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Anvisa apreende remédio para câncer falsificado, lote fake de Mounjaro e proíbe ‘chip hormonal’ no país

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta sexta-feira (20) um pacote de medidas que atinge medicamentos de alto custo e grande procura no Brasil —de tratamentos oncológicos a remédios para diabetes e obesidade— além de proibir, em todo o país, a manipulação de implantes hormonais com nesterona em farmácias magistrais.


Entre os casos mais graves, estão a identificação de lotes falsificados de Mounjaro, Enhertu e Botox, além da apreensão de anabolizantes sem registro.


As decisões constam nas Resoluções-RE nº 641 e nº 642, assinadas pela Gerência-Geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária da agência.


Lote falsificado de Mounjaro


No caso do Mounjaro (tirzepatida), medicamento indicado para diabetes tipo 2 e amplamente usado também para perda de peso, a fabricante Eli Lilly do Brasil comunicou à Anvisa a presença, no mercado, de unidades do lote D838838 com características divergentes do produto original.


Segundo a agência, as embalagens apresentavam:


  • impressão borrada do nome e de outros dados de rotulagem;

  • espaçamento maior que o padrão entre mês e ano na data de validade.


A Anvisa determinou apreensão e proibição de armazenamento, comercialização, distribuição, fabricação, importação e uso do lote. A medida vale para qualquer pessoa física ou jurídica que esteja com o produto.


No texto oficial, a agência afirma que se trata, “portanto, de falsificação”.


Medicamento oncológico com frascos adulterados


Outro alerta envolve o Enhertu (trastuzumabe deruxtecana), usado no tratamento de câncer de mama e outros tumores HER2 positivos. A fabricante Daiichi Sankyo Brasil Farmacêutica informou ter identificado unidades do lote 416466 com diferenças físicas relevantes:


  • frascos maiores que o padrão habitual;

  • descascamento na tampa;

  • tampa metálica pintada de amarelo, em vez da tampa plástica amarela original.


A Anvisa determinou a apreensão e proibiu a comercialização e distribuição do lote.

Também houve alerta de falsificação de lote específico de Botox, após comunicado da fabricante AbbVie Farmacêutica, com divergência nas datas de fabricação e validade.


A agência já havia publicado medidas semelhantes envolvendo o imunoterápico Opdivo (nivolumabe), segundo resumo técnico da própria fiscalização.


Proibição nacional de implantes com nesterona


Além das falsificações, a Resolução-RE nº 642 proibiu, em todo o território nacional, a manipulação, comercialização, propaganda e uso de implantes contendo o hormônio nesterona por farmácias de manipulação.


A medida vale para todas as marcas e estabelecimentos.

De acordo com a Anvisa, ficou comprovada “a manipulação irregular de implantes contendo o fármaco Nesterone”, já que a substância não possui avaliação e aprovação de eficácia e segurança pela agência para essa via de administração.


A decisão inclui recolhimento dos estoques existentes.


Os chamados “chips hormonais” vinham sendo divulgados em clínicas e redes sociais como alternativa terapêutica, mas a agência afirma que não há respaldo regulatório para esse uso.

A agência ainda determinou a apreensão de uma lista extensa de anabolizantes e hormônios —como boldenona, oxandrolona, testosterona e anastrozol— anunciados por empresa não identificada e sem registro sanitário.


Falsificação confirmada de medicamentos de alto custo



  • Mounjaro (tirzepatida) –lote D838838, com falhas de impressão na rotulagem e espaçamento irregular na data de validade, após comunicado da fabricante Eli Lilly do Brasil.

  • Enhertu (trastuzumabe deruxtecana) –lote 416466, com frascos fora do padrão, tampa metálica pintada de amarelo e descascamento, segundo a Daiichi Sankyo Brasil Farmacêutica.

  • Botox –lote C7936C3, com divergência nas datas de fabricação e validade informadas pela AbbVie Farmacêutica.

  • Opdivo (nivolumabe) –lotes ACW7159 e ACS8612, após denúncia de unidades adulteradas.



Proibição nacional



  • Implantes hormonais com nesterona –proibida a manipulação, comercialização, propaganda e uso em todas as farmácias magistrais do país, com determinação de recolhimento de estoques.



Anabolizantes e hormônios ilegais


Apreensão e proibição de comercialização de:


  • Boldenone 300 (undecilato de boldenona).

  • Anavar 10 (oxandrolona).

  • Anadrol 50 (oximetolona).

  • Sustanon 300 (mistura de testosteronas).

  • Testosterona propionato, cipionato e enantato.

  • Masteron P 100 (drostanolona).

  • Arimidex 1 (anastrozol).

  • Cytomel 0.25 (liotironina sódica).


Todos anunciados por empresa não identificada e sem autorização sanitária.


A Anvisa orienta que pacientes, clínicas e hospitais verifiquem número de lote, integridade da embalagem e procedência dos medicamentos antes do uso. Unidades suspeitas devem ser isoladas e comunicadas às autoridades sanitárias locais.


O conjunto de decisões reforça a preocupação da agência com a circulação de medicamentos falsificados de alto valor e com o crescimento de produtos hormonais e “naturais” comercializados fora das regras sanitárias brasileiras.


Fonte: G1

 
 
 

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