Mais de 700 mil mortos: Memorial é inaugurado no Rio em homenagem às vítimas da Covid-19
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Foi lançado nesta terça-feira (7), no Rio, o Memorial da Pandemia, em homenagem às vítimas da Covid-19. O espaço fica instalado dentro do Centro Cultural do Ministério da Saúde, que foi reinaugurado.
— A memória é para dar conforto e visibilidade, e também para construir uma consciência social para que nunca mais se repita o que tivemos na Covid-19 no Brasil — disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
No Brasil, de acordo com dados da pasta, foram registradas cerca de 40 milhões de infecções e 716 mil mortes pela Covid-19.
— O Brasil viveu, durante a pandemia, não apenas uma crise sanitária, mas uma crise de responsabilidade pública. O negacionismo custou vidas. A ciência já demonstrou que grande parte das mortes poderia ter sido evitada se tivéssemos seguido as evidências, incentivado a vacinação e protegido a população. O que vimos foi o oposto: desinformação, descrédito da ciência e até a banalização do sofrimento de quem estava doente. Isso não pode ser normalizado nem esquecido — afirmou Padilha.
No evento, O GLOBO recebeu uma medalha de homenagem do ministro junto a outros veículos que integraram o consórcio de imprensa, iniciativa para trazer transparência aos dados da pandemia.
— Quero agradecer ao consórcio de veículos de imprensa, que teve um papel fundamental. Nós fizemos questão de homenagear os jornais que participaram — aponta Padilha.
O evento contou com a participação da ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, Rosângela Oliveira Silva, presidenta da Associação de Vítimas da Covid-19, Margareth Dalcomo, pesquisadora da Fiocruz, Thiago Nicodemo, coordenador do projeto memorial digital da Unicamp, Antonio Claudio Nobrega, reitor da Universidade Federal Fluminense, Márcia Rollemberg, representante do Ministério da Cultura, Rodrigo de Souza Prado, secretário municipal de Saúde do Rio, e Roberto de Andrade Medronho, reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Também foi anunciado o Guia de Manejo das Doenças das Condições Pós-Covid, um documento ue detalha sinais e sintomas clínicos que podem aparecer quatro semanas após a infecção, mesmo em casos leves ou assintomáticos, e abrange complicações em diferentes sistemas do organismo, como o cardiovascular, o respiratório, o neurológico e a saúde mental. Nele, também estão presentes protocolos diagnósticos e recomendações.
Memorial
A reinauguração do Centro Cultural do Ministério da Saúde aconteceu após três anos de obras e investimento de R$ 14 milhões da pasta, no Dia Mundial da Saúde.
A obra de entrada, "Cada nome uma vida”, criada pelo arquiteto Gustavo Godoy e sua equipe, foi construída com cinco pilastras de madeira que representam as quantidade de mortes por regiões brasileiras. Ela apresenta telas de LED nas quais se lê os nomes das mais de 715 mil pessoas que morreram durante a pandemia.
Outra obra em homenagem às vítimas, feita em metal, está na parte de trás do prédio, de frente para a Baía de Guanabara. Chamada “Flor do Tempo”, foi criada pelo artista Danilo Andrade Freitas, que ganhou o concurso feito pelo ministério. As pétalas da flor foram construídas com cinco crianças em ciranda. Ela possui uma estrutura de alumínio naval e faz referência ao SUS.
— Pensamos em uma flor, pegamos as principais partes da flor diante do que foi vivido na pandemia. Na base temos os quatro anos da pandemia, cada um com um volume e escala que evidencia as vítimas de cada ano. No meio, temos os blocos que evidenciam os meios de comunicação e a última parte está o metal que é a ciência, e dentro desse metal temos o cone representando o SUS. Temos uma bússola indicando que aconteceu nos quatro cantos do país e ela vira um eixo — explica Danilo.
Darlan Rosa, criador do Zé Gotinha, fez uma obra em formato circular para homenagear a figura do personagem, próximo ao pequeno parque dedicado para crianças. O parquinho conta com gangorra, escorrega, bancos e local para foto.
A primeira exposição acontecerá a partir do dia 12 de junho, na parte interna do edifício.
Além disso, foi lançado o Memorial Digital da Pandemia, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Mais de 700 mil mortos no Brasil
Em 30 de janeiro de 2020, quando um novo coronavírus descoberto em Wuhan, na China, havia chegado a outros 18 países, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou que a nova doença, chamada Covid-19, representava uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), status mais alto de alerta da organização. Em março, a infecção foi considerada uma pandemia pela primeira vez.
A ESPII durou pouco mais de três anos, chegando ao fim no início de maio de 2023. Nesses anos, o Brasil e o mundo viveram um dos momentos mais desafiadores no combate a uma doença. Em abril de 2021, por exemplo, o país chegou a registrar mais de quatro mil mortes por dia. Nesse pior momento sanitário, a Fiocruz afirmou que o Brasil vivia o maior colapso dos sistemas de saúde já registrado na sua história.
Até o início de março deste ano, segundo a OMS, 779,2 milhões de casos de Covid-19 foram confirmados e 7,1 milhões de mortos. No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, foram cerca de 40 milhões de infecções e 716 mil vítimas perdidas para o vírus. Para se ter uma ideia, o coronavírus levou as doenças infecciosas a serem a principal causa de morte no país em 2021, enquanto a categoria costuma estar na terceira posição, atrás de doenças cardiovasculares e câncer.
Unânime entre os especialistas é a opinião de que o grande fator por trás da melhora na situação sanitária foi a campanha de vacinação histórica, que, até a última atualização da OMS, em agosto de 2024, havia alcançado 5,65 bilhões de pessoas no planeta com ao menos uma dose – cerca de 70% da população mundial.
União inédita da imprensa
Outro entrave no país durante a pandemia foi o desencontro entre a visão de especialistas e a gestão à época. Em junho de 2020, o governo federal chegou a dificultar o acesso aos números da Covid-19, quando, pela primeira vez, veículos de imprensa concorrentes se juntaram em um premiado e histórico trabalho: o consórcio de veículos de imprensa, para compilar estatísticas da doença.
Em conjunto, mais de uma centena de jornalistas do O Globo, Extra, g1, Folha de S. Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo passaram a trabalhar de forma conjunta para, diariamente, coletar os dados de casos e óbitos diretamente com as 27 secretarias estaduais de Saúde. Os dados, consolidados sempre às 20h, eram divulgados diariamente pelos veículos participantes e alimentaram milhares de conteúdos jornalísticos em texto e vídeo pelo país.
Após 965 dias de atuação ininterrupta, mais de dois anos e meio, o consórcio chegou ao fim no final de janeiro de 2023, quando a vacinação havia controlado a pandemia, o próprio Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) havia criado uma plataforma para monitoramento, e o os números do governo federal passaram a ser considerados adequados pelos especialistas.
Por promover a transparência em um período de alto risco para a saúde pública, o consórcio recebeu reconhecimento de entidades, como o Prêmio ANJ (Associação Nacional de Jornais) de liberdade de imprensa e o Mídia do Ano, da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial).
Fonte: O Globo




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