Prevent Senior: entenda as acusações contra a empresa envolvendo pesquisa sobre cloroquina


 
 

O plano de saúde Prevent Senior ocultou mortes de pacientes que participaram de um estudo realizado para testar a eficácia da hidroxicloroquina, associada à azitromicina, para tratar a Covid-19, que teve a divulgação do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido),

Em agosto, a CPI da Covid recebeu um dossiê com uma série de denúncias de irregularidades, elaborado por médicos e ex-médicos da Prevent. Segundo o dossiê, a disseminação da cloroquina e outras medicações foi resultado de um acordo entre o governo Bolsonaro e a Prevent que gerou o estudo.

A Comissão ouviria nesta quinta-feira depoimento do diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Batista Júnior, mas ele informou que não vai comparecer. O que se sabe sobre o caso: O que os médicos eram orientados a fazer? Os médicos alegam que eram coagidos pela Prevent a prescrever as medicações do tratamento precoce de forma sistemática e que há um acompanhamento rigoroso do número de kits prescritos.

Entre os tratamentos não-convencionais mencionados está a ozonioterapia, a flutamida e a heparina inalatória. A denúncia é acompanhada por mensagens de Whatsapp de diretores da empresa.

Eles também eram orientados a trabalhar com Covid e sem máscaras. Quantas pessoas morreram durante o estudo? Nove deles morreram durante a pesquisa, segundo planilha obtida pela GloboNews, mas os autores só mencionaram duas mortes.

Dos nove pacientes que morreram, seis estavam no grupo que tomou hidroxicloroquina e azitromicina. Dois estavam no grupo que não ingeriu as medicações. Há um paciente cuja tabela não informa se ingeriu ou não a medicação. Quantas pessoas participaram da pesquisa? O primeiro desdobramento do acordo entre a Prevent e governo federal, segundo a denúncia, foi a pesquisa feita 636 pacientes para testar a eficácia da hidroxicloroquina contra a Covid-19, realizada entre março e abril do ano passado. O resultado teria sido manipulado para que fossem favoráveis ao uso da cloroquina contra a doença.

Dos 636 participantes, apenas 266 fizeram eletrocardiograma, que é recomendado para pacientes tratados com cloroquina, pelo risco de problemas cardíacos. Uma das pessoas que morreu, um homem de 83 anos, tomou cloroquina e apresentou arritmia cardíaca, que é um dos efeitos colaterais possíveis da medicação. Os pacientes sabiam que estavam participando do estudo? Não, em uma mensagem publicada em grupos de aplicativos de mensagem, o diretor da Prevent, Fernando Oikawa, fala pela primeira vez do estudo e orienta os subordinados a não avisar os pacientes e familiares sobre a medicação. “Iremos iniciar o protocolo de HIDROXICLOROQUINA + AZITROMICINA. Por favor, NÃO INFORMAR O PACIENTE ou FAMILIAR, (sic) sobre a medicação e nem sobre o programa”, dizia mensagem do diretor da Prevent. A denúncia afirma que a Prevent realizou uma série de tratamentos experimentais em seus pacientes, muitas vezes sem que houvesse consentimento deles. O texto diz que pacientes foram usados como "cobaias humanas" para testar medicações contra a Covid. O estudo recebeu aprovação de algum órgão? Estudos como o da Prevent Senior precisavam passar pela Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) . O estudo chegou a ser submetido à Conep e aprovado, mas o órgão suspendeu a pesquisa por constatar que a investigação começou a ser feita antes da aprovação legal. Todos os pacientes estavam com Covid-19? Apenas 93 pacientes (14,7% do total) realizaram teste para saber se estavam com Covid ou não. Foram 62 casos positivos, menos de 10% do total de participantes. Houve mudanças no registro de mortes de pacientes? Sim, a CID era alterada. A GloboNews conseguiu comprovar dois casos em que a Covid foi omitida da declaração de óbito dos pacientes. O caso está sendo investigado? Sim, pelo Ministério Público de São Paulo e a CPI da Covid. A Prevent Senior é investigada desde março pelo MPSP, que abriu um inquérito civil após uma reportagem da GloboNews mostrar 12 relatos de associados do plano que estavam recebendo o kit covid. Parte deles nem sequer tinha diagnóstico confirmado de Covid-19.

O MP também investiga o uso de medicações sem eficácia comprovada, como flutamida, etanercepte, heparina inalatória e ozonioterapia. DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil de São Paulo) e ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) também abriram investigações. O presidente divulgou a pesquisa? Sim, a pesquisa foi divulgada e enaltecida pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), como exemplo de sucesso do uso da hidroxicloroquina. A pesquisa, também, desenvolveu-se a partir de um acordo entre o plano e o governo federal. Bolsonaro postou resultados do estudo e não mencionou as mortes de pacientes que tomaram o medicamento. O Ministério da Saúde sabia? Segundo o senador Humberto Costa (PT), houve um acordo entre a direção do hospital e o governo federal, contra as orientações que havia do Ministério da Saúde, no período do ministro Mandetta. E foi acertado com o gabinete paralelo que era o elo entre o Prevent Senior e o governo federal.


Fonte: G1

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