Dor de barriga: mapa mostra que localização do desconforto pode dar pistas sobre origem


Dor de barriga é um termo popularmente usado para descrever uma série de desconfortos abdominais que vão desde a má digestão até problemas mais graves, como apendicite. Na grande maioria dos casos, o desconforto é passageiro e pode desaparecer sem a necessidade de tratamento.

Nesta reportagem, especialistas ouvidos pelo G1 explicam como identificar a origem da dor de acordo com a sua localização e quando devemos procurar atendimento médico. Mapa da dor de barriga: onde dói? Segundo o gastroenterologista Alexandre Sakano, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, o primeiro passo para diagnosticar a causa de uma dor abdominal é identificar o local exato da dor.

"Para isso, nós vamos dividir a barriga em nove quadrados, tal qual um tabuleiro de jogo da velha", explica Sakano (veja na ilustração abaixo).

  • Parte superior: hipocôndrios esquerdo e direito. Entre eles, está o epigástrio.

  • Região central: está o mesogástrio, o meio da barriga, e os flancos de cada um dos lados.

  • Parte inferior: está o hipogástrio, que fica bem acima do púbis, cercado pelas fossas ilíacas direita e esquerda.


  • Hipocôndrio direito e esquerdo

O hipocôndrio é a região abaixo das costelas. Quando um indivíduo relata dor embaixo da costela do lado direito, as causas mais comuns são pedra na vesícula, problemas no fígado ou algum problema no intestino. “Se você não estava sentindo nada e, de repente, sente uma dor forte embaixo da costela do lado direito, normalmente é pedra na vesícula", diz o especialista. Do outro lado, temos o hipocôndrio esquerdo. O principal órgão que se encontra sob esta região é o baço.

"O hipocôndrio esquerdo é uma região que não possui muitos órgãos que causam dor. Tem o baço, a pontinha do pâncreas e um pouquinho do intestino. Sentir dor repentina no hipocôndrio esquerdo é raro de acontecer. Se acontecer, é preciso investigar", afirma Sakano.

  • Epigástrio

O epigástrio é a parte superior central da parede abdominal. Ele está localizado entre os hipocôndrios direito e esquerdo. O principal órgão que se encontra sob esta região é o estômago. "A região do epigástrio é popularmente conhecida como boca do estômago e dores nesse local são associadas aos problemas estomacais, como gastrites, úlceras, refluxo", explica Sakano.

Segundo ele, no caso específico do refluxo, a dor se origina na boca do estômago, mas sobe para o tórax. "Geralmente, o refluxo não causa dor repentina e intensa, pelo contrário. Quem sofre de refluxo convive com o problema há meses, até anos, e sente desconfortos que se assemelham a sensação de ‘queimação’ no peito", diz o especialista. Por outro lado, a gastrite ou as úlceras podem provocar dores agudas, que aparecem de repente, e podem ter diversas causas, como problemas de alimentação, ingestão excessiva de bebidas alcoólicas ou mesmo o uso de algum medicamento que irritou a região.

  • Flancos direito e esquerdo

Os flancos estão localizados na região umbilical, próximo à cintura. Tanto do lado direito quanto do lado esquerdo, o principal órgão que se encontra sob essas regiões é o rim. "Caso a pessoa sinta uma dor que irradie dos flancos (lateral do corpo) para as costas, o mais provável é que seja pedra nos rins", diz Sakano.

Além disso, dor na parte frontal do flanco esquerdo pode ser diverticulite, uma inflamação na parede interna do intestino. Já a dor no flanco direito pode ser apendicite, uma inflamação no apêndice.

  • Mesogástrio

O mesogástrio está localizado na região central do abdômen, onde está o umbigo. O principal órgão que se encontra sob esta região é o intestino delgado.

"O mais comum nos casos de dor nessa região é uma hérnia umbilical. Alguns sinais podem apontar para esse diagnóstico, como identificar que o umbigo que ficou um pouquinho saltado para fora, o que caracteriza uma hérnia", explica o gastroenterologista.

  • Fossas ilíacas direita e esquerda

As fossas ilíacas se localizam do lado direito e esquerdo do corpo próximas ao quadril. Os principais órgãos que se encontram sob esta região são o ceco e o apêndice. No caso específico das mulheres, também estão os ovários.

Segundo Sakano, a dor pode irradiar e, por isso, uma mesma causa pode proporcionar dores em regiões próximas. É o que acontece com os flancos e as fossas ilíacas. De forma geral, dor na fossa direita está relacionada a apendicite e dor na fossa ilíaca esquerda, diverticulite.

Além das causas já citadas, dores na região ilíaca também podem estar associadas a problemas ginecológicos nas mulheres, devido a localização dos ovários. Nesse caso, a dor pode estar relacionada a um cisto de ovário, cisto hemorrágico ou gravidez tubária.

"O ideal para fechar o diagnóstico é ter acesso a exames de imagem, como ultrassom, tomografia ou ressonância magnética para ajudar a identificar a origem exata da dor", afirma o especialista.

  • Hipogástrio

O hipogástrio está localizado abaixo da região umbilical e acima da região pélvica, na região do púbis. Nesta região está localizada a bexiga urinária. Nas mulheres, o útero. "Dor na região do hipogástrio está, geralmente, associada a problemas na bexiga, infecção de urina e problemas ginecológicos no útero e ovário", diz Sakano. Quando procurar atendimento médico? De acordo com Sakano, é preciso identificar a frequência e a intensidade da dor sentida antes de determinar se é necessário ou não procurar atendimento médico.

Dor aguda é o nome dado a dor que aparece de forma repentina, enquanto que dor crônica é o incômodo que se mantém por dias, meses ou anos.

"Dor nunca é uma coisa normal. Contudo, é preciso compreender que sentir desconforto abdominal após comer demais ou comer uma comida mais pesada, como churrasco, é comum. Nesses casos, a dor dura pouco tempo e depois melhora", explica o especialista.

Por outro lado, dor aguda e intensa deve ser tratada com atenção.

"Numa dor aguda, que começa de repente, quando muito intensa é importante procurar um hospital. Do mesmo modo, uma dorzinha que, embora leve, não melhora nunca e persiste por semanas ou meses, é importante investigar para descartar a possibilidade de problemas mais graves", alerta Sakano.


Fonte: G1

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