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Você ainda usa máscara? Saiba que não está só: parte da população incorporou o item no pós-pandemia



Mais de um ano após o uso obrigatório de máscaras cair no país por determinação de governos estaduais e municipais, as proteções faciais continuam a integrar a rotina de parte dos brasileiros. Seja por motivos de saúde ou profissionais, não é incomum encontrar alguém de máscara em aeroportos, restaurantes, shoppings e consultórios médicos, algo que, antes da pandemia da Covid-19, era visto raramente.


Por dois anos, o uso de máscara facial foi obrigatório no país como uma das medidas para prevenir a contaminação de Covid-19. A liberação em todos os estados ocorreu em abril em 2022.

Entre os que se mantêm fiéis ao acessório, estão idosos, profissionais da saúde e pessoas que contraíram a doença e estão com medo de novas ondas do vírus. A pediatra Virgínia Guedes, por exemplo, é uma das pessoas que decidiu manter o uso da máscara no dia a dia, dentro e fora do hospital.

Para a profissional de Salvador, que lida diretamente com pacientes que podem ter doenças infecciosas, a proteção facial é um modo de assegurar que ela não irá contrair e nem transmitir vírus para sua família.

— Todos os dias tenho contato com meu marido e filha. Faço questão de usar máscara no meu ambiente de trabalho e também em lugares cheios. Descarto antes de chegar em casa e vou direto para o banheiro — relata. A médica diz perceber que outros colegas do consultório fazem o mesmo que ela. Geralmente, médicos, enfermeiros e recepcionistas.

Também em razão do contato direto com pacientes que a assistente social Helena de Souza preferiu continuar utilizando máscara no ambiente de trabalho. Souza testou positivo para Covid duas vezes desde o último ano, e agora afirma que pretende manter o hábito da proteção facial “pelo resto da vida”:

— Durante o período da pandemia, trabalhei diretamente atendendo pacientes com Covid. Como eu vi de perto pessoas morrendo pela doença, eu sei da gravidade. Na unidade de saúde em que atuo, o uso da máscara não é mais obrigatório, mas continuo utilizando. Já entro no trabalho de máscara e só tiro para almoçar. É um cuidado que irei levar para o resto da vida.

Produção

A demanda pelo equipamento de proteção não é a mesma do período da pandemia, mas empresas do setor se adequaram para atuar de forma mais rápida a incidentes epidemiológicos e investiram na infraestrutura de produção. Em 2022, a filial da multinacional americana 3M reajustou a produção da sua máscara PFF2 perante o recuo de 25% na demanda. De acordo com a companhia, contudo, ela mantém uma capacidade global para atingir 2 bilhões de máscaras produzidas por ano — quatro vezes o montante fabricado antes da pandemia.

Segundo a Raia Drogasil, a maior rede nacional de farmácias do país, o pico de vendas de máscaras se deu entre 2020 e 2021, e a partir de então, as vendas se “estabilizaram”.

A máscara facial também tem sido uma das armas dos brasileiros de idade avançada para evitar doenças. Em Brasília, Terezinha Nogueira adotou o acessório de proteção após a pandemia. Mesmo com os casos do vírus em baixa, a aposentada de 69 utiliza o item em locais mais movimentados, como ônibus, hospitais e mercados, para se proteger contra a Covid-19 e gripe.

— Uso máscara porque eu tenho medo, a pandemia não acabou e eu sou idosa também. E nas minhas bolsas sempre tem álcool em gel. Antes da pandemia, eu nem sabia que podia comprar máscara — diz.

Já Roberto Hernandez, aposentado de 70 anos, é ainda mais inflexível com o item de proteção facial por sentir que precisa ter cuidado dobrado: ele tem problemas cardíacos, e a esposa, diabetes e hipertensão.

— Não tenho coragem de não usar. Minha esposa tem muitas comorbidades e eu já cheguei a ficar internado por duas semanas. Quando estava no hospital, vi várias pessoas entubadas. Foi horrível, então ali eu disse: não, eu não vou mais sair de casa sem máscara. Mesmo dentro do carro, fico de máscara. Se vou à padaria, estou de máscara. Abaixo apenas para tomar um cafezinho, porque não tem como tomar de máscara, né? — conta.

De acordo com o último boletim InfoGripe, da FioCruz, há um cenário de aumento de casos de Covid-19 restrito ao centro-sul. Os estados que apresentaram aumento nas internações pelo vírus e requerem mais atenção são Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal. Nas outras regiões, o panorama segue em estabilidade.

‘Por um bom tempo’

Chefe de infectologia do Hospital Naval Marcílio Dias, Hemerson Luz reforça que o uso de máscara ainda é aconselhável, principalmente aos que pertencem aos grupos de risco: aqueles com mais de 65 anos, portadores de doenças crônicas, pessoas em tratamento que tenham algum prejuízo para o sistema imunológico ou então pacientes com sintomas gripais ou respiratórios.

O especialista recomenda a utilização principalmente em transporte público, em locais em que a ventilação não é adequada ou unidades de saúde.

— O uso da máscara de proteção parecia algo muito distante para países ocidentais até antes da pandemia. Hoje, passado o período de enfrentamento à Covid, percebemos uma mudança comportamental e cultural, e as máscaras ainda são usadas sobretudo por pessoas que se sentem vulneráveis em determinados locais ou situações ou pessoas com problemas de saúde. Esse acessório ainda deve nos acompanhar por um bom tempo — analisa o infectologista.


Fonte: O Globo

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