com formação de cicatrizes (...) não está descartada a colaboração eventual de outros profissionais para o adequado tratamento”. Ainda que a paciente “deverá fazer retornos (...) com zelo e atenção a todas orientações e cuidados do pós-operatório”. No caso, a médica deu toda a assistência à paciente, e especificamente prescreveu medicações orais, tópicas e oxigenoterapia hiperbárica por 20 (vinte) dias seguidos, com toda orientação e auxílio para a realização do tratamento. Cumpre esclarecer que a oxigenoterapia hiperbárica consiste em terapia em que a paciente respira oxigênio puro com pressão maior, o que aumenta muito a quantidade de oxigênio transportado pelo sangue, combatendo infecções, compensando deficiência de oxigênio em entupimentos ou destruição de vasos sanguíneos, ativando células e ajudando na cicatrização. Contudo, apesar de receitado e insistido, conforme documentado pelo consultório da médica, a paciente Kelly fez apenas 5 (cinco) sessões espaçadas, não se sabe o motivo, se por não poder ou não querer. Tudo será esclarecido a seu tempo perante a Justiça e a médica se compadece com o drama pelo qual passa a paciente, ao mesmo tempo em que se defenderá veementemente de pré-julgamentos, denúncias infundadas e de tentativas, seja de quem for, de macular sua honra, dispendiosa e longa formação médica, zelo e competência profissional. Marina Toth Octavio Orzari Advogados


Fonte: G1

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