Vídeo mostra PMs questionando amigo do médico morto em abordagem na Asa Sul

Vídeo que passou a circular na internet mostra parte da abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) que resultou na morte do médico Luiz Augusto Rodrigues, 45 anos, na 315 Sul, na madrugada da quinta-feira (28/11). A autoria do vídeo seria dos próprios militares envolvidos na ação. Nas imagens (assista abaixo), o sargento da reserva, que estava com Rodrigues na hora em que este foi baleado, aparece algemado e sentado, respondendo a perguntas dos policiais.



Na versão da PM, o sargento da reserva apontou a arma para os PMs, que, por causa disso, teriam reagido e baleado Rodrigues. O vídeo começa com o militar aposentado questionando o tratamento dos policiais: “Olha o jeito que vocês estão me tratando, cara. Eu acho que vocês deviam, pelo menos, me tratar e me colocar em pé. Pela honra.” Neste momento, um dos militares pergunta por que o sargento reformado teria, supostamente, apontado a arma para a equipe. “Cara, eu não sabia”, responde o sargento. Em seguida, um dos policias rebate: “Como não sabia? A luz da viatura ali, pô.” O aposentado tenta se explicar: “Olha pra mim, olha pra mim. Eu posso te falar com sinceridade? Entre nós aqui.

Eu tomei uma. Eu estava protegendo o doutor Luiz. Olha aqui pra mim. O doutor Luiz me paga para eu proteger ele.” Os policiais militares perguntam mais duas vezes ao sargento o motivo de ele ter apontado a arma para a viatura e ele pede perdão. Só aos 45 segundo de filmagem é que o militar reformado percebe que está sendo filmado. “Cara, vocês estão filmando?”, pergunta. Novamente, ele é confrontado por um dos PMs: “O senhor apontou a arma pra viatura”. “Eu não apontei a arma para a viatura”, afirmou o sargento, ao passo que um dos policiais discorda: “Você puxou (a arma) da sua cintura e apontou a arma para a viatura”. Nesse momento, o aposentado reflete: “Cara, vocês estão querendo queimar a gente, né?”. “Não foi isso o que você fez, não? Tá tudo filmado.

A gente vai comprovar que está tudo filmado. Meteu a mão na cintura e apontou a arma para a viatura. (…) O senhor, como policial militar, apontou a arma para a vitura”, repete um dos policiais ao sargento reformado. Em seguida, outro militar questiona se o amigo do médico é pago ou não para fazer a segurança de Rodrigues, e se ele está fazendo um “bico” (trabalho informal). “Não estou no bico. (…) Não sou pago, não. Ele é meu amigo”, diz o sargento. Por fim, o policial reformado faz um pedido: “Ele é meu amigo, não tem nada a ver. Vê como ele está.” O policial que está filmando a ação se vira e caminha para onde estava o médico Luiz Augusto Rodrigues, que, nesta hora, recebe atendimento prévio do Corpo de Bombeiros.

Ao fim, um dos PMs pergunta ao servidor se ele havia feito o vídeo: “Filmei, filmei”, garante e desliga a câmera do aparelho celular.

Para advogado,

Para Pedro Júlio de Melo Coelho, advogado do sargento, a PM busca uma forma de justificar os disparos ao alegar que seu cliente apontou sua arma para os policiais. “Ele é um policial militar, sargento com mais de 30 anos (de atuação). Por qual o motivo ele apontaria uma arma para colegas de farda? Ele só estava conversando e se despedindo de um amigo. Não estava cometendo crime nenhum”, analisa. O advogado ressalta ainda o trecho em que os policiais abordam a questão de o sargento ser amigo ou segurança pago do médico. “Eles estavam insistindo que ele é segurança, mas ele é amigo. E, se fosse segurança, qual o problema? Ele não está na ativa, está aposentado”, argumenta. Coelho reitera ainda que o sargento negou ter apontado a arma para a equipe de policiais. Sobre o vídeo, o advogado comenta que é praxe da polícia filmar abordagens e operações. “É uma forma de segurança do policial. Mas ele (o sargento) não aparece apontando a arma em momento nenhum”, observa.

Segundo Coelho, o sargento prestará depoimento na Corregedoria da Polícia Militar na semana que vem.

Investigação

O corpo do médico goiano foi enterrado em Ceres (GO), na manhã desta sexta-feira (29/11). As investigações sobre o caso continuam, mas as forças de segurança do Distrito Federal não realizaram novo pronunciamento.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) apenas reiterou que as investigações pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e a PMDF prosseguem. A viúva de Rodrigues reclama que poucas informações são passadas à família. De acordo com o delegado Gerson de Sales, da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), que investiga o caso, a Polícia Civil tem prazo de 30 dias corridos para concluir as investigações e laudos periciais. Esse prazo, contudo, é prorrogável.  Durante esse período, a delegacia não se pronunciará. Informações sobre a ocorrência só serão passadas pela Divisão de Comunicação da PCDF, que informou não haver atualização sobre a ocorrência. 

Fonte: Correio Braziliense

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