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Por que filmes de terror e situações de medo dão embrulho na barriga?



Assistir a um filme pode despertar muitas emoções em uma pessoa. Os de terror, por exemplo, costumam dar frio na barriga e repulsa, e existe uma explicação científica para isso. Um estudo feito por pesquisadores da Sapienza Università di Roma, na Itália, mostra que existe uma conexão forte entre a resposta do cérebro a situações ameaçadoras e as reações intestinais.


É como se o sistema gástrico se preparasse para o pior em situações de medo e repulsa reduzindo o pH do intestino para torná-lo mais ácido, provocando a sensação de náusea.

O estudo liderado pela psicóloga Giuseppina Porciello foi publicado em versão pré-print na plataforma bioRxiv em fevereiro. Ele ainda precisa ser revisado pela comunidade científica.


A análise contou com a participação de 31 homens saudáveis, sem diagnóstico de distúrbios psicológicos, neurológicos ou digestivos. Eles foram orientados a engolir uma pílula inteligente contendo um sensor, uma bateria e um transmissor sem fio para dar informações aos pesquisadores sobre o que acontece no interior do corpo humano quando somos expostos a diferentes sensações.


O equipamento foi desenvolvido para medir acidez, temperatura e pressão dentro do sistema digestivo – no estômago, intestino delgado e intestino grosso – enquanto os cientistas mediam a atividade elétrica muscular do sistema por fora.


Com as pílulas devidamente posicionadas, os participantes foram convidados a assistir a videoclipes de nove segundos de duração em quatro sessões. Os vídeos tinham conteúdo alegre, repulsivo, triste, assustador e “neutro emotivo” para servir de comparação. Ao final, eles deveriam responder um questionário sobre como se sentiram.


As sensações gástricas aumentaram consideravelmente durante as cenas de medo, chegando ao máximo quando os participantes assistiam a vídeos que despertavam repulsa. A respiração também foi elevada, assim como durante as cenas tristes.

Ao mesmo tempo, os pesquisadores observaram que o sistema digestivo liberava mais ácido estomacal. Quanto mais nojo ou medo os homens sentiam, mais baixo e ácido era o pH.


“Nossas descobertas apoiam as teorias somáticas das emoções, sugerindo que padrões específicos de sinais fisiológicos estão ligados a estados emocionais únicos e estão alinhados com as evidências comportamentais e neurais que destacam a estrutura discreta das emoções”, afirma a psicóloga no artigo.

Giuseppina reconhece as limitações da pesquisa, como o número de voluntários, que eram todos do mesmo sexo. No entanto, ela acredita que esses dados poderão ser usados no futuro para entender melhor os distúrbios intestinais e digestivos e como eles afetam a mente do ser humano.


“Nossa abordagem pode ser adotada ao estudar a contribuição dos sinais gástricos em pessoas que apresentam processamento emocional disfuncional, como condições do espectro do autismo e depressão”, acredita Giuseppina.


Fonte: Metrópoles

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