SP abre na próxima segunda 'xepa' para antecipar 2ª dose da vacina contra Covid


 
 

A cidade de São Paulo abrirá na próxima segunda-feira (16) inscrições para a fila de espera da “xepa” para antecipar a segunda dose da vacina contra a Covid-19. Interessados devem se cadastrar nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e serão chamados quando houver frascos de vacinas abertos.


Com a conclusão do calendário de vacinação contra a Covid-19 para adultos acima de 18 anos, prevista para domingo (15), será também reduzido o intervalo de aplicação das três vacinas contra a Covid-19 que requerem duas doses para completar a imunização: Pfizer, CoronaVac e AstraZeneca.

Quem fizer a inscrição nas UBSs na fila da xepa da segunda dose poderá ser chamado para tomar a segunda dose da AstraZeneca ou Pfizer a partir de 60 dias da aplicação da primeira. No caso da CoronaVac, o intervalo mínimo é de 15 dias.

O intervalo recomendado entre as aplicações das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca no Brasil é de três meses; o da CoronaVac, no estado de São Paulo, é de 14 a 28 dias.

A lista de espera visa não desperdiçar doses remanescentes da vacinam e a aplicação está sujeita à sobra ao final do dia em cada uma das UBSs da capital. Por dia, as unidades têm aplicado, em média, de 1,8 mil a 2 mil doses. Segundo determinação da prefeitura, a unidade de saúde deve manter uma lista de espera com os usuários residentes da cidade de São Paulo, elegíveis em sua área de abrangência, moradores, estudantes e quem trabalha na região da unidade (necessário apresentar documentação com endereço), com telefones para convocação deste público.

As inscrições podem ser realizadas durante o horário de funcionamento das UBSs, e o chamamento é realizado por ordem de inscrição. Antecipação da segunda dose A antecipação foi implementada em alguns estados como estratégia para combater a variante delta da Covid-19, mas é criticada por diversos infectologistas e pela Fiocruz.

Em 23 de julho, o governador João Doria (PSDB) disse que a antecipação da segunda dose das vacinas Pfizer e AstraZeneca seria uma possibilidade no estado desde que houvesse estoque suficiente de doses.

No entanto, alguns dias a antes, a coordenadora do Plano Estadual de Imunização, Regiane de Paula, havia declarado que o estado não anteciparia a segunda dose de vacinas contra a Covid-19 com intervalo de até 12 semanas porque estudos científicos mostraram que a eficácia dos imunizantes seria menor.

"A estratégia que foi desenhada foi a de não antecipar a vacina da AstraZeneca, porque os estudos demonstram que, quanto mais tempo você tem, melhor a imunidade", disse Regiane de Paula.

Para Marco Aurélio Sáfadi, infectologista e presidente do departamento de imunização da Sociedade Brasileira de Pediatria, o período de 12 semanas garante uma resposta imunológica mais longeva.

"O que motivou o Brasil a optar por esse intervalo de 12 semanas, e não só o Brasil, mas diversos países europeus, o Canadá, com a vacina AstraZeneca, é que há benefícios após a segunda dose quando você as diferencia por 12 semanas. Você constrói uma melhor resposta imune, você otimiza a proteção após a segunda dose e, provavelmente, deixa essa resposta mais longeva, mais duradoura, porque ela leva a títulos mais altos de anticorpos", afirma. Já o o diretor do Butantan, Dimas Covas, alega que é preciso reavaliar o prazo da imunização completa das vacinas Pfizer e AstraZeneca para que elas possam responder à variante delta.

"As vacinas que têm duas doses só completam a imunidade após a segunda dose. No caso do Butantan, esse intervalo é de 28 dias. Então, você completa a imunização mais rapidamente quando comparado com as vacinas que têm intervalo de três meses", diz Dimas.

"Essas vacinas que têm intervalo de três meses, obviamente que você só vai completar a imunidade passados quase quatro meses da primeira dose. Então, sem dúvida, a possibilidade de antecipação da segunda dose para essas vacinas deve ser considerada, sim", afirmou.


Fonte: G1

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