“Queimaduras químicas” são a possível causa das lesões pulmonares por cigarros eletrônic

As lesões pulmonares causadas pelos cigarros eletrônicos provavelmente resultam da toxicidade direta ou da lesão tecidual causada por vapores químicos nocivos, em vez do acúmulo de lipídios nos pulmões, sugerem dados histopatológicos.

“Não ficamos surpresos com o os achados referentes à toxicidade”, disse em um comunicado à imprensa o Dr. Brandon T. Larsen, Ph.D., patologista cirúrgico na Mayo Clinic nos Estados Unidos, e especialista de renome em patologia pulmonar.

“Vimos alguns poucos casos, isolados e dispersos, nos últimos dois anos em que observamos a mesma coisa, e agora estamos vendo um aumento repentino do número de casos. Nosso estudo oferece a primeira análise detalhada das alterações que podem ser observadas nas biópsias pulmonares para ajudar os médicos a fazer o diagnóstico no contexto clínico apropriado”, disse Dr. Brandon.

Para saber mais sobre a patologia da lesão pulmonar associada aos cigarros eletrônicos, Dr. Brandon e colaboradores avaliaram amostras de biópsias pulmonares de 17 pacientes (13 homens; média de idade de 35 anos) que informaram fumar cigarros eletrônicos e que estavam sob suspeita de lesão pulmonar associada. Dois eram pacientes da Mayo Clinic no Arizona e o restante era do resto dos Estados Unidos. A maioria (71%) dos pacientes fumava maconha ou óleos derivados da Cannabis no dispositivo eletrônico.

As descobertas do Dr. Brandon e colaboradores foram publicadas on-line em 02 de outubro no periódico New England Journal of Medicine.

Todos os pacientes tinham opacidades pulmonares bilaterais; 15 pacientes apresentaram as lesões em 2019.

Todas as amostras das biópsias pulmonares revelaram “padrões de lesão pulmonar aguda, com pneumonite fibrinosa aguda, lesão alveolar difusa ou pneumonia em organização – em geral bronquiolocêntrica e acompanhada de bronquiolite“, explicaram os autores.

Os achados histológicos foram inespecíficos, mas todos os casos se caracterizaram pela existência de macrófagos espumosos e vacuolização dos pneumócitos. Algumas vezes podia-se observar macrófagos pigmentados, mas nunca eram predominantes. Com frequência havia predomínio de neutrófilos; os eosinófilos eram raros; e não foram observados granulomas.

Dois casos tinham lavado broncoalveolar disponível. “Os lavados revelaram abundantes macrófagos espumosos”. Dois pacientes com lesão alveolar difusa morreram.

Os pesquisadores não viram evidências radiológicas ou histológicas de lesão tecidual resultante do acúmulo de lipídios, como óleos minerais, que até agora eram a causa suspeita das lesões pulmonares relacionadas com os cigarros eletrônicos.

“Embora não possamos descartar o possível papel dos lipídios, não vimos nada sugestivo de que este seja um problema causado pelo acúmulo de lipídios nos pulmões. Em vez disso, parece ser algum tipo de lesão química direta, semelhante ao que se pode ver nas exposições aos vapores químicos tóxicos, gases venenosos e agentes tóxicos”, disse Dr. Brandon no comunicado de imprensa.

Mais de 800 casos de lesões pulmonares foram associados aos cigarros eletrônicos nos últimos meses, e pelo menos 12 pessoas morreram nos EUA, em 10 estados diferentes. Os pesquisadores acreditam que os produtos que contêm tetraidrocanabinol (THC) ou óleos com outras substâncias da Cannabis, como o canabidiol, podem estar envolvidos.

Alguns estados baniram temporariamente a venda dos cigarros eletrônicos e/ou dos líquidos aromatizados utilizados nos dispositivos, enquanto aguardam a conclusão das investigações. A Food and Drug Administration (FDA) norte-americana está considerando a proibição de todos os cigarros eletrônicos com líquidos contendo aromatizantes, exceto tabaco. Os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) preconizam que crianças, adultos jovens, gestantes, e adultos que não usam produtos do tabaco, não usem cigarros eletrônicos, e a American Lung Association diz que estes dispositivos não são seguros e podem causar lesão e doença pulmonar permanentes.

“Todos devem reconhecer que os cigarros eletrônicos não são isentos de riscos, inclusive risco de vida, e eu acho que a nossa pesquisa corrobora isso”, alertou Dr. Brandon. “De acordo com as nossas observações, parece prudente explorar formas de regulamentar melhor o setor e orientar melhor o público, especialmente os jovens, sobre os riscos associados aos cigarros eletrônicos.”

“Embora seja difícil descartar o possível papel dos lipídios, acreditamos que as alterações histológicas na verdade sugerem que a lesão pulmonar associada aos cigarros eletrônicos representa um tipo de pneumonite química centrado nas vias respiratórias causada por uma ou mais substâncias tóxicas inaladas, em vez de uma pneumonia lipoide exógena como tal, mas os agentes etiológicos ainda são desconhecidos”, concluíram os autores.

Dr. Brandon T. Larsen recebeu honorários das empresas Parexel e Veracyte sem relação com o estudo em tela. Um coautor recebeu honorários da empresa Parexel. Os demais coautores informaram não ter conflitos de interesses financeiros relevantes.

Fonte: Medscape

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