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Quais critérios a gestante deve ter para escolher a maternidade ideal?



O momento do parto pode ser mágico, mas é também delicado. Por isso, para garantir a segurança do procedimento e memórias felizes para o futuro, é importante ter o amparo de uma boa maternidade. Mas, na hora de escolher uma instituição privada, há indicadores mais importantes do que o número de fios do lençol ou a metragem do quarto.


Além disso, também dá para garantir um melhor atendimento ao dar à luz em uma maternidade pública com uma boa pesquisa prévia. É o que explica o obstetra Mariano Tamura, supervisor do Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Israelita Albert Einstein.


O parto é um momento crítico da vida. É uma celebração, mas também é claramente um momento que é cercado de receio, não é um momento simples da passagem do ser humano. Qualquer acidente que ocorra nessa hora pode ser gravíssimo, e eventos adversos existem”, explica Tamura.


Nas redes sociais, vídeos sobre itens de luxo em maternidades, como lençóis com milhares de fios e espaço de sobra para visitantes, fazem sucesso e rendem engajamento. Mas, fora das telinhas do celular, o mais importante não são os itens de hotelaria ou mesmo a estrutura física da maternidade.


“Na hora em que ocorre alguma complicação, você não quer saber quantos fios tem o lençol ou o que vão servir no café da manhã, você quer saber quem está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do lado, quem são os profissionais que vão lidar com essa intercorrência”, alerta o médico e professor Rômulo Negrini, coordenador médico de obstetrícia do Hospital Israelita Albert Einstein.


Um alerta similar é feito pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), que encomendou uma pesquisa de opinião com mais de 3 mil entrevistados em abril de 2022. A pesquisa, realizada pela Anahp, em parceria com o PoderData, mostrou que o quesito estrutura física foi apontado como mais importante do que os indicadores de qualidade pelos entrevistados.


No relatório, a associação reconhece que este é um exemplo de que há um “desconhecimento da população em relação aos critérios de qualidade essenciais para um atendimento qualificado”. “Mas a culpa não é do cidadão, é do próprio setor da saúde, que não se comunica de forma transparente com a população”, afirma o relatório.


Para evitar esse descompasso, é importante conhecer os principais indícios de segurança e qualidade na hora de escolher uma maternidade.


“O aspecto mais importante a ser buscado é a segurança. É preciso entender quais são os itens de segurança que a mãe encontra na maternidade, tanto para ela quanto para o bebê, e fazer uma comparação entre as opções disponíveis”, explica Negrini, que também é professor de obstetrícia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.


“A hoteleira não deveria ser a maior prioridade, mas ela faz parte da experiência e traz conforto ao paciente. Não vejo como algo que a gente precise lutar contra, mas a informação mais importante está relacionada à qualidade e à segurança”, concorda Tamura.


A obstetriz Paloma Ortolani, que é bacharel em Obstetrícia pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP), destaca ainda a importância de buscar maternidades onde há uma preocupação com o envolvimento de profissionais de diversas áreas.


“Nem todas as maternidades estão habituadas a receber as equipes mais diversas que são comuns no parto humanizado, como obstetriz e a doula acompanhando o médico ou médica obstetra”, explica. “Alguns hospitais hoje em dia já entendem que a obstetriz é a especialista em parto normal, então, eles permitem que uma equipe multidisciplinar atue mais neste tipo de parto”, afirma Ortolani, que se formou na única faculdade brasileira que oferece a graduação em obstetrícia, que é diferente da especialização dos médicos obstetras.


O que importa?


Mas, afinal, o que importa para determinar a qualidade de uma maternidade? Segundo os médicos ouvidos pela Agência Einstein, o melhor jeito de avaliar as instituições de saúde é observando indicadores objetivos, como mortalidade materna e neonatal, ou percentual de partos vaginais e de cesáreas, e comparar esses números com os preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).


“O número é uma maneira objetiva de dar uma informação, e ele traduz para a realidade uma série de informações, de experiências, de relatos. Qual é a proporção de parto vaginal em pacientes sem indicativo de risco? Qual é o percentual de alta da UTI neonatal? A partir de que idade fetal eles vão para casa com saúde e segurança? Essas são algumas informações que traduzem pontos muito importantes”, explica Tamura.


Fazer visitas guiadas para conhecer as maternidades também ajuda a ir além dos números e verificar pessoalmente como é o atendimento em cada unidade. Hoje em dia, a maioria das maternidades privadas de São Paulo já trabalha com essas visitas, que podem ser feitas até online e são, muitas vezes, encorajadas por obstetras.


“Para algumas mulheres, o silêncio durante o parto é algo importante. Já outras dizem que se acalmam conversando, e pedem para a equipe puxar assunto, falar o tempo todo. Então, é importante entender que cada mulher é diferente e atender essas expectativas também”, conta a obstetriz Ortolani.


Os médicos lembram ainda que, mesmo em instituições públicas, é possível comparar dados e fazer uma pesquisa prévia para garantir um melhor atendimento. Ainda que nem sempre seja possível escolher a maternidade desejada quando o parto é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ou visitar previamente as instalações da unidade, uma análise cuidadosa dos principais indicadores pode ajudar a família a ter uma experiência mais alinhada com as suas expectativas para esse momento.


Plano de parto


Outra preparação que pode ser útil é a construção de um plano de parto antes do procedimento. Neste documento, cujo uso está se tornando mais comum no Sistema Único de Saúde (SUS), a mãe destaca quais são suas preferências, intenções e desejos para o parto. Aspectos como a via de parto prioritária, quais as posições desejadas durante o trabalho de parto e as escolhas da gestante em caso de medidas de emergência podem ser descritas neste plano, que é reconhecido pelo Ministério da Saúde e deve ser aceito por instituições do SUS.


“Quando a gente fala de maternidade pública e privada não deveria haver uma diferença no risco para a mãe ou para o bebê, ou seja, um risco à segurança. Hoje a maternidade pública está se abrindo para o plano de parto, e muitas prefeituras têm feito carteirinha de pré-natal já com o plano de parto inserido nela”, lembra Negrini.


“A gente tem no SUS uma realidade muito diversa, mas é sempre possível exigir um atendimento melhor. É preciso lembrar que, como cidadãos, nós somos os financiadores do sistema de saúde, e ele precisa refletir isso”, completa o obstetra.


Outro aspecto a ser levado em consideração é a localização da maternidade. O ideal é que a instituição esteja próxima da residência da gestante, e não em outra cidade ou em um bairro muito distante. Esta estratégia é usada também no SUS e, segundo especialistas, se repete nos sistemas de saúde de diversos países do mundo.


“No SUS, as pessoas têm um pouco menos de flexibilidade para escolher uma maternidade, mas isso faz todo sentido. É melhor que você esteja perto de onde vive, perto da sua família, da sua rede de apoio. Há 20 anos a gente tinha muito menos maternidades, então, era comum que a pessoa tivesse que ir mais longe. Essa dinâmica estava errada, e isso melhorou muito no Brasil”, comenta Tamura.


Hospitais-gerais vinculados com a maternidade


Ainda que a estrutura física não seja o principal indicador de qualidade apontado pela Anahp, uma dica dos especialistas é preferir maternidades que estejam vinculadas a hospitais-gerais, especialmente em casos de gravidez de maior risco. Isso ocorre porque os hospitais possuem uma estrutura multidisciplinar mais completa, e profissionais de outras especialidades podem ser acionados em caso de intercorrências durante o parto.


“O respaldo de um hospital de grande estrutura facilita a aquisição de tecnologia e a participação de profissionais que não são pediatras e obstetras quando a gravidez se torna complexa. Isso pode ser um cardiologista, um infectologista, um neurologista. Essa aproximação desse corpo clínico mais diversos nos proporciona um tratamento mais completo”, afirma Tamura.


O médico Linus Pauling Fascina, que é gerente do Departamento Materno Infantil do Hospital Israelita Albert Einstein, concorda que a presença de um hospital-geral é uma vantagem em termos de segurança no parto, seja no sistema público ou no privado.


“Uma maternidade que está inserida dentro de um hospital-geral tem travas de segurança muito mais rigorosas do que uma que é apenas maternidade”, explica Fascina.


A equipe clínica, aliás, vai muito além do obstetra escolhido pela gestante para supervisionar o parto. Em muitos casos, o contato da parturiente acaba sendo mais intenso com enfermeiros e enfermeiras obstetras do que com o médico em si. Por isso, os especialistas recomendam uma análise cuidadosa do corpo clínico de cada instituição antes de escolher uma maternidade privada.


Checklist da maternidade ideal:


1- Confira os principais indicadores


Percentual de complicações no parto, mortalidade materna, percentual de partos naturais ou cesáreas: todos esses dados podem ser bons indícios do que ocorre, de fato, em uma maternidade particular. Essas informações devem ser disponibilizadas pelas instituições a pedido da família ou em seus materiais de divulgação. Além disso, no site da Anahp é possível acessar os indicadores de desempenho das instituições associadas à entidade. Já no portal da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é possível acessar os dados do Programa de Qualificação dos Prestadores de Serviços de Saúde (Qualiss).


2 – Priorize segurança e qualidade


Luxo e conforto podem atrair likes nas redes sociais, mas são menos relevantes do que segurança e qualidade na hora do parto. Especialistas ouvidos pela Agência Einstein recomendam que aspectos de hotelaria não sejam decisivos na busca por uma maternidade, e lembram que esses detalhes não implicam, necessariamente, em um melhor atendimento e experiência.


3 – Analise o conjunto


Não é só o médico ou médica que importa: na hora de escolher uma maternidade é importante avaliar a qualidade de toda a equipe clínica da instituição, em especial dos enfermeiros ou enfermeiras obstetras, que têm um papel preponderante no atendimento às gestantes em trabalho de parto. Também vale prestar atenção à infraestrutura de cada unidade, embora a Anahp lembre que a estrutura física não é o principal indicador de qualidade e segurança.


4 – Prefira unidades com hospital-geral


Médicos ouvidos pela reportagem afirmam que maternidades que são vinculadas a hospitais-gerais podem propiciar um atendimento mais multidisciplinar e são importantes em casos de complicações durante o parto. Além disso, hospitais-gerais têm travas de segurança mais rigorosas, e contam com equipamentos adequados para quadros mais graves.


5 – Procure acolhimento


Apesar do que muita gente pensa, o obstetra não é o protagonista do parto, mas, sim, a gestante. Por isso, escolher maternidades onde mãe e bebê são considerados protagonistas pode trazer mais acolhimento para a gestante na hora do parto do que lugares onde as vontades da paciente ainda não são tratadas como prioridade.


Fonte: Metrópoles

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