Round 6: Entenda o impacto na saúde mental de crianças e adolescentes


 
 

Um verdadeiro fenômeno. A série coreana, Round 6, é a de maior sucesso na história da plataforma de streaming. Para os que ainda não assistiram, o enredo gira ao redor de pessoas endividadas que podem ser resgatadas da crise por meio de um jogo perigoso.


A série utiliza-se de brincadeiras simples de criança como “Batatinha frita 1,2,3”, “Cabo de guerra”, “Bolas de gude” e outras, para assassinar as pessoas que não atingem o objetivo final.


A produção estreou na plataforma de streaming em 17 de setembro e, no dia 12 de outubro, a Netflix confirmou que ela se tornou a mais visualizada da história da plataforma, com 111 milhões de acessos.


O grande problema é que a classificação etária, 16 anos, não está sendo obedecida, e segundo especialistas, isso pode trazer problemas à saúde mental de crianças e adolescentes.


Na França, cinco crianças foram hospitalizadas. O acidente foi causado por um confronto entre alunos do terceiro e do sexto ano do College George-Sand. A brincadeira teria "fugido do controle" e se transformado em uma situação violenta, que levou as crianças a passar por atendimento médico.


Quais são os riscos para as crianças e adolescentes?


Esse tipo de conduta preocupa o PhD , neurocientista, psicanalista, biólogo e antropólogo, Fabiano de Abreu.

“Isso evidencia o quanto é necessária uma espécie de controle por parte dos pais, afinal, a série apresenta cenas de violência explícita, tortura psicológica, suicídio, tráfico de órgãos, sexo, palavras de baixo calão, e isso chama a atenção pois são crianças comentando sobre o assunto como se fosse algo normal delas assistirem”, afirmou.

Diante da repercussão da série, muito tem se comentado sobre a violência gratuita apresentada em seus episódios, daí a recomendação da classificação indicativa, ainda que esta esteja sendo ignorada, analisa Fabiano.


“Essa recomendação não existe à toa, pois o conteúdo apresentado pela série pode afetar a percepção e o comportamento dos mais jovens. Ao assistir estas produções repletas de cunho violento, as crianças e adolescentes acabam ‘normalizando’ isso e tratando o assunto como algo comum”, pondera.


Os efeitos dessa exposição sem filtros à histórias violentas são crianças e jovens que podem se tornar mais reativas e agressivas, alerta o neurocientista.

“Nesta fase da vida, eles ainda são imaturos e muito vulneráveis a estímulos que podem se tornar incontroláveis e até mesmo viciantes. Além disso, nesta idade o cérebro tem menos ‘freios’ na regulação das emoções. A escola é o ambiente que mais se assemelha ao lar, com leis e regras, mas também acolhimento e amor. Por isso todo segmento educacional com interface da saúde mental estão preocupados com a repercussão dessa série. As crianças tendem a fazer o que vêem, não o que os pais e professores sugerem. A Netflix está preocupada com a audiência e numa casa, um e-mail da acesso à todos”, acrescenta.

Saiba a importância de controlar o acesso de crianças e adolescentes às telas

Diante deste cenário, a ação preventiva preconiza o controle de tempo e de conteúdo da tela para crianças e adolescentes, recomenda Abreu.


“É importante considerar ainda que a criança não tem a mesma percepção preventiva do adulto, já que a região do lobo frontal, relacionada à tomada de decisões, lógica e prevenção está em formação. Assim como a cognição com base na experiência não está desenvolvida. São discernimentos diferentes na percepção do adulto e da criança. Neste caso, recomendo aos pais que deve-se ter cuidado ao acesso das crianças e explicar com argumentos coerentes para a faixa etária, de maneira que entenda o real e o abstrato assim como suas consequências”, disse.

Fonte: Folha Vitória

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