Cientistas identificam genes associados ao risco de desenvolver Covid-19


Cientistas descobriram que pessoas com alguns genes específicos, entre eles o gene ABO – atrelado ao tipo sanguíneo – podem ter maiores chances de desenvolver a Covid-19. A descoberta foi apresentada nesta semana, na conferência científica ATS 2021 International Conference, em San Diego, no estado norte-americano da Califórnia.


"Em particular, descobrimos que o gene ABO é um fator de risco significativo para a Covid-19. Digno de nota foi a relação entre o grupo sanguíneo ABO e o risco de Covid-19. Mostramos que a relação não é apenas uma associação, mas é causal”, aponta Ana Hernandez Cordero, líder da pesquisa, em comunicado.


Para identificar variantes genéticas associadas à doença, os pesquisadores consideraram dados tanto de pacientes infectados pelo vírus, quanto de pessoas saudáveis. Eles usaram também informações sobre a expressão dos genes do pulmão e sangue em populações sem Covid-19 e levantamentos obtidos de doadores de sangue que também não haviam contraído o coronavírus.


Além do gene ABO, os cientistas notaram que pessoas com variantes genéticas para ERMP1, que está associada à asma, e CA11, relacionada ao diabetes, têm um risco significativamente maior de desenvolver a doença causada pelo novo coronavírus.


Vários outros genes, como LC6A20 e FCER1G, também apresentaram risco aumentado quando se trata de Covid-19. “Esses indivíduos [com esses genes] devem ter extrema cautela durante a pandemia”, alerta Cordero. "Esses genes também podem ser bons marcadores para doenças, bem como potenciais alvos de drogas".


A especialista também cita os genes IL10RB, IFNAR2 e OAS1, que estão atrelados a um quadro grave da doença. “Seu papel na resposta imune a infecções virais e evidências crescentes sugerem que esses [genes] candidatos e seu papel na Covid-19 devem ser investigados posteriormente”, conta a pesquisadora.


A dificuldade de identificar as alterações genéticas responsáveis pela Covid-19 vêm do fato da molécula de DNA ser grande e complexa, o que impede que tais associações bastem isoladamente como método.


O diferencial da pesquisa foi que utilizou-se expressão gênica e o estudo de marcadores do sangue. A descoberta pode ajudar no futuro a priorizar os genes candidatos para testes in vitro (em laboratório) ou com organismos vivos, ajudando a entender fatores de risco atrelados ao coronavírus.


Fonte: Revista Galileu

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