'Sobrevivi graças à força que meus filhos me deram', diz homem que se infectou antes de tomar vacina


 
 

Infectado pela Covid-19 uma semana antes de tomar a 1ª dose da vacina em São Paulo, o gerente de vendas Ricardo Costa, de 43 anos, passou por oito dias de internação no hospital por causa da doença e disse que “sobreviveu graças ao amor e a vontade de rever os filhos”.


A felicidade das crianças em ver o pai tendo alta do hospital Vitória, no Tatuapé, na Zona Leste da capital paulista, na última sexta-feira (2), comoveu amigos, parentes e internautas nas redes sociais, tamanha a felicidade deles em rever o pai, depois dos momentos de tensão.

“A recepção foi como um sonho pra mim. Em vários momentos da internação eu tive medo e achei que nunca mais rever eles ou poder abraçar. Sobrevivi graças a força que eles me deram, rezando em casa e escrevendo cartinhas, que ficavam na cabeceira da cama para me dar energia. Certamente superei tudo isso graças a esse amor e a vontade de rever meus filhos”, conta o rapaz.

Ricardo Costa foi internado no nono dia de sintomas da Covid-19. Naquela noite, ele teve piora do quadro da doença e, por falta de ter com quem deixar, a esposa tirou as duas crianças, Maria Clara (8 anos) e Arthur (6 anos), da cama e, de pijamas, foram todos ao hospital. As crianças acompanharam todo o processo de internação, sem poder abraçar ou se despedir do pai ao deixarem o hospital, por medo da infecção.

“Era o nono dia da doença e no dia anterior, o oitavo, eu estava muito disposto, achava que finalmente estava me livrado dos sintomas da doença. Mas na noite seguinte, comecei a ter falta de ar e a saturação baixou muito. Tiramos as crianças da cama e corremos pro hospital. Quando o médico disse que ia me internar, não pude abraçar ele pra me despedir, porque não sabia se podia infectar eles. E aquela situação muito difícil e dolorosa pra nós todos”, conta Ricardo.

Os três dias seguintes à internação foram de muita “tensão e desespero”, segundo Ricardo. O rapaz esteve à beira de uma intubação, por causa da piora do quadro clínico. Ele não chegou a ir para a UTI, ficou internado em leito clínico.

“Por causa da falta de ar, cheguei a cuspir sangue e a passar por momento de delírio, tirando os cateteres de medicação por causa da tensão e do desespero pela falta de ar. Passei algumas noites sem dormir, sentado na cadeira, porque era a única posição que conseguia respirar e tinha certeza que, se eu dormisse, não ia conseguiria mais acordar”, lembra. A esposa de Ricardo, Cristiane Costa, pedagoga, também testou positivo para a doença no mesmo momento, elevando mais a tensão familiar.

“Foram dias de muito sofrimento, porque eu não podia deixar eles com ninguém porque corria o risco de estarem assintomáticas e infectarem o avô, a avó ou as tias. Como eu tive sintomas leves, ficamos todos em casa, em quarentena, rezando. E todos os dias elas perguntavam se o papai ia voltar ou ia morrer. E o quadro dele melhorava um dia, piorava no outro. Foi muito doloroso passar por essa angústia”, conta a pedagoga. “A alegria e a euforia deles ao verem o pai de alta resume a felicidade e o alívio. Porque a gente não deixava elas verem noticiário na pandemia, mas elas entenderam o contexto todo desse mais de um ano de crise, em que a gente chegou a perder parentes e amigos, que a Covid era uma doença muito difícil. Na cabecinha deles ficou associada diretamente com morte. E eles perguntavam todo dia: ‘o papai vai morrer, mãe?”, lembra. “A gente aliviava a tensão desenhando e escrevendo cartinha pro papai. Foi um jeito que salvou nós todos, junto com muita oração e muita solidariedade dos amigos, parentes e até de clientes”, completa a moça. Alta com alegria Para felicidade de toda a família Costa e dos amigos envolvidos na corrente de oração, Ricardo evoluiu rapidamente após o quinto dia de internação e teve alta hospitalar em 2 de julho, dia do aniversário de 10 anos de casamento.

A festa de comemoração, entretanto, ficou por conta de Arthur e Maria Clara, que demoraram a desgrudarem do pai naquele dia.

“Eles queriam ficar abraçados e eu também. São o remédio pra minha recuperação. Tudo que eu preciso”, narra o rapaz. Vacinação Por causa do quadro recente da doença, Ricardo e Cristiane precisam esperar mais alguns dias para finalmente tomarem a vacina da Covid-19, que eles não abrem mão. “Fiquei mais de um ano sem ver meus pais pessoalmente, nem meus sogros, com medo que alguma coisa acontecesse com ele. Eu era o fiscal da Covid em casa, mas mesmo assim me infectei. O que mais quero é voltar a abraçar todo mundo e agradecer por todo o carinho que me transmitiram nesse momento de susto. Não abro mão disso”, contou Ricardo.

“Tomaremos [a vacina] imediatamente. Estamos ansiosos. No domingo a gente saiu pela primeira vez de casa para da uma volta de carro com eles e distrair. Mas a alegria foi tão grande com essa coisa corriqueira de olhar para o lado e ver meu marido, olhar no retrovisor e ver as crianças, todos nós juntos, que me emocionou. É uma coisa bobinha, mas que agora está repleta de sentidos. A gente quer é prolongar todos esses momentos”, afirmou Cristiane Costa. Fonte: G1

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