EUA confirmam duas primeiras mortes por sarampo em 2026; doença é evitável com vacina
- Portal Saúde Agora

- há 12 minutos
- 2 min de leitura

Os Estados Unidos confirmaram as duas primeiras mortes por sarampo deste ano. As vítimas eram moradoras não vacinadas do Condado de Lancaster, na Pensilvânia, segundo o Departamento de Saúde do estado.
Os óbitos também marcam um retrocesso simbólico para a Pensilvânia: o estado não registrava uma morte por sarampo havia 35 anos. Por questões de privacidade, o órgão não divulgou idade, sexo ou outras informações que possam identificar os pacientes.
O país vive um surto da doença, com milhares de casos. Segundo o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), foram confirmados 2.777 casos no país até agora neste ano, contra 2.289 registrados em todo o ano de 2025. No ano passado, foram registradas três mortes.
O sarampo é causado por um vírus transmitido pelo ar, que se espalha quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou simplesmente respira perto de outras. Ele pode permanecer ativo em superfícies e no ar por até duas horas depois que o paciente sai do ambiente — o que explica por que a doença é considerada uma das mais contagiosas que existem.
🔴 No entanto, a doença é controlável com a vacina, que existe há pelo menos 50 anos e é usada em diversos países pelo mundo, inclusive no Brasil. A tríplice viral, vacina que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola.
O crescimento dos casos não é um fenômeno recente nem isolado. A cobertura vacinal infantil nos Estados Unidos caiu de mais de 95%, em 2020, para menos de 93% atualmente — uma diferença que parece pequena, mas é decisiva, já que 95% é o patamar mínimo considerado necessário para garantir proteção coletiva contra o sarampo. A queda se acumula desde 2016 e ganhou força durante a pandemia de Covid-19, segundo especialistas em imunização.
A tendência é impulsionada agora pelos discursos do presidente Donald Trump e Robert F. Kennedy Jr., nomeado para a pasta da Saúde.
O movimento mais recente veio em 10 de agosto quando, mesmo em meio ao surto pela doença, Trump assinou uma ordem executiva que reformula o calendário de vacinação infantil e defendendo a interrupção da tríplice viral pela troca da vacinação pelas doenças que ela protege de forma isolada. Segundo o presidente, haveria um risco de morte -- mas ele não apresentou dados, óbitos e nem pesquisas que provassem o que estava dizendo.
O discurso também retomou a hipótese, sem comprovação científica, de que vacinas estariam ligadas ao autismo — teoria originada em um estudo de 1998 do médico britânico Andrew Wakefield, posteriormente identificado como fraudulento, o que levou à perda da licença médica do autor e à retratação da pesquisa pela revista que a publicou.
Estudos com milhões de crianças em diferentes países não encontraram relação causal entre vacinas e o transtorno, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Fonte: G1




Comentários