Pais de trigêmeos relatam rotina de viagens para visitar filhos internados em UTI em Sorocaba

Algumas horas do dia são preciosas para Renata e Danilo em meio à rotina de viagens de Boituva a Sorocaba (SP) para ver os filhos. Os dois são pais de trigêmeos que nasceram prematuros e estão internados na UTI Neonatal de um hospital particular de Sorocaba (SP).
Carregar os bebês no colo, dar banho e trocar fraldas são experiências únicas que eles começaram a viver há pouco tempo. Samuel, Miguel e Gabriel nasceram no dia 24 de maio, com 29 semanas de gestação. Desde então, eles permanecem na UTI.
Em entrevista ao G1, a professora Renata da Costa Esposito, de 35 anos, contou sobre as dificuldades que enfrentou ao lado do marido e também sobre as pequenas vitórias que ocorreram durante o período de internação dos bebês. Além do trio, eles também são pais da pequena Mirela, de três anos.
Todos os dias, Renata viaja em uma van fornecida pela Prefeitura de Boituva para visitar os bebês no hospital, em Sorocaba. São um pouco mais de 35 quilômetros de distância entre as cidades que dura, pelo menos, 30 minutos de viagem. Segundo ela, uma boa relação com a equipe hospitalar é essencial durante o período em que os bebês precisam ficar na UTI. O apoio e comunicação auxiliam em dias em que ela não consegue ir ao hospital ou tem algum imprevisto. "Os três já não estão mais respirando por tubo. Eles estão recebendo amamentação por sonda. No total, são 12 mulheres diferentes que acabam cuidando dos meus filhos no hospital. Tem que ter confiança porque eu entrego eles para elas todo dia. A gente acaba criando um vínculo." O pai dos pequenos, Danilo Antoine Khatchadourian, explica que viaja de carro pelo menos duas vezes na semana para levar Renata ao hospital. Ele é empresário e cuida da filha Mirela no tempo em que a esposa está com os bebês. Durante entrevista ao telefone, Danilo tentou encontrar palavras para descrever o momento que está vivendo e como é o sentimento do amor multiplicado por três após a chegada dos meninos. Para ele, a permanência dos bebês na UTI, nas primeiras semanas de vida, é como uma "montanha russa". "A UTI é uma montanha russa de emoções que a gente passa. Com o coração apertado, a gente está há 30 dias com essa angústia, mas a gente crê que é para o bem deles. A vida de papai e mamãe de prematuro é até inexplicável de dizer. Eles são guerreiros, passam uma lição de vida para a gente." Descoberta da gravidez Renata conta que também teve uma irmã gêmea, mas ela morreu antes de nascer. Na família dela outros parentes também passaram pela mesma situação.
Antes, ela tinha dificuldades para engravidar e chegou a tomar remédios. Foram dois anos de tentativa até conseguir ficar grávida da filha mais velha, a Mirela.
O tempo passou e Renata descobriu que estava grávida do segundo filho na quinta semana de gestação. Mas após quatro dias do recebimento da notícia, ela sofreu um abordo espontâneo.
"Depois disso, fiquei cinco meses tranquila, só me precavendo. Aí eu comecei a passar mal e me sentir enjoada com alguns cheiros, foi muito natural. Quando a gente foi fazer o ultrassom, o meu marido foi comigo e eu entrei sozinha porque ele ficou com a Mirela. O médico fez várias perguntas e não me mostrava a tela. Eu fiquei com medo." A surpresa veio em seguida. Renata e Danilo se lembram que ficaram assustados com o resultado do exame, mas logo foram se acostumando e planejando como seria essa nova fase. "Quase cai da cadeira, desmaiamos lá. Na hora foi um choque, ficamos sem saber o que fazer. Depois a gente ficou muito feliz, nos sentimos papai e mamãe de trigêmeos", lembra Danilo. Na 25ª semana de gestação, a médica que acompanhava a gestação dos bebês alertou que uma das crianças não estava ganhando peso por causa de uma restrição de crescimento intrauterino. Foi então que o casal soube que parto teria que ser realizado rápido porque os pequenos corriam risco de vida.
"Dois bebes estavam saudáveis, mas um dos bebês, o Miguel, não estava ganhando peso. Eu e minha esposa ficamos com o mesmo pensamento, de não fazer nada e deixar a natureza seguir o seu rumo. A gente sabia o que ia acontecer, a gente viu eles rapidamente e foram direto para a UTI." O bebê Gabriel nasceu com 1,3 quilos, o Samuel com 1,5 quilos e o Miguel com 850 gramas. O Miguel chegou a ter complicações no pulmão, mas atualmente ele passa bem e está crescendo cada vez mais, segundo os pais. Nesta semana, os bebês completaram um mês e foi realizada uma "festa simbólica" na UTI em comemoração ao aniversário dos pequenos. Gestação rara O médico obstetra e ginecologista, Jefferson Delfino, explicou ao G1 que uma gravidez de gêmeos é considerada rara e quanto mais bebês têm uma gestação, é mais incomum.
Segundo ele, a estrutura do útero aceita de forma "indesejável" a gestação múltipla e as gestações têm riscos para as mães e para os bebês. Esse acontecimento, normalmente, é hereditário.
"O grande risco da gravidez é de eles nascerem antes do tempo e ter que ficar na UTI. Quanto mais prematuro o bebê é, é mais difícil de sustentar."
Ainda de acordo com o médico, atualmente há muitos recursos tecnológicos que ajudam no desenvolvimento dos bebês na UTI. Os pequenos precisam atingir pelo menos de 1,8 a 2 quilos para poder receber alta.
Fonte: G1






Comentários