Postos de saúde ficam sem vacina pentavalente e deixam bebês desprotegidos contra doenças

Crianças que precisam tomar doses da vacina pentavalente em Palmas estão sem previsão de quando vão ser imunizadas. A mãe do pequeno Lorenzo, de apenas quatro meses, não sabe mais o que fazer porque está na hora dele tomar a segunda dose da medicação.

Ela conta que enfrentou o mesmo problema quando o filho precisou tomar a primeira dose. “Eu sempre ligando e sem resposta. Um dia eu pedi para meu esposo passar lá [no posto de saúde] para ver. Quando ele passou, a moça disse que tinham seis doses da vacina. Na mesma hora ele me ligou e eu fui correndo, quando cheguei tinha duas doses e o meu bebê tomou”, contou Stéfane Carvalho.

Nesta segunda-feira (2), a auxiliar administrativa ligou para um posto de saúde, mas novamente não conseguiu encontrar a vacina.

Stéfane Carvalho: Eu gostaria de saber se já chegou a vacina pentavalente. Atendente: Não, a penta tá em falta. Stéfane Carvalho: Você sabe me dizer qual a previsão de chegada? Atendente: Não, não sei te informar, tá?

Com a falta da vacina nas unidades de saúde o jeito é procurar a rede particular, mas não é todo mundo que tem condições financeiras para isso. O preço da vacina é salgado custa, em média, R$ 500.

Toda criança deve tomar doses da vacina pentavalente aos dois, quatro e seis meses. Um reforço é dado com um ano e três meses. A última dose deve ser aplicada entre quatro e seis anos. “Fica R$ 2,5 mil. É impossível porque o bebê já tem vários gastos”, lamentou a mãe.

Essa proteção é essencial para os bebês, pois a vacina pode proteger contra cinco doenças desde que as doses sejam aplicadas nos momentos adequados. “A penta vai proteger contra difteria, tétano, coqueluche, haemophilus influenzae tipo B e contra hepatite B”, explicou a médica Amanda Hagestedt.

Com medo do filho Benjamin pegar uma dessas doenças, o único jeito que a Ana encontrou foi pagar a vacina na rede particular. “No segundo mês pagamos R$ 500 e agora vamos pagar mais R$ 500. Se chegar ao sexto mês e continuar em falta tem que pagar mais R$ 500. É um dinheiro que dá de fazer muita coisa e a gente tem que pagar essa vacina, que é um direito nosso”, lamentou Ana Paula Fernandes.

Mãe espera chegada de vacina para imunizar o filho — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Outro lado

A Secretaria Municipal de Saúde informou que a última remessa de vacinas pentavalente ocorreu no final de outubro, quando a Central de Vacinas (Cemuv) recebeu 1,2 mil doses.

De acordo com o município, a responsabilidade pela disponibilização das vacinas é do Ministério da Saúde, que através do Sistema Único de Saúde (SUS) distribui para o Estado que abastece as unidades de saúde do município.

“A necessidade mensal da rede municipal de Palmas é 1.200 doses. No mês de novembro, o município não recebeu as doses imunizantes. Com isso, as salas de vacinas da rede encontram-se desabastecidas, uma vez que o fornecimento da mesma está irregular há alguns meses e o último quantitativo enviado não foi suficiente para atender a demanda”, diz nota da secretaria.

O Ministério da Saúde informou que distribuiu mais de 4,7 milhões de doses da vacina pentavalente aos estados de todo o país neste ano, sendo 32.687 mil para o estado do Tocantins. A última remessa da pasta foi feita, segundo a nota, em outubro, com o envio 885 mil doses para todo o país e 6 mil para Tocantins. Em novembro, ainda não foi possível realizar o envio, pois a carga que chegou ao Brasil está aguardando parecer da OPAS para posterior liberação da Anvisa. Tão logo essas doses sejam liberadas para uso, serão distribuídas aos Estados, disse o Ministério.

A remessa de vacina pentavalente, adquirida por intermédio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), foi reprovada em teste de qualidade feitos pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) e análise do Ministério da Saúde. Por este motivo, as compras com o antigo fornecedor, a indiana Biologicals E. Limited, foram interrompidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que pré-qualifica os laboratórios, ainda de acordo com a nota.

A pasta informou que solicitou a reposição do fornecimento à OPAS. No entanto, não há disponibilidade imediata da vacina pentavalente no mundo e ela não é fabricada no Brasil. Foi feita nova aquisição de 6,6 milhões de doses e essas vacinas começaram a chegar de forma escalonada em agosto no Brasil. Quando os estoques forem normalizados, o Sistema Único de Saúde fará busca ativa pelas crianças que completaram dois, quatro ou seis meses de idade, entre os meses de agosto e novembro, para vaciná-las.

A distribuição das vacinas nos municípios é de competência das Secretarias de Saúde dos Estados. Os pais que por ventura não conseguiram vacinar seus filhos devem procurar as salas de vacinação nos municípios e programarem a vacinação das crianças, conforme o cronograma de imunização. O funcionamento das salas de vacinação é responsabilidade dos municípios.

Fonte: G1

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