Do nicho ao fenômeno urbano: conheça a escalada esportiva, atividade que está conquistando os jovens nas redes sociais
- Portal Saúde Agora

- 14 de set. de 2025
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Em teoria, envolve escalar e percorrer rotas de dificuldade variada. Na prática, é muito mais do que isso. Força, presença, comunidade e crescimento pessoal. Esses são os pilares da escalada, que, nos últimos anos, evoluiu de uma disciplina de nicho reservada a entusiastas da montanha para um fenômeno urbano — tanto globalmente quanto na Argentina — que cresce sem limites, especialmente entre os jovens.
Segundo o último levantamento, o país já contava com mais de 120 paredes de escalada ativas em 2021 e, embora não haja dados atualizados, o Centro Andino de Buenos Aires (CABA), que somou mais de 15.000 membros ao longo dos anos, afirma que muitas outras foram abertas nos últimos anos, em conjunto com iniciativas escolares que promovem a atividade.
Surgindo como um ramo do montanhismo, começou a se difundir primeiro com a abertura de escolas na França, Itália e Espanha e, posteriormente, com a instalação de muros artificiais nas cidades, como ambientes mais codificados e estáveis para desenvolver a atividade antes de adentrar ambientes naturais.
Foi em 2018 que ela deu seus primeiros passos no cenário olímpico, nos Jogos da Juventude, em Buenos Aires, e em 2020 estreou nos Jogos de Tóquio.
Modalidades
Cada modalidade exige habilidades e estratégias diferentes, permitindo que pessoas com perfis e objetivos diversos encontrem seu nicho. Entre os principais tipos de escalada, destacam-se estes cinco:
Clássico ou tradicional: O escalador carrega e coloca seu próprio equipamento de proteção durante a subida, retirando-o ao passar. Muito utilizado em rotas longas e de montanha.
Bouldering: percursos curtos e técnicos com paredes de 4,5 metros de altura, sem cordas, com tapetes de segurança, em tempo limitado e com o menor número de tentativas possível.
Escalada esportiva: envolve vias de ascensão equipadas com ancoragens fixas (bolts), onde o escalador é preso por meio de ganchos e cordas. É uma modalidade popular em competições e academias de escalada.
Dificuldade: O desafio consiste em escalar uma parede com mais de 15 metros de altura, o mais alto possível, em seis minutos, sem conhecer o percurso com antecedência. À medida que a prova avança, os percursos a serem escalados tornam-se cada vez mais complexos, desafiando as capacidades físicas e mentais dos atletas.
Velocidade: Uma competição cronometrada em uma parede padronizada de 15 metros. O escalador mais rápido vence.
Benefícios físicos e cognitivos
A escalada é uma disciplina abrangente — e desafiadora — que combina demandas físicas, neuromusculares e cognitivas simultaneamente. O preparador físico Sol Candotti explica os benefícios da prática.
No nível físico, ele explica que a força de tração é desenvolvida, especialmente nos flexores dos dedos, músculos das costas e core. "É uma força que deve ser sustentada e precisa, visto que os movimentos são realizados com pegadas pequenas e com o corpo parcialmente suspenso do suporte", ressalta.
A resistência muscular também desempenha um papel crucial. "Os músculos mantêm contrações isométricas por longos períodos, o que gera uma alta demanda metabólica", diz Candotti.
Por outro lado, a preparadora física aborda a mobilidade articular ativa e passiva dos ombros, quadris, tornozelos e punhos para executar posições com flexões e rotações em ângulos amplos. "Além de permitir alcançar apoios distantes, essa habilidade reduz o risco de lesões articulares", ressalta, enfatizando a coordenação visual, motora e o equilíbrio dinâmico, essenciais quando o apoio é mínimo e instável.
Além das exigências físicas, a escalada também tem um alto componente cognitivo e emocional. "Ao contrário de outros esportes, onde você pode agir de forma parcialmente automática, a escalada exige atenção plena e constante. Cada decisão tem consequências imediatas, e a perda de foco pode resultar em uma queda", enfatiza.
Esse estado de concentração sustentada está associado ao conceito de fluxo e foi estudado por pesquisadores da Universidade de Oxford, que concluíram que escalar facilita a neuroplasticidade adaptativa e a autorregulação emocional.
Especificamente, a escalada pratica a regulação emocional diante do medo, uma vez que a vertigem — o risco percebido de queda ou a incerteza de uma pegada insegura — ativa o sistema límbico, particularmente a amígdala. "A capacidade de lidar com isso por meio de técnicas de respiração, visualização positiva ou diálogo interno é essencial para manter o controle psicofísico", diz Candotti. "Essa exposição controlada e progressiva constitui um treinamento de resiliência raramente encontrado em outras formas de exercício."
Fonte: O Globo






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