Saúde mental já recebia pouco investimento e situação piorou com a pandemia, diz OMS



Frente a um possível aumento nos casos de transtornos mentais durante a pandemia, a diretora do Departamento de Saúde Mental da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dévora Kestel, alertou nesta quarta-feira, 26, que a disponibilidade de atendimento médico na área já não supria a demanda antes da covid-19.


"Os serviços já são limitados. Somente 2% do orçamento em saúde, mundialmente, é investido neste segmento", afirmou durante transmissão para responder dúvidas do público. "Em condições normais, já não existe capacidade para os países proverem atendimento".


Segundo a OMS, 1 bilhão de pessoas no mundo possuem transtornos mentais, mas 75% dos casos não são atendidos em países de renda média ou baixa. Em nações de renda alta, essa porcentagem é de 50%.


A diretora declarou que embora ainda não existam dados referentes ao aumento de distúrbios como ansiedade e depressão relacionados a esta pandemia, uma a cada cinco pessoas sofrem deste tipo de transtorno durante emergências similares.

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"Alguns dos transtornos vão passar conforme sairmos desta crise, mas muitos vão permanecer. Precisamos trabalhar agora para evitar problemas futuros", acrescentou. Para Dévora, o surto mundial do novo coronavírus deve ser usado como uma oportunidade para requisitar mais investimentos públicos em saúde mental, do nível municipal ao nacional.


A líder técnica da resposta à covid-19 da OMS, Maria Van Kerkhove, destacou a urgência da disponibilidade de suporte médico nesta área, já que a entidade não tem perspectiva do fim da pandemia. "Precisamos assegurar que temos esses serviços em funcionamento agora. Não é algo que pode esperar".


Entre as recomendações para lidar com o estresse durante a crise global, a organização indica se manter socialmente conectado, utilizando meios de comunicação para isso, e manter uma rotina. A OMS também pede que o consumo de álcool para enfrentar a situação seja evitado, uma vez que pode piorar possíveis transtornos.


Estresse em profissionais de saúde


Maria ressaltou que, apesar do estresse generalizado, o impacto psicológico sofrido pelos trabalhadores de saúde em locais com surtos intensos de covid-19 não pode ser subestimado. "Estão lidando com pacientes muito doentes, muitas mortes. Isso tem um peso enorme".


Em cada país, de 10% a 20% dos casos registados do novo coronavírus estão entre profissionais da área, segundo a entidade. A líder técnica apontou a necessidade de suporte psicossocial, períodos de descanso e equipamentos de proteção individual apropriados para esse grupo.


Fonte: Terra

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