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Quando o chocolate faz bem para a saúde?



As origens temáticas de coelhinhos e ovos de chocolate para a Páscoa são explicadas mais por possibilidades que certezas. Contudo, embora não seja exclusividade brasileira, a dimensão alcançada em nosso país desse apelo mercadológico não é vista em outros que festejam a mesma data.


Como consequência desse fenômeno nacional, o chocolate é assunto em todas as mídias durante as semanas da quaresma, com enfoque em seus efeitos na saúde, notadamente em sua possível capacidade de transtornar o controle de peso. Porém, o tema suscita muitas análises afora seu suposto potencial engordativo.


Gordura e açúcar são predileções inatas de nossa espécie e estão fortemente relacionados ao aumento da produção de dopamina em setor específico cerebral. A substância é capaz de modular nossos centros emotivos em favor do conforto diante de situações adversas. Não por menos, as tensões pré-menstruais, preocupações financeiras, entraves profissionais e tantas outras adversidades provocam ingestas volumosas de produtos contendo a associação desses dois itens.


A maior parte das apresentações de chocolate comercializada possui entre 25% e 30% de cacau, complementado com leite em pó, açúcar, gordura vegetal e outros componentes. Vê-se que aquilo que o complementa já constitui persuasivo convite para estimular a produção dopaminérgica e, diante do envolvente sabor entregue pelo cacau, compreende-se as razões da simpatia universal por ele em angústias ou deleites.


O que a ciência interroga reiteradamente é em qual intensidade o chocolate promove benefícios, para além do conforto emotivo oferecido pelos elementos agregados. Emergem imensas listas de vantagens, atribuídas principalmente aos flavonoides e ao aminoácido triptofano.


Os flavonoides são compostos encontrados em diversos vegetais e possuem reconhecidas atividades biológicas no organismo humano. Às sementes do cacau são creditadas ações anti-inflamatória, antiagregante plaquetária, antioxidante, vasodilatadora, moduladora do sistema imunológico e facilitadora da recepção periférica da insulina.


Essas virtudes justificam achados relacionando o consumo regular moderado de chocolate com a menor incidência de doenças cardiovasculares, patologias degenerativas, diabetes tipo 2 e melhor resistência imunológica, enquanto o triptofano se responsabiliza pela elevação da concentração cerebral de serotonina, neurotransmissor associado ao humor.


Contempla imensa lógica recomendar suas alternativas mais concentradas, acima de 70%, o que dispensaria brutal quantidade de nutrientes virtualmente danosos, mas as grandes pesquisas não fizeram essa distinção.


Os estudos com alimentos e proveitos orgânicos são comumente observacionais, modelo de pesquisa que busca justificativas para constatações, tornando muito difícil o descarte de todos os fatores influenciáveis.


Bom exemplo é o estudo publicado em 2012 na revista New England Journal of Medicine, no qual o cardiologista Franz Messerli demonstrou que o consumo per capita de chocolate (kg/habitante) de um país é diretamente proporcional ao número de gênios premiados com o Nobel.


As conclusões de Messerli podem ser facilmente fundamentadas por outras vertentes, tal qual o índice de desenvolvimento humano (IDH) das nações, quando elevado, mais privilégios em qualquer cenário, incluindo o poder de compra.


Para o cristianismo, a Páscoa representa a ressurreição de Cristo, e associar a festa a artigo de tantos predicados saudáveis não turva sua importância religiosa.


Por outro lado, é mais uma boa ocasião para pedir bênçãos para que os alimentos em suas melhores versões sejam opções perenes e acessíveis a todos brasileiros, e se a graça vier com IDH alto, nosso Nobel será apenas uma questão de tempo, ou chocolates!


Fonte: O Globo

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