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Comissão Europeia diz que não há evidências de ligação entre uso de paracetamol na gravidez e autismo

A Comissão Europeia afirmou nesta terça-feira (23) que não existem evidências científicas que relacionem o uso de paracetamol durante a gravidez ao risco de autismo.


Segundo porta-voz do bloco, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) não identificou dados que sustentem a hipótese levantada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao associar o Tylenol (nome comercial do paracetamol nos EUA) à condição.


“Até o momento, não há evidência que justifique mudanças nas recomendações atuais da União Europeia para o uso do paracetamol”, disse o porta-voz.

O que disse Trump


O presidente americano afirmou nesta semana que o uso de paracetamol por gestantes poderia estar por trás do aumento nos diagnósticos de autismo no país. A declaração gerou reação imediata da comunidade médica e da farmacêutica Kenvue, que produz o Tylenol. A empresa destacou que “não há base científica” para a associação feita por Trump.


O Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia também reiterou que estudos realizados até hoje não mostram relação direta entre o uso prudente do medicamento em qualquer trimestre da gestação e problemas no desenvolvimento fetal.


No Reino Unido, as diretrizes do Serviço Nacional de Saúde (NHS) classificam o paracetamol como a “primeira escolha” de analgésico para gestantes, justamente por ser considerado seguro quando usado na dose correta e sob prescrição médica.


Fala não tem evidência científica


O paracetamol é um dos analgésicos mais consumidos do mundo e, ao contrário dos anti-inflamatórios não esteroidais (como o ibuprofeno), pode ser usado durante a gravidez.


Professor de psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), Guilherme Polanczyk explica que estudos menores chegaram a apontar associações discretas entre o uso do remédio e risco de transtornos de desenvolvimento, como o autismo. Mas pesquisas de grande porte, como uma conduzida na Suécia com mais de 2 milhões de crianças e publicada na revista JAMA, não encontraram evidência de causa e efeito.


“O que esses trabalhos mostram é correlação, e não causalidade. Ou seja, o fato de duas coisas acontecerem ao mesmo tempo não significa que uma provoca a outra”, diz Polanczyk.

Autismo: diagnósticos aumentaram, mas critérios mudaram


O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por diferentes graus de dificuldades na comunicação, interação social e comportamento.


O número de diagnósticos cresceu nas últimas décadas, mas pesquisas destacam que isso ocorreu principalmente pela ampliação dos critérios clínicos e pela maior busca por avaliação, impulsionada pela oferta de serviços educacionais e de saúde.


Segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, em 2020 cerca de 1 em cada 36 crianças foi diagnosticada com TEA — em 2000, a taxa era de 1 em cada 150.

Isso não significa necessariamente um aumento da prevalência do autismo na população, mas sim maior capacidade de identificar casos, inclusive mais leves.


Fonte: G1

 
 
 

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