Homem de 63 anos afirma ter ficado cego após usar Ozempic e processa fabricante do medicamento nos EUA

Um americano de 63 anos afirma ter perdido completamente a visão após usar Ozempic, medicamento indicado para o tratamento do diabetes tipo 2. Todd Engel, morador do estado de Maryland, nos Estados Unidos, diz que desenvolveu uma doença que compromete o nervo óptico cerca de quatro meses depois de iniciar o tratamento, em 2023. Ele entrou com uma ação judicial contra a farmacêutica Novo Nordisk, fabricante do remédio, sob a alegação de que a empresa não alertou adequadamente pacientes e médicos sobre o possível risco.
Engel contou à emissora Fox News que percebeu a perda de visão no olho direito na véspera do Ano-Novo de 2024, quando se preparava para ir ao trabalho. Segundo ele, a visão do olho ficou completamente escura. Após passar por exames, recebeu o diagnóstico de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA), uma condição associada à redução do fluxo sanguíneo para o nervo óptico, que pode provocar perda súbita e permanente da visão.
Cerca de dez meses depois, Engel sofreu uma perda semelhante no olho esquerdo. Segundo o relato, os médicos disseram que não havia tratamento medicamentoso ou cirurgia capaz de recuperar sua visão. Ele interrompeu o uso do Ozempic após o segundo episódio.
A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica é conhecida informalmente como um tipo de “derrame ocular”. A condição pode causar danos irreversíveis ao nervo óptico. No caso de Engel, porém, não foi estabelecido que o medicamento tenha provocado a doença.
A perda da visão também encerrou a carreira profissional do americano, que trabalhava havia cerca de 40 anos como operador de máquinas pesadas e motorista de caminhão. Ele disse que deixou de realizar atividades cotidianas sem ajuda e passou a usar uma bengala branca para se locomover fora de casa.
“Eu não fiquei cego. Tiraram minha visão de mim”, afirmou Engel à Fox News, ao descrever o impacto da condição sobre sua vida e sua família.
Ação judicial
Engel está entre centenas de pacientes que movem ações nos Estados Unidos contra fabricantes de medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, como Ozempic e Wegovy, alegando que os produtos provocaram perda de visão associada à NOIA-NA. Os processos sustentam que as empresas não forneceram alertas suficientes sobre o risco.
A Novo Nordisk contesta a existência de uma relação causal comprovada entre o uso de semaglutida, princípio ativo do Ozempic, e a doença ocular. Em declaração à Fox News, a empresa afirmou que o conjunto de evidências disponíveis não permite confirmar essa associação.
A farmacêutica também citou uma análise de ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo, na qual foram identificados poucos casos confirmados de NOIA-NA e não foi observado aumento da incidência entre os pacientes que receberam semaglutida. A empresa afirmou que continua monitorando a condição em seus procedimentos de farmacovigilância e classificou como improcedentes as ações judiciais movidas nos Estados Unidos.
Fonte: O Globo





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