Processos laboratoriais hospitalares precisam mudar, afirma especialista

Um laboratório que faz a diferença no atendimento em saúde deve apresentar três características: produzir resultados rápidos, confiáveis e que ajudem na hora de escolher o melhor antibiótico. A conclusão é da infectologista Dra. Debora Otero, vice-presidente da Associação de Estudos em Controle de Infecção Hospitalar do Estado do Rio de Janeiro (AECIHERJ).

“O médico espera trabalhar em conjunto com o laboratório”, afirmou a médica durante o 53º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, realizado no Rio de Janeiro entre 24 e 27 de setembro.

Para a médica, o detalhamento no resultado dos exames complementares é importante para orientar os médicos generalistas que fazem a rotina do atendimento hospitalar. “Não adianta só informar qual é a bactéria ou o nível de resistência, precisamos saber qual é a enzima e informar qual carbapenemase é produzida pela bactéria analisada”, explicou. Ainda de acordo com a Dra. Debora, esse tipo de informação ajuda o médico a determinar o antibiótico adequado para o tratamento.

A Dra. Debora defendeu o investimento em novas tecnologias diagnósticas, como métodos moleculares para detecção de sensibilidade e resistência. [1] Ela reconheceu que equipamentos laboratoriais modernos custam caro, mas disse que “o investimento é compensado pela redução de custo e do tempo de hospitalização, que é a parte mais cara das despesas do hospital”, disse.

No Brasil, o custo médio da diária de um paciente com infecções relacionadas à assistência em saúde (IRAS) é de 3.059,09 reais e o tempo médio de internação hospitalar é de 89,8 dias. A diária de um paciente sem IRAS é significativamente menor: em média 1.968,55 reais e 8,6 dias. [2] Um laboratório que funcione 24 horas por dia também é fundamental, porque permite o ajuste contínuo do tratamento dos pacientes com base nos resultados obtidos, reduzindo a terapia empírica.

O conceito de stewardship de ferramentas diagnósticas também é uma das bandeiras levantadas pela vice-presidente da AECIHERJ. [3] Para a Dra. Debora, modificar o processo de solicitação, realização e entrega dos resultados dos exames complementares pode ajudar a melhorar o tratamento de infecções e de outros quadros clínicos.

“Para quem trabalha em laboratórios, estamos falando de intervenções nas fases pré-analítica, analítica e pós-analítica”, afirmou.

Fonte: Medscape

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