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Usuários de remédio que evita infecção pelo HIV aumentam 51% em Campinas; veja como funciona



Aumentou o número de moradores de Campinas (SP) que utilizam a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), método de prevenção contra a Aids indicado para pessoas que têm maior chance de entrar em contato com o HIV.


Dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam crescimento de 51,8% nos usuários no 1º semestre de 2023 na comparação com o mesmo período do ano passado. Destinado principalmente a profissionais do sexo, pessoas trans, gays, homens que fazem sexo com outros homens (HSH) e casais sorodiferentes (onde um dos parceiros possui HIV), a PrEP atua para evitar a infecção pelo vírus da Aids. A metrópole conta atualmente com 1.011 usuários da PrEP. De acordo com o SUS, que disponibiliza o medicamento, 1.810 pessoas iniciaram a PrEP em Campinas (SP) desde 2018. O painel de monitoramento da PrEP aponta que o perfil de usuários do medicamento na cidade é predominantemente de homens que se relacionam sexualmente com homens (HSH), com 83,1% do total. A maior parcela dos usuários (44%) têm entre 30 a 39 anos. 💊 Onde e como tomar a PrEP em Campinas? Em Campinas, dois locais realizam atendimentos voltados para a saúde sexual: o Centro de Referência em IST, HIV/AIDS e Hepatites Virais, localizado na região central, e o Centro de Saúde Santos Dumont, localizado no Jardim Itatinga. As duas unidades realizam serviços de testagem e distribuição da PrEP. Ao g1, o coordenador do Programa Municipal de Infecções Sexualmente Transmissíveis, HIV/AIDS e Hepatites Virais, José de Lima, explicou que, quando a pessoa procura por esses centros, passa por uma triagem e responde algumas perguntas relacionadas à vida sexual, principalmente se ela pretende ou não usar preservativo externo, ou se costuma usar com frequência, já que é o principal instrumento de prevenção de HIV e outras ISTs.

A depender da resposta, o profissional avalia o caso e avança para a testagem de HIV. Com resultado negativo, a pessoa pode adquirir o medicamento gratuitamente no próprio local; em caso de HIV positivo, a pessoa passa a receber tratamento especializado para a doença.

Josué também explica que profissionais do sexo, por exemplo, possuem um atendimento prioritário pela alta exposição.

“A pessoa acompanha a cada quatro meses, ela recebe medicamento para quatro meses, daí toda vez que ela volta, a gente faz o teste HIV de novo, porque nesses quatro meses pode não ter tomado [o medicamento] direitinho [...] e se infectou, você nunca sabe”, explica. O coordenador também contou que a visita ao centro de saúde é aproveitada para a pessoa realizar uma avaliação geral como exames de sífilis, hepatites A, B e C e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) que também necessitam de cuidado.

O atendimento para iniciar o tratamento também pode ser feito na rede privada através de um médico infectologista, mas o intervalo entre o exame e o início da tomada dos comprimidos deve ser de uma semana, aproximadamente. Prevenção combinada e gerenciamento de riscos De acordo com Marianna Vogt, supervisora do Centro de Testagem e Aconselhamento ao HIV, ISTs e Hepatites Virais (CTA) do Cecom da Unicamp, o HIV é um vírus que fica no sêmen, no sangue e na secreção vagina. O risco para cada situação é medido através de alguns fatores:

  • se a relação sexual sem preservativo foi feita com uma pessoa que pertence a um grupo vulnerável;

  • o tipo de sexo e se houve ejaculação ou não;

  • a carga viral do HIV que a pessoa positiva carrega no organismo, e se é indetectável (intransmissível).

“A camisinha continua sendo a principal forma de barreira para a prevenção das ISTs, mas hoje existe essa prevenção combinada que aponta estratégias possíveis que são combinadas e possíveis para a pessoa naquele momento [...] Esse paradigma de prevenção combinada é com o que a gente trabalha hoje em dia. Todo programa de HIV/AIDS do Brasil trabalha em cima dessa mandala de prevenção combinada para que as pessoas saibam todas as medidas que podem ser usadas para a prevenção das ISTs, não só do HIV”, conta Marianna. “Eu brinco que a PrEP é análoga, a gente faz uma analogia com aquela rede do trapezista, sabe? Dos trapezistas que ficam fazendo malabarismos lá no alto de um trapézio pro outro. Quando ele pode, não cai, mas quando ele cai, ele cai na rede. Então a PrEP seria a rede, entende?”, explica Marianna. A profissional da Unicamp explica que se a pessoa sente ser vulnerável, que corre maiores riscos, pode, sim, procurar pela PrEP, mas deve também ter as vacinas em dia, conversar com o parceiro sobre a relação e atualizar a combinação com a do parceiro e/ou parceiros. Esse é o caso de um usuário que preferiu não se identificar. Ele é casado, mas tem um relacionamento aberto. Ele conta que para não correr nenhum risco, mesmo não dispensando a camisinha, continua se sentindo mais seguro em tomar o medicamento a fim de proteger outras pessoas, incluindo seu marido, que não se adaptou à PrEP por ter causado enjoos. Aumento ao acesso Apesar de Campinas disponibilizar dois centros de saúde com serviços especializados em prevenção e tratamentos para ISTs e HIV, e ainda o atendimento nesses locais serem apontador como "fáceis e acolhedores" pelos usuários, o aumento ao acesso para toda a população é crucial para que essas pessoas tenham um diagnóstico e iniciem o tratamento o quanto antes para a transmissão da doença não acontecer, destaca Josué de Lima.

“Quem usa PrEP geralmente é de uma camada de nível educacional maior do que a média da população. E isso está diretamente relacionado à informação, à educação”, diz Lima.

Caio Gusmão, educador comunitário do ImPrEP (projeto de pesquisa que é realizado no Brasil, no México e no Peru com o objetivo geral de abordar os aspectos estratégicos sobre a implementação da profilaxia pré-exposição), diz que as pesquisas estão avançando para que o serviço seja ampliado dentro da Saúde e ainda comenta novas possibilidades do medicamento ser utilizado, como o formato injetável, por exemplo. “Muito provavelmente já está vindo outras formas de disponibilidade de fármacos e medicações para ter outra disponibilidade de PrEP para além da oral. Então isso é um avanço que teve nas pesquisas, como que [diferentes corpos] podem fazer um outro tipo de uso. E aí acho que agora ampliar uma pesquisa para mulheres e homens trans, pessoas com vagina, acho que tem uma questão que ainda é muito privilegiado homens cis que se relacionam entre homens”, conta Gusmão. A importância do medicamento Felipe Venâncio se inscreveu para adquirir a PrEP em 2020, e chegou a ser chamado para fazer parte da ImPrEP no momento em que eles estavam realizando a pesquisa da profilaxia sob demanda, que é a tomada do comprimido duas horas antes da relação sexual, outro 24 horas após a relação e mais outro 24 horas depois do segundo comprimido, mas ele não se adaptou e preferiu seguir com o método tradicional.

“Eu descobri a PrEP através de um companheiro meu, que também começou a usar junto comigo. Eu tenho duas relações fixas com dois homens diferentes. E esses homens, eles têm as relações deles também. Então, foi uma escolha minha e dele, nesse caso”, conta. Para o usuário, a PrEP surgiu como uma opção de segurança. "Eu achei mais seguro começar a usar a PrEP. Por mais que eu use outros métodos, principalmente a camisinha. Mas, por uma questão de segurança, que às vezes a camisinha estoura [...] As coisas acontecem, né? E aí, eu me sinto mais seguro usando a PrEP. E se existe um método seguro que pode ser usado pra prevenção, não vejo muito por que fugir." Felipe também contou que, além do tratamento, agora ele tem muito mais acesso à informação em relação às ISTs no geral e sempre está conversando com profissionais da saúde, recebendo boletins informativos e realizando todos os exames essenciais.

“Por mais que hoje em dia o HIV não seja aquele monstro que ele foi nos anos 1980 no Brasil, principalmente no meio LGBT, [ainda] é uma doença, é um contato com o vírus”, completa Felipe Venâncio.

Outro usuário que preferiu não se identificar conta que adotou a PrEP pela segurança e também por questões pessoais de ‘paz’ e desmistificação que homens que possuem relações com outros homens contraem HIV por “punição” ou “castigo” no âmbito religioso e preconceituoso da sociedade.

Segundo ele, "a PrEP o ajudou a esclarecer diversas dúvidas sobre sua sexualidade, sobre a exposição aos vírus e infecções e a como ser ele mesmo e viver a vida dele de forma segura". Como funciona A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é indicada para pessoas com maior chance de entrar em contato com o HIV. São elas:

  • Gays

  • Homens que fazem sexo com homens (HSH)

  • Pessoas trans

  • Trabalhadores (as) do sexo

  • Casais sorodiferentes

  • Faz uso repetido de PEP (Profilaxia Pós-Exposição)

Combinação de dois medicamentos (tenofovir + entricitabina), a PrEP impede que o HIV se estabeleça no corpo da pessoa que teve contato com o vírus por meio de relação sexual. A proteção só ocorre, no entanto, se o usuário tomar os comprimidos todos os dias.

A existência de uma medicação eficiente para esse fim, no entanto, não desobriga a orientação e propagação de outros métodos de prevenção, como camisinha e gel lubrificante, por conta do risco de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).


Fonte: G1

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