Revista científica critica resposta da Índia ao enfrentamento da pandemia


 
 

A revista científica The Lancet publicou um editorial neste sábado (8) em que classifica como "incompreensível" a situação atual pela qual a Índia está passando na pandemia, uma crítica à resposta do país ao enfrentamento da Covid-19.


De acordo com o texto, o país "despediçou seus primeiros sucessos no controle da Covid-19", suspendendo reuniões da força-tarefa de enfrentamento à pandemia por vários meses. "As consequências dessa decisão estão claras diante de nós", diz um trecho da publicação.

Citando o Institute for Health Metrics and Evaluation, o editorial afirma que a Índia poderá alcançar 1 milhão de mortes por Covid-19 em agosto deste ano. "Se esse resultado acontecer, o governo [do primeiro-ministro Narendra] Modi seria responsável por presidir uma catástrofe nacional autoinfligida", cita o editorial. Avaliação equivocada O editorial cita que, após vários meses de queda de casos, o governo considerou que a pandemia estava chegando ao fim e não incentivou medidas de prevenção, permitindo a realização de eventos religiosos e comícios políticos, conhecidos por provocar aglomeração. A avaliação equivocada sobre o estágio da pandemia também atrasou a campanha de imunização e o aumento repentino de casos provocou competição entre os estados por vagas em UTIs e oxigênio.

Segundo a publicação, até 4 de maio, a Índia registrava oficialmente, de acordo com a Lancert, mais de 20 milhões de casos notificados, média móvel de 378 mil casos ao dia e 222 mil mortes o que, para especialistas, pode estar subestimado, afirma o editorial. "Antes que a segunda onda de casos de Covid-19 começasse a aumentar no início de março, o Ministro da Saúde da Índia, Harsh Vardhan, declarou que o país estava no 'fim do jogo' da pandemia. A impressão do governo foi de que a Índia havia derrotado a Covid-19 após vários meses de contagens baixas de casos, apesar das repetidas advertências sobre os perigos de uma segunda onda e o surgimento de novas cepas", destaca a publicação. "A mensagem de que a Covid-19 havia acabado também retardou o início da campanha de vacinação na Índia, que imunizou menos de 2% da população. No nível federal, o plano de vacinação da Índia logo desmoronou. O governo mudou abruptamente de curso sem discutir a mudança na política com os estados, expandindo a vacinação para todos com mais de 18 anos, drenando suprimentos e criando confusão em massa e um mercado para doses de vacina em que estados e sistemas hospitalares competiam", critica o editorial. Enfrentamento à crise O texto da revista científica cita que, agora, a Índia deve seguir uma "estratégia dupla" de enfrentamento à pandemia: vacinação em massa e contenção da transmissão.

Em relação à vacinação, será preciso aumentar a oferta de vacinas e organizar uma ampla campanha que inclua também a população pobre e rural, que representam 65% da população (mais de 800 milhões de pessoas). "O governo deve trabalhar com centros de saúde locais e primários que conheçam suas comunidades e criem um sistema de distribuição equitativo para a vacina", sugere a The Lancet. Sobre a queda de contágio, o editorial afirma que a Índia precisa publicar dados em tempo hábil para identificar possíveis aumentos de transmissão de casos, informar claramente a população sobre a situação, e não descartar bloqueios nacionais. Também será preciso investir no sequenciamento de genomas para identificar possíveis variantes.

"O governo federal tem um papel essencial em explicar ao público a necessidade do uso de máscaras, distanciamento social, suspensão de reuniões em massa, quarentena voluntária e testes. As ações de Modi na tentativa de abafar as críticas e abrir a discussão durante a crise são imperdoáveis", classifica o editorial.


Fonte: G1

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