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Conselho Federal de Odontologia proíbe uso de PMMA para fins estéticos

O Conselho Federal de Odontologia (CFO) proibiu cirurgiões-dentistas de utilizarem o polimetilmetacrilato (PMMA) como substância preenchedora injetável para fins exclusivamente estéticos.


A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta sexta-feira (24) e entra em vigor na data da publicação.


Uso do produto também já havia sido proibido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) no fim de maio deste ano.


De acordo com a nova resolução, o uso do PMMA permanece permitido apenas nas hipóteses de tratamento reparador expressamente autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde que o cirurgião-dentista comprove habilitação técnica específica para realizar o procedimento.


🔎 O polimetilmetacrilato (PMMA) é uma substância sintética composta por microesferas suspensas em gel e utilizada como preenchedor permanente. Na medicina, seu uso é autorizado em situações específicas, como a correção de deformidades e a reconstrução de tecidos. Nos últimos anos, porém, o produto também passou a ser aplicado em procedimentos estéticos para aumentar o volume de regiões do corpo, como glúteos e rosto, prática que é alvo de críticas de entidades médicas devido ao risco de complicações graves.


➡️A Anvisa só recomenda o uso do produto por médicos e dentistas em duas situações:


  • No preenchimento do rosto e do corpo

  • Na correção de deformidades no rosto no pós-tratamento de pessoas que foram infectadas com o vírus HIV


Segundo o CFO, são considerados exclusivamente estéticos os procedimentos que não tenham indicação funcional, reparadora ou reconstrutora tecnicamente comprovada e amparada em registro sanitário vigente.


A resolução afirma que o PMMA é classificado pela Anvisa como produto para saúde de Classe de Risco IV, a categoria de risco máximo, e que sua utilização é autorizada apenas para tratamentos reparadores, como a correção volumétrica decorrente de sequelas de doenças e de lipodistrofia associada ao uso de antirretrovirais em pacientes com HIV/Aids.


Ao justificar a medida, o Conselho cita riscos documentados relacionados ao uso da substância, entre eles:


  • reações inflamatórias tardias

  • formação de granulomas

  • infecções persistentes

  • necroses, embolias

  • hipercalcemia

  • insuficiência renal

  • cegueira e sequelas estéticas e funcionais irreversíveis.


A resolução também afirma que o uso indiscriminado do PMMA para fins estéticos configura um grave problema de saúde pública.


O texto determina que o cirurgião-dentista que utilizar o PMMA em desacordo com a norma estará sujeito a processo por infração ético-disciplinar, sem prejuízo das responsabilidades civil, penal e administrativa cabíveis.


Nos casos em que o uso reparador do PMMA for autorizado, o paciente deverá receber informações claras e documentadas sobre os riscos, benefícios, alternativas terapêuticas e o caráter não reabsorvível do produto. O cirurgião-dentista também deverá fornecer a etiqueta de rastreabilidade do material e formalizar um termo de consentimento livre e esclarecido.


Produto é proibido pelo CFM



Segundo a nota do CFM, a única exceção é para o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids e desde que realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


Nesta época, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) também se manifestou a favor da proibição.


Em nota, a entidade lamentou mais uma morte associada ao uso do polimetilmetacrilato (PMMA) em procedimentos estéticos e reafirmou seu posicionamento contrário ao uso da substância para fins estéticos e cosmiátricos.



De acordo com o depoimento da filha da vítima à Polícia Civil, Roseli começou a passar mal na manhã de terça, um dia após a aplicação da substância. Segundo o relato, ela reclamava de dores, mal-estar, coração acelerado e dificuldade para respirar.


A morte não é um fato isolado. Ao longo dos últimos meses, o g1 tem noticiado diversos casos de mal uso da substância, com consequências graves aos pacientes.


Fonte: G1

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