Médico e enfermeira vão parar na delegacia após confusão em hospital público no DF

A Polícia Civil investiga uma confusão entre um médico e uma enfermeira da rede pública do Distrito Federal que ocorreu nesta sexta-feira (17), no Hospital Regional do Gama (HRG). Na delegacia, a enfermeira relatou que foi empurrada e xingada de "imbecil". Já o médico disse que apenas retrucou o xingamento e retirou "o dedo apontado para seu rosto e pediu [à enfermeira] que o respeitasse".
Por nota, a Secretaria de Saúde lamentou o episódio e disse que presta "toda solidariedade e apoio à enfermeira". Conforme a pasta, o caso foi encaminhado para a Ouvidoria e para a Corregedoria da Saúde para que sejam investigadas a conduta do médico e da enfermeira, e "adotados todos os procedimentos cabíveis". A confusão começou por volta das 10h, quando o hospital estava lotado. Em depoimento, a enfermeira contou à polícia que encontrou uma paciente com um cateter na axila direita, apresentando sangramento, e questionou se o cirurgião havia avaliado a situação. Neste momento, segundo ela, o médico entrou na sala e fez a mesma pergunta. Em um suposto "tom de brincadeira", uma outra enfermeira teria dito: "Nós estávamos falando mal do senhor". Conforme a enfermeira, o cirurgião disse que a solicitação havia sido feita pelo sistema. No entanto, a enfermeira respondeu que "não havia olhado o sistema por causa da grande quantidade de pacientes no local".
Ainda de acordo com a mulher, o médico perguntou se ela "tinha algo contra ele". Segundo a enfermeira, neste momento, o cirurgião a chamou de "imbecil".
A profissional reconhece que apontou o dedo para o médico e disse que "ele não poderia chamá-la assim, e que, se havia um imbecil, era ele e [ela] estava ali trabalhando". O cirurgião teria dado um tapa na mão da mulher e a empurrado. Já o médico, em depoimento, contou aos policiais que por volta de 9h havia comunicado – tanto verbalmente quanto pelo sistema do hospital – que o curativo de um paciente estava apertado. No entanto, às 11h a situação permanecia a mesma.
O cirurgião disse que, ao avisar que o caso era sério e que o paciente poderia perder o braço, a enfermeira falou "de maneira debochada que tinha 35 pacientes na frente". O médico então, "ordenou que ela fizesse o seu trabalho.
O cirurgião disse que a enfermeira colocou "o dedo em riste no seu rosto". Segundo o médico, ela também disse que não iria fazer o procedimento. O cirurgião contou que "retirou o dedo [da enfermeira] do seu rosto e pediu que ela o respeitasse". "Os fatos narrados pelos envolvidos e testemunhas demonstram um desentendimento ou falha de comunicação entre dois profissionais da área de saúde, entre os quais, embora não haja hierarquia, um diálogo cooperativo em prol dos pacientes, é medida que se impõe e, eventual inobservância de urbanidade entre servidores públicos há que ser apurada em âmbito administrativo através de procedimento próprio", diz o despacho policial.
Fonte: G1






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