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Sexualidade é cercada de tabus entre homens, mulheres e diferentes gerações, aponta estudo



A sexualidade ainda é um tema que carrega preconceitos e estereótipos. Aspecto comum do desenvolvimento das pessoas, o assunto traz dúvidas e chega a ser proibido, reprimido e visto com certa estranheza em espaços da sociedade.


É o que mostra um novo levantamento realizado pela MindMiners, empresa de tecnologia especializada em pesquisa digital. De acordo com o estudo, além do estágio de vida em que os indivíduos estão, outras características influenciam o modo como a sexualidade é vivida, incluindo o gênero, o quanto a família é liberal ou conservadora, se houve acesso ou não a uma educação sexual efetiva, entre tantos outros aspectos.


Para o levantamento, foram ouvidas 2 mil pessoas, de todas as regiões do país, com idade acima de 18 anos. Os dados foram coletados entre os dias 28 de dezembro e 04 de janeiro. Foram considerados recortes de geração e região, abordando pontos como vida sexual e comportamento, desejos e necessidades, sexo seguro e discussão sobre o tema na família.


Abertura ao diálogo


A observação do contexto sexual a partir de uma visão histórica mostra uma tendência de mudança na abordagem do tema pelas famílias. No passado, era comum se evitar falar sobre o tema, abrindo espaço para o desconhecimento, além de sentimentos como vergonha, medo e culpa.


As relações íntimas eram vinculadas ao contexto pós-casamento, com pouco espaço para descobertas, experimentação e busca pelo prazer. Atualmente, essa visão da sexualidade é considerada um tanto quanto antiquada. Enquanto pessoas são estimuladas a conhecer os próprios desejos e estabelecer a vida sexual independente do status de relacionamento.


Apesar das mudanças na sociedade, a nova pesquisa aponta que o assunto ainda é tratado como tabu entre homens e mulheres de diferentes idades. Metade dos respondentes disseram acreditar que o Brasil é um país conservador quando o assunto é sexo. Enquanto 47% compartilharam ter vergonha de assistir uma cena sensual de filme ou série perto de familiares ou amigos.


Os participantes foram questionados sobre quem seriam os responsáveis pela educação sexual e se eles se sentem confortáveis para conversar sobre o assunto.


Quase 70% afirmaram que a educação sexual é um papel do pai ou mãe, 53% apontaram médicos ou profissionais de saúde, 48% citaram instituições educacionais. Também foram apontados o governo – com políticas específicas sobre o assunto (43%), familiares (37%) e ninguém (4%).


A liberdade para falar sobre sexo é maior entre cônjuges, parceiros, namorados e semelhantes (44%), seguido de amigos (37%), médicos (24%), familiares (15%) e desconhecidos (7%). Além disso, 17% afirmaram que não há conforto para falar sobre o assunto com ninguém.


De acordo com a pesquisa, a responsabilidade da educação tem um peso maior sobre os pais. No entanto, ao mesmo tempo, eles são vistos como um dos perfis que trazem maior desconforto no diálogo.


Além disso, o fato da geração Z ter um maior destaque em “instituições educacionais” e “governo” sugere um possível desejo por uma conversa, talvez, mais impessoal, isto é, que traga menos constrangimento.


Vida sexual: comportamentos e opiniões


Entre os participantes da pesquisa, 76% afirmaram ser sexualmente ativos. Esse percentual é significativamente maior entre aqueles que estão atualmente em um relacionamento (93%) e muito menor entre os que não têm um parceiro fixo (52%).


A maior parte dos ouvidos afirmou ter tido poucos parceiros sexuais ao longo da vida. Enquanto 41% se relacionaram sexualmente com até três pessoas, 25% afirmou ter tido de 4 a 10 parceiros.


Sobre a utilização de aplicativos, o estudo destaca que: 38% dos entrevistados afirmaram já ter utilizado canais de relacionamento. E, dentre eles, 35% utilizam atualmente. Já 71% dos usuários ativos dessas plataformas afirmam gostar de conhecer pessoas por meio de aplicativos e 59% procuram parceiros com frequência nesse tipo de canal.


Metade dos respondentes revelaram ter tido a primeira relação sexual até os 18 anos de idade. O início da vida sexual na adolescência enfatiza a importância da abordagem de temas como a prevenção às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e da gravidez indesejada.


Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em 2022, apontou uma queda na utilização da camisinha por adolescentes no Brasil. De 2009 a 2019, o percentual de pessoas entre 13 e 17 anos que usaram preservativo na última relação sexual caiu de 72,5% para 59%. Entre as meninas, a queda foi de 69,1% para 53,5% e, entre os meninos, de 74,1% para 62,8%.


No estudo, os voluntários revelaram como obtiveram as primeiras orientações sobre o tema sexualidade:

  • 30% com amigos;

  • 30% na escola;

  • 27% com familiares;

  • 26% pela internet,

  • 9% com médicos.

Especialistas avaliam que a reformulação de campanhas de conscientização à prevenção do HIV e de outras ISTs pode contribuir para o alcance do público mais jovem.


“O desafio é trazer para o mais jovem uma linguagem que ele compreenda, aceite e entenda que a mensagem é direcionada para o seu grupo. Não adianta usarmos apenas técnicas antigas, como folhetos, informativo ou comercial careta. Isso não vai chamar a atenção”, afirma a infectologista Brenda Hoagland, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). “Precisamos de jovens trabalhando conosco dentro do contexto da prevenção, de forma que eles possam traduzir isso para as redes sociais”, completa.


“Por esse motivo, é tão importante discutir o tema em escolas e ter sempre profissionais da saúde orientando. Além disso, as marcas também podem exercer o papel de mediadoras, sendo responsáveis por ampliar o debate e levar informação precisa a mais pessoas, principalmente aos jovens”, ressalta Flávia Rodrigues, responsável pela condução da pesquisa.


Quando se trata do diálogo por parte dos familiares, a mãe é a figura mais presente, com 64% – mais do que o dobro da participação paterna (27%).


Desejos e necessidades


O estudo buscou compreender como os participantes experimentam a sexualidade, quais são suas principais vontades, necessidades e dificuldades. Enquanto algumas pessoas podem considerar o sexo como fundamental, outras podem se sentir completamente satisfeitas sem ele.


Existem diversos fatores que influenciam na forma como as pessoas enxergam e lidam com esse tema. A insegurança sobre o corpo, problemas de saúde física ou mental e desejos ou vontades sexuais reprimidos pelo medo do julgamento são alguns exemplos.


O levantamento aponta que 70% dos respondentes consideram o sexo importante, enquanto 59% se dizem satisfeitos com a sua vida sexual. Quase 40% das pessoas entrevistadas afirmaram que já fingiram orgasmo, sendo que entre as mulheres esse número é de 54% e entre os homens é de 23%.


Pouco mais de 20% disseram que não se sentem confortáveis para ficar sem roupa na hora do sexo. Esse desconforto se mostra um pouco maior entre as mulheres (24%). Entre os homens o índice é de 18%.


Mais da metade das pessoas consideram que a saúde mental impacta diretamente no desejo sexual. Entre uma lista de condições, a ansiedade, o estresse e a depressão são as que mais se destacam.


Aproximadamente 280 milhões de pessoas no mundo têm depressão, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Estima-se que 3,8% da população do planeta seja afetada, incluindo 5% de adultos e 5,7% de indivíduos com mais de 60 anos. De acordo com estudo epidemiológico a prevalência de depressão ao longo da vida no Brasil está em torno de 15,5%.


O Brasil lidera o número de casos de ansiedade no mundo, de acordo com estimativas da OMS, seguido de países como Paraguai, Noruega, Nova Zelândia e Austrália. Aproximadamente 9,3% dos brasileiros enfrentam o transtorno de ansiedade patológica.


Saúde sexual


A incidência de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) aumenta com a prática de relações sem o uso de camisinha. Cerca de 60% dos brasileiros acima de 18 anos afirmaram não usar preservativo nenhuma vez à Pesquisa Nacional de Saúde (PNS).


O levantamento de 2019 também aponta que apenas 22,8% relataram usar preservativo em todas as relações sexuais, outras 17,1% afirmaram usar às vezes e 59% dos entrevistados, nenhuma vez.


De acordo com a nova pesquisa, 38% dos entrevistados não possuem o hábito de ir ao médico para checar aspectos da saúde sexual e 46% não utilizam nenhum método para prevenção de ISTs.


À pesquisa, 38% afirmaram que costumam sempre ter camisinhas dentro da bolsa, bolso ou carteira e em casa para que o sexo seja sempre seguro. Esse comportamento é mais comum entre os homens (48%) do que entre as mulheres (33%).


Cerca de 45% dizem que utilizam métodos contraceptivos, enquanto 14% das mulheres já engravidaram mesmo fazendo o uso correto de métodos contraceptivos. A maior parte dos entrevistados (73%) é a favor do anticoncepcional masculino, sendo uma vontade maior entre as mulheres (80%) do que entre os homens (66%).


“O objetivo da MindMiners, por meio desta e outras pesquisas, é ser um fio condutor para as pessoas e empresas que desejam se posicionar com responsabilidade, com base em informações reais e corretas. Sabemos que existe uma complexidade que vai além dos perfis demográficos. Os insights obtidos neste estudo são o primeiro passo, mas é possível ir além com estudos de teor mais comportamental ou de segmentação, que identificam grupos com distinções comportamentais e os dimensionam”, diz Juliana Tranjan, coordenadora de Insights da MindMiners.


Fonte: CNN

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