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Pressão alta: descoberta brasileira revela que problema pode estar associado a 3 moléculas do rim



Uma nova pesquisa científica, liderada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta que três moléculas podem ter o papel central na hipertensão. Em estudos clínicos, pesquisadores confirmaram a ligação do sal ao desenvolvimento da pressão alta, mas não havia um consenso sobre a explicação para a hipersensibilidade ao mineral. Pessoas com essa condição são chamados de "sal sensíveis", pois os rins desses pacientes têm facilidade para absorvê-lo e dificuldade em eliminá-lo.

Lucienne da Silva Lara, professora de Ciências Biomédicas da UFRJ que chefiou o estudo, conta ao GLOBO que o ponto de partida da pesquisa foi o número alarmante de pessoas com doença renal no Brasil, causada pela hipertensão.

— Jovens saudáveis se tornam idosos com pressão alta por consumir muito sal em suas dietas. Isso poderá causar uma doença renal a longo prazo, o que sobrecarrega o SUS e o bolso desse paciente. A gente enfrenta uma batalha silenciosa, porque as duas doenças progridem sem apresentar muitos sintomas — expõe.

No estudo, é descrito o processo de ação das moléculas: “quando um sensor de sódio (Nax), uma proteína cinase induzida por sal (SIK) e o transportador (Na++K+) ATPase trabalham de forma elevada nos rins, ocorre aumento da reabsorção de sódio e água, e isso pode explicar o desenvolvimento da hipertensão sensível ao sal”.

Na pesquisa pré-clínica conduzida, ratos sadios são submetidos à elevada ingestão de sal tornando as atividades do trio de moléculas elevada, o que causa retenção de sódio e líquido. Os ratos do experimento não desenvolvem hipertensão, mas apresentam uma leve disfunção renal.

Em animais hipertensos submetidos à ingestão de sal excessiva, o trio desconecta-se e o sensor de sódio passa a disparar mecanismos que contribuem para a perda da função renal. Com a danificação dos rins, a pressão arterial dos animais aumenta.

Essas três moléculas trabalham como verdadeiros vilões no organismo, reabsorvendo água e sal, ao invés de eliminá-los, sobrecarregando o funcionamento dos rins.

A especialista aponta a grande dificuldade do brasileiro de controlar a ingestão sal na alimentação. O mineral está presente na maioria dos alimentos e em grande quantidade nos ultraprocessados vendidos no mercado.

Mas para além da sua oferta incessante, ele pode também ter uma propriedade escondida que torna especificamente a vida dos hipertensos ainda mais difícil.

— Um desses vilões do trio, o sensor de sódio, está presente nas papilas gustativas do ser humano. E isso pode estar relacionado à afinidade ao sal. Alguns demonstram que o paciente hipertenso tende a ser mais ávido pelo sal, e esse sensor pode estar envolvido nisso também — a especialista aponta.

Em um levantamento publicado neste ano, o Ministério da Saúde alerta que a taxa de mortalidade por hipertensão arterial atingiu em 2021, ano final do monitoramento, o maior patamar da última década. Segundo a pasta, que analisou dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), foram 18,7 óbitos a cada 100 mil habitantes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a hipertensão arterial é o principal fator de risco para as doenças crônicas não transmissíveis. Os resultados encontrados pelo estudo abrem novos caminhos no tratamento da doença. Um novo medicamento pode, assim, ser desenvolvidos para agir diretamente nas interações entre as três moléculas que causam essa sensibilidade exacerbada.


Fonte: O Globo

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