RJ é o estado onde a tuberculose mais mata no país; problema foi agravado pela pandemia de Covid



O Rio de Janeiro é o estado onde a tuberculose mais matou no Brasil no ano passado. E, pela primeira vez em mais de uma década, o RJ registrou aumento no número de mortes pela doença — foram 805 óbitos em 2021, 765 em 2020 e 659 em 2019.


Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, divulgados nesta quinta-feira (24), Dia Mundial de Combate à Tuberculose.

Segundo Marneili Martins, gerente de tuberculose da secretaria, o problema foi agravado pela pandemia de Covid. "Provavelmente mais pessoas morreram de tuberculose porque menos gente foi diagnosticada e tratada em comparação com 2019", afirmou Martins. De acordo com informações consolidadas de 2020, do Boletim Epidemiológico da Tuberculose do Ministério da Saúde publicado nesta quinta, o Rio registrou o maior coeficiente de mortalidade pela doença em relação a cem mil habitantes. Os cinco estados com os maiores números proporcionais são:

  1. Rio de Janeiro: 4,4/ 100 mil habitantes

  2. Acre: 3,9/ 100 mil habitantes

  3. Amazonas: 3,6/ 100 mil habitantes

  4. Pernambuco: 3,1/ 100 mil habitantes

  5. Pará: 2,8/ 100 mil habitantes

Vulnerabilidade Autoridades tanto da prefeitura quanto do governo do estado destacam que, entre os fatores de disseminação da doença, estão pobreza, desnutrição, más condições sanitárias e alta densidade populacional. “O alto índice de mortes pode estar ligado à interrupção do tratamento, que dura em média seis meses, e à baixa busca por cuidados médicos. Além disso, as áreas mais pobres ainda são bastante afetadas, onde há pouca ventilação e baixa incidência de sol. Isso ocorre porque o agente causador da doença se propaga mais facilmente em áreas com essas características”, afirmou Martins. RJ é o 2° com maior número de casos Atualmente, o estado ocupa a segunda posição no número de registros da doença e a primeira em mortalidade. Os dados são relativos aos casos e mortalidade por cem mil habitantes. No ano passado, 15.456 casos foram notificados, sendo 12.590 deles novos. O número representa um crescimento de 7,7% em comparação com 2020, quando o RJ teve 14.356 registros.

A maior parte dos casos registrados no estado no ano passado ocorreu na Região Metropolitana I, que inclui a capital e os municípios da Baixada Fluminense. Foram 75,7% dos registros em uma área que conta com mais de 60% da população do Rio de Janeiro. Segurança alimentar Segundo os responsáveis pela política de combate à doença, um dos principais problemas no estado é a interrupção do tratamento. Em muitos casos, ela é causada pela necessidade de busca da subsistência.

"O Rio de Janeiro é o segundo estado com a maior taxa de incidência no Brasil. Também apresenta alta taxa de interrupção do tratamento, favorecendo o desenvolvimento de resistência às drogas, que por sua vez contribui para um cenário de persistência da transmissão", afirmou o subsecretário estadual de Vigilância e Atenção Primária à Saúde, Mario Sergio Ribeiro. "Precisamos urgentemente reduzir esses índices e impactar os dados no estado. Os investimentos são essenciais para essa população, que precisa de recursos para não deixar de se tratar", emendou. O governo do estado anunciou a transferência de R$ 19,5 milhões para os 92 municípios do Rio de Janeiro para a implementação de políticas de segurança alimentar para os pacientes em tratamento. Trata-se de uma cooperação técnica com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e que integra o Plano Estadual de Enfrentamento à Tuberculose. A parceria conta ainda com a Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), que destinará R$ 246,3 milhões oriundos de verbas parlamentares para o combate à doença nos próximos cinco anos. A ideia é que o benefício possa ser viabilizado por meio de cestas básicas, restaurantes populares ou cartão-alimentação. Cidade do Rio A capital do estado também registrou movimento semelhante ao visto no resto do estado. O Rio teve 94,1 novos casos de tuberculose para cada 100 mil habitantes em 2020. Em 2021, o número voltou a crescer e passou a ser de 103,7 casos para cada 100 mil habitantes. O índice é semelhante ao patamar de 2019, de 104 mil casos para 100 mil habitantes. A prefeitura destacou ainda que, levando em consideração a série histórica de casos de tuberculose na cidade, o Rio registrou uma curva de aumento entre os anos de 2014 e 2017 que teria sido causada por ampliação da atenção primária de saúde, que aumentou a busca ativa por pessoas com sintomas respiratórios.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, a dificuldade causada pela Covid nos diagnóstico fez com que mais investimentos fossem realizados nas equipes de saúde primária para aumentar a capacidade de diagnóstico. Além disso, é preciso que os pacientes terminem o tratamento, que dura cerca de seis meses, mesmo que os sintomas desapareçam. De acordo com o secretário, cerca de 15% das pessoas que iniciam o tratamento para tuberculose na cidade do Rio de Janeiro não terminam.

"A cidade do Rio de Janeiro tem, aproximadamente, sete mil novos casos por ano. É uma doença que preocupa todos, mas que tem cura. O Rio está intensificando o diagnóstico. Todas as unidades de atenção primária estão na busca ativa para o diagnóstico de tuberculose desde meados de 2021. A gente quer aumentar a nossa capacidade de diagnosticar, reforçando as equipes de saúde da família, com várias campanhas que estimulam que as pessoas que tenham mais de três semanas de tosse consecutivas devem procurar uma unidade de saúde para verificar se a tosse pode ser tuberculose ou não", disse Soranz.


Fonte: G1

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