Covid: Suspeitas de facilitar fura-fila na vacina, secretária de Saúde e mais 5 têm bens bloqueados


Uma investigação que apura casos suspeitas de fura-fila na vacinação contra a Covid-19 resultou no bloqueio de bens da secretária Municipal de Saúde de Urussanga, no Sul catarinense, e de mais cinco profissionais: duas coordenadoras, duas enfermeiras e uma técnica de enfermagem.


De acordo com apuração do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), elas agiram diretamente para possibilitar a aplicação de doses em pessoas que não estavam na lista de grupos elencados pelo Ministério da Saúde para receber o imunizante na época.

O bloqueio de bens ocorreu na sexta-feira (15), mas foi divulgado nesta terça (19), após a confirmação de que a medida foi aplicada. O g1 tentou contato com a secretária de Saúde de Urussanga, Ingrid Zanellato, sem sucesso, e aguarda manifestação dela sobre o caso. O g1 também aguarda posicionamento da prefeitura sobre a investigação.

No município, trabalhadores de setores administrativos, por exemplo, receberam a dose antes do prazo determinado pelo Ministério da Saúde. Um áudio vazado em maio comprovou que as suspeitas sabiam das irregularidades, mas não denunciaram os casos (veja mais abaixo).

A medida judicial de bloqueio foi tomada como garantia de pagamento das multas civis caso as suspeitas sejam condenadas por improbidade administrativa. Além da secretária de Saúde, também tiveram os bens bloqueados a coordenadora da Vigilância Epidemiológica Municipal e a coordenadora de Atenção Básica à Saúde, além das duas enfermeiras e da técnica de enfermagem. Investigação De acordo com a investigação do MPSC, no início da vacinação contra a Covid, foram passados na frente trabalhadores do setor administrativo, além de trabalhadores da saúde, mas que não lidavam com pacientes da Covid-19 e não atuavam na linha de frente.

Conforme determinação do Ministério da Saúde, apenas profissionais da saúde que tratavam pessoas com a doença, atuavam no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência ou estavam na equipe de vacinação contra o coronavírus poderiam receber a dose.

O áudio vazado de uma reunião ocorrida em 18 de março deste ano levantou as suspeitas de que havia casos de fura-fila no município. O encontro ocorreu entre a secretária, as coordenadoras da Vigilância Epidemiológica e de Atenção Básica com enfermeiros e técnicos de enfermagem da rede municipal. O vazamento ocorreu em maio.

A conversa entre os suspeitos deixa claro que sabiam das situações de fura-fila. Porém, os casos não foram denunciados por eles.

Entre as pessoas que receberam doses de forma irregular, facilitadas pelas suspeitas, estão também pessoas mais jovens do que a faixa etária do momento, caminhoneiros sem comprovação de atividade de motorista profissional do transporte rodoviário de cargas e outras pessoas que não estavam nos grupos prioritários vigentes.

Na decisão judicial liminar, a 2ª Vara de Urussanga determinou indisponibilidade de bens equivalentes a 20 vezes a remuneração bruta das três das suspeitas. Os valores foram de R$ 154,2 mil para a secretária, R$ 88,1 mil para a coordenadora da Vigilância Epidemiológica e R$ 139,4 mil para a coordenadora da Atenção Básica.

Para as enfermeiras e a técnica de enfermagem, o valor do bloqueio foi de 10 vezes a remuneração bruta. O valor foi de R$ 37,4 mil para uma das enfermeiras, R$ 50,2 mil para outra e R$ 49,7 mil para a técnica de enfermagem.


Fonte: G1

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