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'Checagem de capacidade': casais precisam perguntar quanta energia cada um tem diariamente, diz psicólogo

há 3 minutos
3 min de leitura

As conversas de um casal durante os primeiros minutos da manhã costumam ser dominadas por questões práticas: quem vai cuidar da limpeza, que horas será o almoço ou quem leva as crianças para a escola. No entanto, um psicólogo especializado em relacionamentos afirma que há outra pergunta simples que pode ajudar a entender melhor como cada pessoa começa o dia e evitar discussões desnecessárias.


A proposta consiste em fazer o que o psicólogo americano Mark Travers, doutor em Filosofia, chama de “capacity check”, ou “checagem de capacidade”.


A ideia, segundo explica o especialista à CNBC, é saber quanta energia ou disponibilidade a outra pessoa tem para enfrentar o dia e, a partir dessas informações, ajustar pequenas expectativas ou responsabilidades.


Em que consiste a “checagem de capacidade”?


A pergunta pode ser feita de diferentes maneiras. Alguns casais usam uma escala numérica e perguntam, por exemplo: "Estou em 60 hoje. Você está em quanto?" Outros preferem expressões como "Hoje vai ser um dia leve ou pesado?" ou "Como está seu tanque?" Há ainda casais que descrevem seu estado usando cores, estações do ano ou o clima.


Segundo Travers, a formulação exata não é o mais importante. O fundamental é transmitir uma pergunta de fundo: "Quanto você tem disponível hoje e o que eu devo esperar de você?"


Dessa maneira, cada integrante pode comunicar rapidamente seu nível de energia sem precisar explicar em detalhes tudo o que está vivenciando.


Por que pode ser mais útil do que perguntar “como você está?”


A pergunta “como você está?” parece simples, mas pode ser difícil de responder quando o dia está apenas começando.


Uma pessoa pode estar cansada, estressada ou simplesmente com pouca energia, mas resumir todo esse estado emocional logo de manhã pode exigir mais tempo e concentração do que ela tem disponível.


Por outro lado, atribuir um número, uma cor ou uma categoria permite dar uma resposta rápida. Se alguém diz que está em 40 de 100, por exemplo, o parceiro ou a parceira obtém uma referência imediata sobre seu nível de disponibilidade, sem precisar iniciar uma conversa emocional profunda às 7h40 da manhã.


Hábito também pode evitar mal-entendidos


Saber de antemão que o parceiro ou a parceira começa o dia com pouca energia pode mudar a maneira como determinados comportamentos são interpretados. Se alguém responde de forma breve ou parece menos comunicativo durante a tarde, a outra pessoa terá mais contexto para entender que talvez se trate de cansaço ou estresse e não necessariamente de rejeição, indiferença ou raiva.


Travers explica que, quando não se sabe o que está acontecendo internamente com o parceiro ou a parceira, é fácil atribuir determinados comportamentos à personalidade, ao caráter ou aos sentimentos que essa pessoa tem por nós.


Assim, uma noite mal dormida pode acabar sendo interpretada como distanciamento emocional e se transformar em uma discussão que poderia ter sido evitada.


Três pontos para que realmente funcione


O psicólogo identifica três elementos que podem fazer desse hábito um verdadeiro exercício de conexão, e não uma pergunta de rotina. Primeiro, recomenda dar o exemplo: quem faz a pergunta deve compartilhar antes seu próprio número, cor ou categoria. Isso facilita que a outra pessoa responda com sinceridade.


Segundo, uma resposta baixa não deve se transformar automaticamente em um problema que precisa ser resolvido. Se alguém diz que está em 30, a recomendação é aceitar a resposta sem discuti-la nem exigir uma explicação imediata. Transformar toda resposta negativa em algo que precisa ser resolvido pode fazer com que a pessoa deixe de expressar honestamente como se sente.


Por fim, a informação obtida deve servir para fazer algum ajuste, ainda que pequeno. Isso pode significar assumir uma tarefa doméstica, adiar uma conversa importante ou reduzir uma expectativa que se tinha para aquele dia.


Para Travers, essa última parte é fundamental: perguntar sem levar a resposta em consideração depois perde boa parte do propósito da checagem.


Mais do que se transformar em uma nova obrigação dentro do relacionamento, a “checagem de capacidade” funciona como uma maneira breve de reconhecer que duas pessoas podem acordar na mesma casa e, ainda assim, começar o dia com níveis de energia completamente diferentes.


Incorporar essa pequena troca antes de enfrentar as responsabilidades cotidianas pode ajudar cada integrante a ter mais informações sobre o estado do outro e evitar interpretações equivocadas.


Fonte: O Globo

 
 
 

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