Ter um propósito na vida ajuda pessoas a lidarem com o estresse da pandemia, aponta estudo



Pesquisadores da Universidade de Innsbruck, na Áustria, e da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, relataram que pessoas com um propósito na vida tiveram menos problemas psicológicos causados pela pandemia da Covid-19.


A equipe acompanhou mais de 1.500 pessoas na Alemanha e na Áustria entre os meses de abril e maio de 2020. O grupo relatou suas condições de vida e as percepções gerais em torno da pandemia por meio de um questionário para medir o estresse.

O estudo foi publicado na revista "Frontiers in psychiatry".

O questionário apontou os níveis de:

  • estresse agudo causado pela Covid-19

  • crises

  • autocontrole

  • sofrimento mental geral (medido pelos principais sintomas de depressão e ansiedade)

Os pesquisadores mediram os níveis por meio de duas análises: na primeira etapa foram exploradas as associações entre as condições de vida, a demografia e o estresse da pandemia. Já na segunda, foram analisados o sentido da vida, autocontrole (em momentos de crise), o estresse causado pela pandemia e os problemas psicológicos.

O significado da vida pode ser demonstrado como presente ou como ausente (sem busca, ou seja, indiferença existencial).

Os pesquisadores analisaram esse fator com base na confiança básica de que vale a pena viver apresentada pelos participantes. Segundo eles, baseia-se em uma avaliação (principalmente inconsciente) da vida de alguém como coerente, significativa, dirigida e pertencente. Pessoas com um alto senso de significado são mais esperançosas e otimistas do que pessoas que apresentam pouco significado em suas vidas.

Entre as características desses indivíduos eles se sentem mais competentes, mais autodeterminados e melhor integrados socialmente. Suas habilidades de autorregulação também são mais visíveis: é mais fácil para eles se motivar, se acalmar, direcionar sua atenção e superar falhas.

Uma crise de significado é definida como um julgamento sobre a vida de alguém como vazia, sem sentido e sem significado. Resultados Durante o aumento das restrições e a imposição da quarentena na Alemanha e na Áustria, os níveis de sofrimento mental foram altos entre todos os voluntários. Nas semanas seguintes - pós-bloqueio - o desgaste mental geral foi maior e o autocontrole foi significativamente menor. Ao contrário do que se esperava, o nível de sofrimento mental subiu ainda mais durante o relaxamento das restrições.

Pessoas que tinham um significado em suas vidas e que eram capazes de autocontrole relataram menos sofrimento mental. Conclusões No geral, os pesquisadores observaram que indivíduos com o maior nível de autocontrole, conseguiram driblar as situações de estresse causados pela pandemia.

Os maiores níveis de sofrimento mental foram relatados durante o início da crise do coronavírus, mas aqueles que disseram ter um forte senso de significado em suas vidas lidaram melhor com a situação. Adultos que também apresentam altos níveis de autocontrole tiveram mais facilidade em viver em quarentena.

O levantamento concluiu também que os idosos se beneficiaram da experiência de vida para adotar uma estabilidade psicológica, já que o apreço pela própria vida tende a aumentar com a idade.

À medida que os países diminuíram o distanciamento social e as regras de quarentena, os pesquisadores apontaram que a estabilidade psicológica dos participantes, na verdade, piorou. Alguns relataram problemas de confiança fora do confinamento, questionando o sentido das próprias vidas.


Fonte: G1

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