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Quando seu filho deve ganhar um smartphone? Novo estudo explica a relação com transtornos alimentares

há 11 minutos
3 min de leitura

Crianças que possuem seus próprios smartphones aos 12 anos têm maior probabilidade de desenvolver sintomas de transtornos alimentares alguns anos mais tarde. A conclusão é de um estudo publicado recentemente na revista científica JAMA Network Open com cerca de 9 mil adolescentes nos Estados Unidos, acompanhados dos 12 aos 14 anos.


Utilizando dados do Adolescent Brain Cognitive Development Study — um estudo amplo e de longo prazo sobre o desenvolvimento cerebral e a saúde de crianças americanas —, os pesquisadores constataram que 70% das crianças de 12 anos possuíam seu próprio celular.


Após os pesquisadores levarem em conta sintomas anteriores de transtornos alimentares e uma série de fatores demográficos, de desenvolvimento, de saúde mental e familiares, os proprietários de smartphones apresentaram um risco 67% maior de sintomas de compulsão alimentar e um risco 50% maior de comportamentos inadequados destinados a evitar o ganho de peso, por exemplo, consumindo alimentos de baixa caloria ou praticando exercícios intensos. Eles também apresentaram cerca do dobro do risco de vincular sua autoestima ao peso.


O estudo apontou uma associação — e não uma prova de que os celulares causem transtornos alimentares —, e os pesquisadores não definiram uma idade ideal para o primeiro aparelho. Além disso, estes são sintomas autorrelatados pelos adolescentes, não diagnósticos.


Comportamentos alimentares desordenados e um transtorno alimentar passível de diagnóstico diferem principalmente quanto à gravidade e ao fato de a pessoa preencher ou não critérios clínicos formais. Ambos podem envolver uma fixação em comida e peso, uma percepção distorcida da forma corporal, restrição alimentar ou tentativas de compensar a ingestão de calorias por meio de vômitos ou exercícios.


Mesmo assim, as conclusões sugerem que o momento de adquirir o primeiro celular, bem como as regras associadas a ele, merecem uma reflexão cuidadosa à medida que as crianças entram na puberdade. Para contextualizar, uma análise de 2023 de 32 estudos, envolvendo mais de 63 mil jovens em 16 países, constatou que cerca de 22% das crianças e dos adolescentes apresentaram resultados positivos para transtornos alimentares.


Além disso, um estudo separado, publicado por pesquisadores da área médica na Filadélfia em dezembro passado, constatou que dar um smartphone a uma criança antes dos 12 anos pode aumentar o risco de depressão, obesidade e sono insuficiente, em comparação com seus colegas que não possuem esses dispositivos.


Passar tempo diante de telas e nas redes sociais está associado a uma série de consequências negativas para as crianças, incluindo depressão, menor autoestima e experimentação de drogas e álcool. No novo estudo, a equipe da Universidade da Califórnia, em São Francisco decidiu focar na idade em que as crianças começam a usar smartphone e como isso pode afetar o desenvolvimento de transtornos alimentares futuramente.


A fase que antecede a adolescência é um período crucial para o desenvolvimento, tanto físico quanto emocional. A puberdade traz mudanças significativas no corpo e na imagem corporal e é natural que as crianças se comparem umas com as outras.


Antes dos smartphones e das redes sociais, essas comparações ocorriam principalmente entre os pares. Mas o uso precoce desses dispositivos possibilita a comparação com influenciadores cujas imagens são selecionadas, editadas e filtradas, por exemplo. Isso pode levar a uma maior insatisfação com o corpo e a uma baixa autoestima, o que pode ser um fator de risco para transtornos alimentares.


Sinais que merecem atenção incluem ingerir quantidades incomumente grandes de comida em pouco tempo, esconder alimentos, pular refeições, fazer dietas extremas, praticar exercícios de forma compulsiva, falar frequentemente sobre peso ou formato do corpo e ter o humor oscilando conforme o número na balança. Nenhum desses sinais, isoladamente, constitui um diagnóstico, mas a recomendação é procurar um médico caso esses padrões persistam.


Outros sintomas, como desmaios, dor no peito, batimentos cardíacos acelerados ou irregulares, tontura intensa, vômito com sangue ou sinais de desidratação grave exigem atendimento urgente.


Fonte: O Globo

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