top of page

Professora deixa sala de aula para realizar sonho de ser médica e recebe homenagem de alunos



Ovacionada por alunos e funcionários da escola onde trabalhou por mais de dez anos em Sertãozinho (SP), uma professora deu adeus à docência para seguir o sonho de ser médica aos 50 anos.



Embalada por sua música favorita, 'Viva La Vida' da banda Coldplay, a professora aposentada Josiana Silveira de Paula Flávio viu seu último dia de aula se transformar em uma homenagem repleta de emoção e gosto de dever cumprido.

Após 25 anos de vida dedicados à educação, onde atuou em diferentes cargos ligados ao ofício de ensinar, Josiana optou pelo recomeço e deu início à sua trajetória rumo a uma nova profissão. "Eu geri uma vida inteira na educação e agora deixei isso para trilhar uma nova jornada", aponta. Homenagem surpresa A homenagem feita pelos alunos e funcionários da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Professor Roberto Zanutto Desidério pegou Josiana de surpresa.

Integrante da primeira categoria de corpo docente da escola como professora de História, ela se emociona ao lembrar de todo o carinho recebido na despedida. "Na hora que vi tudo aquilo, meu coração quase saiu pela boca. Quando desci as escadas tinha a escola inteira lá embaixo, com cartazes, bombons, carinho e choro copioso. Senti muita gratidão a Deus por toda essa jornada cumprida", diz. Mãe de dois estudantes de medicina e esposa de um médico, Josiana acompanhou de perto os desafios tanto da vida universitária quanto da vida profissional ligados à área.

Em 2019, para acompanhar o marido diante uma oportunidade de emprego, ela se mudou para Araguaína, município com mais de 180 mil habitantes situado no estado do Tocantins.

Mal fazia ideia que, durante aquela viagem, o rumo de sua vida se mudaria completamente. "Quando eu me mudei, inicialmente só para acompanhar meu marido, mal sabia que ali se iniciava um novo ciclo tão gratificante", diz. Recomeço Se o ditado popular estabelece que ‘nunca é tarde para sonhar’, Josiana faz questão de ir além e acredita que ‘nunca é tarde para realizar’.

Nascida em Guaíra (SP), no seio de uma família humilde, ela, que desde criança sonhou em ser médica, não pôde seguir na profissão.

Filha de mãe professora, Josiana decidiu também fazer carreira na área da educação já que, além da admiração pela trajetória da mãe, o custo era bem inferior a uma graduação em medicina.

Apesar da escolha, o sonho de vestir o jaleco não foi esquecido.

"Cursar medicina é um sonho antigo e desde criança sempre tive vontade [...] A gente, quando tem um sonho, não existe não. O que existe é esforço, disciplina e dedicação", afirma. Era com essas três palavras como guia, esforço, disciplina e dedicação, que ela estudava seis horas por dia em um curso on-line intensivo, já em Araguaína, decidida a prestar o vestibular e ingressar na tão almejada faculdade de medicina.

De licença das salas de aulas e focada na aprovação, Josiana conseguiu, após prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2020, uma das 12 vagas oferecidas em uma faculdade particular do município. "A única maneira da gente ter vitória nessa vida é através da educação, senão por meio dela, a gente não consegue". Nova rotina Com o primeiro semestre da faculdade finalizado ainda durante o período em que estava de licença, Josiana retornou a Sertãozinho e passou seis meses lecionando até que concluísse seu processo de aposentadoria. Oficialmente aposentada, ela retorna ao segundo semestre de faculdade em agosto e já aguarda com ansiedade o reencontro com os amigos que fez no curso.

De acordo com ela, abandonar o giz e encarar uma nova rotina de estudos ganhou mais alegria ao lado dos colegas. "A experiência de uma pessoa de mais idade é de muita contribuição para quem é mais jovem. Se a gente souber agregar, eu aprendo com eles, eles aprendem comigo, é um processo de mão dupla". Na sala de aula, dessa vez como aluna, ela é tida pelos amigos como fonte de inspiração. Para o estudante Caio Henrique, de 20 anos, poder ter uma pessoa como Josiana ao lado, além de inspirar, enriquece o processo de aprendizagem.

"Ela é uma mãezona para o nosso grupo. Ela pega na mão, ensina, ajuda. Ela tem a humildade de ouvir, de aprender junto com a gente. É perfeccionista, gosta das coisas do seu jeitinho e não descansa até que tudo fique perfeito. Admiro muito ela", diz.


Fonte: G1

9 visualizações0 comentário

Comments


bottom of page